Mark Knopfler, Chet Atkins, Eric Clapton, George Harrison, David Gilmour, …

Blues, Folk. Country, Jazz, Rock, não importa o gênero. E porque é sábado, a música, a sensibilidade viajam pelo tempo e pelo espaço.

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Poesia: Sombra & Música – Pat Metheny, Jeff Beck, Jimmy Page & David Gilmour

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Minha sombra é, antes do silêncio, pausa

Meu silêncio é apenas a dor do raio que atravessa os vitrais

E é na retina do arco que a pausa nunca silencia.

Foto: Chronosfer – Picada Café/RS

David Gilmour: On an Island

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David Gilmour parece ser o típico trabalhador que cria em silêncio. Este seu terceiro álbum, por exemplo, levou 22 anos para ser lançado (2006). On an Island  não é um disco Pink Floyd, embora sua essência seja inegável. Cintila limpo e quente o azul da capa, de sonho, para compor uma obra única feita de crepúsculos e auroras em suas canções. E, ao mesmo tempo, há quebras do silêncio que não desmoronam o equilíbrio. Ao contrário, o processo se ajusta ao correr pelo player com a sensibilidade com que cada música é conduzida. Os céus nem sempre são escuros a ponto de desafiar a natureza humana. A harmonia vai se entrelaçando em atmosferas dramáticas e belas, e de repente percebemos que estamos diante de uma criação capaz de catalisar sentimentos e abraçar o mar que não separa mas junta terras. Acompanhado de uma turma de instrumentistas e vocais de primeiríssima, como os de David Crosby e Graham Nash, os teclados mágicos de Richard Wright, esse um Floyd, o disco ainda hospeda a presença de Phil Manzanera, Chris Thomas, Robert Wyatt, BJ Cole, Georgie Fame, Jools Holland e Willie Wilson entre tantos que habitam as dez faixas. Algumas letras são poesia de Polly Samson, sua esposa. Gilmour se afastou de seu espírito mais irritadiço e compôs um disco sedutor, romântico, com sutilezas musicais que cabem texturas silenciosas e repletas de otimismo. Alguns anos depois, gravou o mesmo disco ao vivo em Gdansk, aí já com ares rarefeitos de nuances pinkfloydianos. Uma viagem serena em nossas vidas esse trabalho de David Gilmour.

 

David Gilmour: The Orb – Metallic Spheres

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Algum preconceito acompanhou este trabalho do The Orb por ser eletrônico e foi muito rejeitado inclusive pelo público. Alguns críticos se debruçaram sobre Metallic Spheres por uma única razão: a guitarra de David Gilmour. Evidente que o nome Gilmour atrai e logo se faz a associação com o Pink Floyd. Não se pode negar a presença floydiana nas composições do guitarrista, quem sabe o seu segundo disco About Face escape dessa fortuna, mas afinal qual é o problema? A música de atmosfera, tão rejeitada por tantos, aqui se coloca em um nível em que o abstrato recebe doses generosas da genialidade de David sem nenhuma espécie de concessão. O seu instrumento vibra com tamanha intensidade que torna o disco muito bom de ser escutado. A união de composições – vejam bem quem está assinando alguma faixa – com Graham Nash – é, o Nash do Crosby, Stills, Nash & Young – mais a presença da violonista Marcia Mello (em “Black Graham”) com os tripulantes da nave eletrônica da Orb Alex Paterson e Youth com os backing de Dominique Le Vac e os teclados de Tim Bran, fez de Mettalic um álbum em que os gêneros convivem em harmonia. Claro, não é para ser escutado a todo instante, mas também não é daqueles que se coloca em sala de espera de escritório ou em elevadores. Exageros e preconceitos distantes, trata-se de um disco conceitual muito bem elaborado em que o brilho de David Gilmour assegura toda a sensibilidade necessária para que haja sobretudo unidade entre as duas partes em que foi dividido: Mettalic Side e Spheres Side. E, naturalmente, apenas para repetir, muito do estilo de tocar cravado no estilo Pink Floyd de Gilmour. Vale a audição e bons momentos de uma música que flui como um rio ao encontro do mar.

Pink Floyd, cada vez mais um mar infinito

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Dentro de um período histórico, vinte anos não significa absolutamente nada. No universo da música, uma eternidade. Para os fãs, muito mais que uma eternidade, várias. Se em 1994 Division Bell poderia ser o encerramento do Pink Floyd, já sem o baixo de Roger Waters, 2014 é uma espécie de gran finale. Ainda que o título do novo álbum seja “rio sem fim” nada indica que eles estarão de volta mais uma vez. Na verdade, The Endless River é uma compilação que vem lá de trás, do último disco lançado. E também uma bela homenagem a Rick Wright, piano, que morreu de câncer em 2008. E tem como base as faixas descartadas nas sessões de estúdio do Division Bell ainda inéditas. Claro que todas receberam nnovos arranjos, foram regravados alguns trechos das canções, novos instrumentos e o resultado é o mais puro Pink Floyd possível.

Dividido em quatro partes, o álbum é quase exclusivamente instrumental, exceto pela canção “Louder Than Words”, que foi lançada há algumas semanas. O som é, repito, o mais legítimo Pink Floyd. Um diálogo tantas vezes reinventado entre os sintetizadores de Rick Wright e as guitarras de David Gilmour. O astrofísico Stephen Hawking também está no disco. O cientista britânico, que fala com a ajuda de um computador e já havia participado em “The Division Bell”, aparece na faixa “Talkin’ Hawkin”. O som é quase etéreo, viaja-se com a alma envolta nas sonoridades, nos silêncios, nos ruídos, no surpreendente, no insólito que somente o Floyd é capaz. Acima de rótulos, mesmo que ali em cima eu tenha escrito etéreo, a essência floydiana permanece intacta. E, para mim, a ausência de Waters em nada compromete o trabalho. Quando escuto os trabalhos solos tanto do baixista quanto de Gilmour, encontro no guitarrista muito mais Pink Floyd. O seu Live in Gdansk é muito mais floydiano, ao contrário de In the Flesh Live, por exemplo, de Roger, que possui outros nuances, embora tenha muita qualidade.

O que importa é que há um novo disco do Pink Floyd e devemos festeja-lo. Para escutá-lo basta clicar abaixo. Vale a  pena. Saudade que fica no passado, mas se projeto para o futuro.

www.youtube.com/watch?v=ADOQQiwgU0Y

Reprodução da capa: Internet.

 

David Gilmour: Live in Gdansk

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Para o final de domingo, início de semana, o show de David Gilmour Live in Gdansk é algo extraordinário e capaz de elevar o espírito. O talento, a sensibilidade de um Pink Floyd, tocando basicamente o disco On an island com acompanhamento de orquestra filarmônica (The Baltic Philarmonic Symphony Orchestra regida por Zbigniew Preisner) é imperdível.

Acompanhado por Richard Wright nos teclados, Phil Manzanera na guitarra, Jon Carin nos teclados e programação, Guy Pratt no baixo e Steve Stanilau na bateria, todos também estão nos vocais, Gilmour exibe excelente forma e carisma, características desde o tempo do Pink Floyd, que está muito presente no show. Ouvi-lo é sempre um presente.

http://www.youtube.com/watch?v=yw3b0ESOwTs

Capa capturada na Internet.