Los clásicos Afro-Peruanos: El alma del Peru Negro

alma del peru negro

A história da conquista da América Latina é comum a todos os países. isso já é por demais conhecido tanto quanto junto aos conquistadores vieram também traços de culturas desde sua origem hispânica, notadamente. mais adiante, ou quase ao mesmo tempo, o processo de escravidão para alimentar as então elites da conquista foi diferente em alguns países. Se havia uma certa “unidade” no processo escravagista era por interesse, ou seja, quanto mais reunidos clãs de escravos, preservando suas famílias, ritos, crenças e cultura, melhor trabalhavam ou para ser exato, mais explorados eram. No Peru, aconteceu o oposto. Não chegaram famílias, grupos étnicos, nada semelhante aos demais do continente. Não havia unidade entre eles, não havia um líder que pudesse manter suas tradições, sua identidade comum. Assim, o processo mais natural então foi agregar os escravos à cultura local, em especial a do litoral peruano. Esses pequenos grupos novas células culturais a partir do local onde começaram a viver. Nasceu uma mescla original e única entre as tradições espanholas, andinas e africanas. Algo como língua, a estética e a forma de fazer poesia e como instrumento a guitarra (violão); dos Andes, o espírito, a melancolia, algumas formas musicais e por fim da África, o incrível ritmo, conservado geração a geração através dos tempos. Uma expressão cultural emergia em meio a tragédia escravagista. É claro que esse desenvolvimento vai se forjando ao longo do tempo, assumindo outras proporções, outras expressões, são incorporados novos ritmos, novos gêneros. Dando um salto na história, mais modernos, como o jazz, o reggae, o rock, a canção melódica. Dessa soma, a música afro-peruana é uma expressão única, natural e básica em todos os sentidos. Aqui, neste pequeno texto, reside apenas uma síntese menos alentada da música peruana, em especial a afro. Sem deixar de admirar a sua profunda e rica criação, com composições, instrumentistas e intérpretes que comovem e atravessam a história com digna integridade. Esse disco original foi compilado por David Byrne, um admirador da nossa América.

Djur Djura, canto argelino

Djura

David Byrne assina vários trabalhos alternativos ou nem tanto independentes mas que possuem densidade e lastro cultural em seus países de origem e em vários outros. Com a criação do selo Luaka Bop em 1989, fez com que nomes poucos conhecidos em vários lugares passassem a frequentar comentários de especialistas em música, levou a esses lugares sua inquietude demonstrada desde os tempos dos Talking Heads. Em Cuba, Silvio Rodriguez teve o seu Canciones Urgentes e TomZé, aqui do Brasil, carimbados pela gravadora de Byrne. Trabalhos importantes, e visíveis a quem quer conhecer o cancioneiro de parte de cada um desses lugares. Com a argelina Djur Djura não foi diferente. Batizada artisticamente com o nome de uma cadeia rochosa da Argélia, a cantora, compositora, escritora e cineasta, que vive na França, é uma síntese também de um poderoso trabalho que criam. A história de Djur é dramática e suas canções e outras formas que expressão falam disso. Seu livro O véu do silêncio revela parte dos seus dramas. E também avança nas questões da mulher dentro de uma sociedade mais tradicional ao cantar a libertação das mulheres e sua dimensão na própria sociedade onde vivem. É um trabalho poético incansável e delicado de uma artista que abre sua alma de forma articulada e consciente. Desde o lançamento de Voice of silence e suas entrevistas muita coisa foi se transformando. basta um rápido olhar e leituras sobre o que falou à época, anos 90, para se constatar que os dias atuais são complexos em todos os sentidos. Fica o testemunho e o registro de uma artista norte-africana que mais que ter consciência do seu papel como mulher é sinônimo de ser humano com letras maiúsculas com seus cantos, ritmos, imagens e palavras.