Dez canções para sexta-feira

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Hoje, John Mayer, Neil Young, Rod Stewart, Sheryl Crow, Angus & Julia Stone, Markéta Irglová & Glen Hansard, Crosby, Stills, Nash & Young, Rolling Stones e George Harrison & Bob Dylan serão nossas companhias com talento e sensibilidade. Sexta- feira, será o dia da música para o Chronosfer. E para vocês que aqui chegam. O meu abraço.

www.youtube.com/watch?v=cSdjo0W4Tvs

John Mayer – Queen of California

www.youtube.com/watch?v=chLFi2cFxzo

John Mayer – Queen of Califórnia Acoustic

www.youtube.com/watch?v=xMjDc8MJotU

Neil Young – Harvest Moon

www.youtube.com/watch?v=h4_yZ7BvKVA

Rod Stewart – The first cut is the deepest

www.youtube.com/watch?v=4QKZP6VE35I

Sheryl Crow – The first cut is the deepest

www.youtube.com/watch?v=9yQTGyYg0_E

Angus & Julia Stone – Devil´s tears

www.youtube.com/watch?v=fAAj11EdKXY

Markéta Irglová & Glen Hansard – If you want me

 www.youtube.com/watch?v=nDknDWp-elE

Crosby, Stills, Nash & Young – Teach your children

www.youtube.com/watch?v=lQlmywY_qEM

Rolling Stones – As tears go by

www.youtube.com/watch?v=HCXB1SUmEuw

George Harrison & Bob Dylan – If not for you

Foto: Chronosfer.

Bob Dylan, sempre à frente

Novembro abre as portas. Entra tranquilo, suave, cumpre seu tempo de chegar e se instalar. Bem mais próximo, o fim do ano dá seus sinais. O movimento aumenta, as ruas se agitam, as pessoas aceleram o passo, as cores ganham mais cores, o sol se encarrega de desbotá-las. É o ciclo natural.

Na música, as novidades chegam. Assim, quase envolta pelo silêncio. Aparente silêncio. E uma das surpresas deste novembro é Bob Dylan e suas fitas do porão. A “Bootleg Series” traz mais tesouros do interminável veio criativo de Dylan. Pouco mais de uma centena de músicas gravadas em 1967 no porão de uma casa de campo localizada no norte de Nova York estão ganhando  luz solar. A The Basement Tapes Complete são gravações para lá de históricas. É um Bob Dylan que visita não apenas Robert Zimermann mas nomes como Clarence Willians, Johnny Cash, Hank Willians e Pete Seeger. A um passo de 1968, a sensação de que o compositor na verdade havia voltado no tempo. Blues, Folk, vozes e instrumentos capturando sobretudo liberdade de criação. No material de 138 faixas, algumas inéditas, completamente inéditas, há a presença permanente de seu “bando” de apoio, o The Band de Robbie Robertson. O lançamento tem quatro versões: o box de seis cds, cd duplo, 3 discos de vinil, e em MP3. Claro, somente no box estão todas as gravações e estão disponíveis no site da Amazon. O problema agora é quando estará no Brasil.

youtube.com/watch?v=e7qQ6_RV4VQ

www.youtube.com/watch?v=Ds8IevHRPGM

Bob Dylan vale sempre. É o nome da música que mais revolucionou a própria música.

 

bobdylan

Joaz Baez: lucidez e engajamento

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A presença de Joan Baez na América do Sul é emblemática. Traz muito da vida, do sentido, do porquê, do ativismo consequente, do talento, da sensibilidade. Momentos como os que vivemos podem ser comparados com a exclusiva e única década de sessenta? Não, impossível. Pelos adjetivos escritos linhas acima. São outros tempos. Outros sentidos, outros porquês, e, sobretudo, outras consequências. Em várias entrevistas, a cantora e compositora de folk, fala sobre muitas coisas. Sobre o seu cotidiano atual. Chama a atenção dois pontos: o primeiro a respeito de Bob Dylan, de quem foi namorada e grande impulsionadora de sua carreira: o seu relacionamento com ele é zero. O segundo, nunca mais haverá uma década como a dos anos sessenta onde surgiram Beatles, Rolling Stones, The Byrds, Joni Mitchell, Richie Havens, The Who, e tantos mais. Sua fala permite várias reflexões, uma delas é por onde caminhamos hoje. O que foi feito da magia e força daqueles anos que se diluíram aos poucos até este século XXI complexo e das redes sociais.

Joan esteve sempre na linha de frente. havia a Guerra do Vietnan, Martin Luther King, as canções que retratavam o protesto contra a opressão, contra a guerra genocida, contra o racismo. Estava vivendo para transformar a sociedade e seus costumes, para melhor. De alguma forma, o sentido e o porquê se entrelaçavam. Começou em 1959 no Newport Folk Festival e em seguida deslanchou pela América do Norte inteira. Ganhou o mundo. Sacralizou Woodstock. Sua apresentação à noite é daquelas de se guardar pela vida inteira, interpretando “Joe Hill”.  Era (e é) tão ligada ao folclore que gravou Villa-Lobos, gravou “Mulher rendeira”, gravou um disco inteiro em espanhol chamado Gracias a la vida. Não abandonou seus princípios. É a mesma e lúcida Joan Baez dos anos sessenta.

A presença dela, lançando seu disco Day after tomorrow, produzido pelo cantor e compositor Steve Earle, nos proporciona momentos únicos. Ela, que foi proibida de cantar no Brasil em 1981 por um fatigado regime militar, está aqui para nos fazer pensar. Para que os sentidos e os porquês tenham sentido e porquê. Para que possamos realmente transformar a sociedade atual em uma sociedade mais séria, mais comprometida, mais justa, mais humana, mais ética, mais íntegra. Ouvi-la é dar um passo à frente contra todos os tipos possíveis de violência.

http://www.youtube.com/watch?v=2M9urmuiREc

Foto: Marina Chavez