Antonio Carlos Gomes BELCHIOR Fontenelle Fernandes

Belchior

O nome aristocrático do cearense de Sobral flutua em nosso imaginário. No noticiário desde a década de setenta, quando junto com outros artistas do seu estado, como Ednardo, Fagner, surgiu para o Brasil como Pessoal do Ceará, o ex-estudante de Medicina marcou gerações com seu canto e sua poesia. O nosso país é muito rico também em movimentos musicais: Bossa Nova, Tropicália, Clube da Esquina, Jovem Guarda, Movimento Artístico Universitário, Música Popular Gaúcha, para citar alguns deles. Nomes? João Bosco, Aldir Blanc, Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Ivan Lins, Rita Lee, Gal Costa, Maria Bethânia, Bebeto Alves, Nei Lisboa e uma infinidade de outros grandes da nossa música. Belchior traduziu com seus versos a dura realidade brasileira e do nordestino que desce para o Sul. Naqueles anos setenta e oitenta, sua voz recitando as composições de sua assinatura são mais que quadros guardados na parede da memória. Capaz de ser lírico e realista, sua sensibilidade trouxe a ideia do menestrel e do sonhador sem jamais perder de vista a realidade social e política daqueles anos. Seus clássicos são atuais e talvez por isso o seu “desaparecimento” é perguntado todos os dias. Por onde anda Belchior? Espero que tenha posto uma velha roupa colorida, com os dedos em V e depois de descobrir que o sol não é tão bonito para quem vem do Norte e vai dormir na rua, tenha encontrado um coração selvagem para repousar do cinza da cidade grande.

 

 

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