Sting: Nothing Like the Sun

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Sting, ao sair do The Police, tem sido produtivo e desenvolvido sua criatividade em fases bem definidas. Nem sempre o resultado alcança todas as estrelas possíveis, mas deixa marcas. Nothing Like the Sun é um álbum curioso. Não nos gêneros em que flerta de forma explícita – jazz e rock – mas pela repercussão. Lembro de ter lido em alguma revista, o nome perdeu-se há muito em minha memória, de encontra-lo em um lista dos piores discos de todos os tempos. E olha que na relação estava trabalho dos Beatles. No entanto, como tenho lá minhas reservas quanto a listas, ainda mais de melhores ou piores, eu sempre gostei desse Sting despojado. E em particular esse tem o crivo da sua participação pelas América do Sul com a Anistia Internacional e momentos confessionais, em função da partida de sua mãe. Um trabalho emotivo, para dentro. E também que coloca as coisas em lugares, como em “They dance alone”, em função à época ainda os reflexos da ditadura chilena de Augusto Pinochet. E as composições ganham muitas conotações a partir de seu sentimento interior e os acompanhamentos atestam o quanto Sting acerta em Nothing. Algumas músicas, como “Fragile” foram também, não neste disco, cantadas em língua portuguesa ou em espanhol. Nomes como Mark Knopfler, Eric Clapton, Ruben Blades, Dil Evans, Manu Katché, Branford Marsalis, Mark Egan, Andy Summers e outros mais asseguram a qualidade e o peso das canções. Sério, comprometido, afetivo e consciente, Sting produziu uma obra sensível e próxima da realidade de então.

Andy Summers & Victor Biglione: Strings of Desire

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Ambos possuem trajetórias marcantes na música. Andy Summers, no Police. Victor Biglione, em vários trabalhos assinados com outros tantos instrumentistas. A reunião dos dois em Strings of Desire elimina a velha e já superada tese de que o oceano separa as margens. Bem ao contrário, Summers e Biglione juntaram o que de melhor fazem e fizeram para criarem um disco que transita pelo jazz e bossa nova, fugindo do elétrico e se fixando mais no acústico. E o diálogo entre os violões vai descortinando a universalidade com que tocam e materializam seus arranjos de forma a traduzirem seus acordes e harmonias em um idioma capaz de alcançarem um nível de harmonia de muita sensibilidade e sonoridade cristalina. Cada um com suas histórias de estrada que vão do pop ao próprio jazz, passa pelo latinismo de Victor, por trilhas de cinema, e por aí descobrem o seu caminho comum. O repertório de clássicos de Larry Coryell, Oliver Nelson, Dave Brubeck, João Gilberto, Dizzy Gillespie, Antônio Carlos Jobim e Egberto Gismonti ganham texturas que suas influências e identidades são capazes de transformarem em novas influências e identidades. A dupla ainda mais adiante fez outro disco – Splendid Brazil – com o mesmo DNA que concebeu o seu primeiro trabalho conjunto. E percebe-se o quanto há em comum o que aparentemente não haveria de ter entre um ex-Police e um latino-americano, argentino radicado no Brasil. E o que chamamos universalidade é uma recompensa para quem para e os escuta com alegria e prazer.