O faz-tudo de Bernard Malamud: livro essencial

recomenda3  Cinema e literatura andam de mãos dadas. Às vezes se abraçam. Em outras se separam. É inevitável. São linguagens diferentes. Leituras desiguais. Escritor, roteirista, diretor de filmes lêem de formas distintas. Melhor para quem usufrui dessas linguagens. Caso exemplar, O faz-tudo( The Fixer, 1966) de Bernard Malamud. De suas páginas, nasceu nas telas O Homem de Kiev. A assinatura de John Frankenheimer assegurou a realização de uma obra-prima. As atuações de Alan Bates e Dirk Bogarde deram mais intensidade à história de Malamud. Nos últimos golpes do século XIX, a crise por que vivia a Rússia era consequência do ambiente social e político pós-morte do Czar Alexandre II. Culpar a população judia foi a saída encontrada por Alexandre III. As mortes, os desaparecimentos, as prisões de inocentes compunham o cenário. No terceiro mês de 1911, a morte de uma criança cristã foi o mote para o confinamento de Iákov Bok. Passar por todas as torturas possíveis a um ser humano fez de Iákov um símbolo. Inocente, suportou até o julgamento toda a sorte de tentativas de aniquilamento físico e psicológico. Ao ser sugerido anistia, recusou-a. A um inocente, ser anistiado é como uma confissão de culpa. Suas limitações não bastaram para que fosse dobrado à força.

Humilhado ao extremo, reconstruiu seu interior e suportou a cela solitária, a condição humana amarga a que foi lançado e ao sombrio futuro que nascia diante de seus olhos quase fechados. Relato de uma época árida e injusta, o livro é de uma densidade e humanismo impressionantes. Vale cada página que é lida. Por tudo o que significa. Não por acaso recebeu os prêmios Pulitzer e National Book de 1967.

O faz-tudo

Bernard Malamud

Editora Record

398 páginas

Reprodução da capa: capturada na Internet