26.09.2016/26.09.2017

MARFER

Não tenho lembrança desse dia. É como se minha memória estivesse apagada. Porém, ao olhar a foto, fico infinitamente feliz por ter vivido esse dia.

Hoje, o primeiro ano da partida do meu irmão. Ali em cima, a esquerda de quem olha. Comigo. Há uma outra foto. O pai, que hoje completa três anos e cinco meses de ausência, está entre nós. Não encontro a foto. Esta sim, está na memória. Estão sempre juntos comigo. Até o infinito.

Na nossa adolescência, gostávamos de rock. Escutávamos em um pequeno quarto na casa da nossa avó materna – o quartinho, como chamávamos – o que tínhamos de disco. Um dia, cheguei com o Live at Leeds do The WhoFoi paixão imediata. Virou nome do “quartinho”. O destino é muitas vezes generoso. Hoje, Porto Alegre recebe pela primeira vez o The Who. Não estaremos juntos ao vivo para assisti-los. Fica, com a licença do pai, um apaixonado por tangos e milongas, um rock do Who para o meu irmão Mário, o Mariozinho como delicadamente o chamávamos.

I have no memory of that day. It’s as if my memory is out. But when I look at the photo, I am infinitely happy to have lived that day.

Today, the first year of my brother’s departure. Up there, the left of whoever looks. With me. There is another photo. The father, who is now three years and five months absent, is among us. I can not find the photo. This one is in memory. They are always with me. Until the Infinity.

In our teen years, we liked rock. We would listen in a small room in our maternal grandmother’s house – the little room, as we called it – the one we had on the record. One day, I arrived with The Who’s Live at Leeds. It was immediate passion. It became the name of the “little room”. Destiny is often generous. Today, Porto Alegre hosts The Who for the first time. We will not be together live to watch them. He gets, with his father’s permission, a lover of tangos and milongas, a Who’s rock for my brother Mario, Mariozinho as we gently called him.

Anúncios