Crônica: Meu Velho

 

 

Pai e Mar

Meu Velho

Quando tua pele escureceu por trás desse vitral, e teu corpo criava coreografias que te sustentavam entre os teus havias chegado à maturidade sem festa,

Quando o meu assovio te irritava e ganhavas mais velocidade para fugir do reflexo que fazia sobre teus olhos, eras adolescente diante de mim e o medo não tinha significado algum,

Quando todos os outros corriam em eterna disputa pelo pequeno pedaço de comida, flutuavas como folha de outono ao vento da manhã,

Quando amanhecias ainda na noite da tua casa podia te ver solitário no canto que escolhestes para ser teu como tua era a casa,

Quando eu insistia em atravessar o olhar pelas íris já brancas do teu tempo, em silêncio admirava teus movimentos e sentia queimar esse vidro esverdeado que nos separava,

Quando tua partida já estava sendo anunciada não pedistes para acelerar a ida, lutavas em teu cotidiano por mais um dia,

Quando enfim não havia mais dia algum, não renunciaste à vida, olhaste de frente o que te esperava do outro lado desse vitral, na aridez da laje fria que meus pés pisam, e que hoje perdeu suas cores e fez, Meu Velho, com que tudo ficasse mais vazio e sem sentido.

Quando agora olho a todos os outros, é a ti, Meu Velho, que minha voz chama e é por ti que meus olhos salgam as horas ausentes da tua história.

Foto: Jockey Club do RS. Hoje, 26, mais um mês da partida de meu pai e meu irmão. O pai, em abril de 2014. Meu irmão, setembro 2016. O texto tem uma história de alguns anos atrás que é a de um peixe, criado em aquário pela Inês. Ela conhece cada um e cada um tem seu nome. O Velho era um lutador. Incansável, resistiu a um voo para fora do aquário, voltou a nadar e aos poucos seu brilho se desfez. Não deixou nunca de lutar. De continuar. É em homenagem aos dois Mário que o post repousa neste Chronos.

Atahualpa Yupanqui * 23.05.1992

Don Ata

Héctor Roberto Chavero – #Juan A. de la Peña, 31.01.1908 – * Nimes (França), 23.05.1992 – desde sempre Atahualpa Yupanqui. Hoje, o vigésimo quinto ano de sua partida. Deixo aqui um texto escrito por ele e um presente que recebi deste homem que dignificou a América, o mundo, com sua voz, com sua palavra, com sua guitarra em busca da quebra da desigualdade entre os homens. Don Atahualpa Yupanqui.

Tempo do Homem

“A partícula cósmica que navega meu sangue é um mundo infinito de forças siderais. Veio a mim sob um largo caminho de milênios, quando talvez fui areia para os pés do ar. Logo fui a madeira, raiz desesperada submersa num silêncio de um deserto sem água. Depois fui caracol, quem sabe onde, e os mares me deram a primeira palavra. Depois a forma humana derramou sobre o mundo a universal bandeira do músculo e da lágrima. E cresceu a blasfêmia sobre a velha Terra, o açafrão, o “tilo”, a copla e a “piegaria”. Então vim a América para nascer um homem e em mim juntei a selva, os pampas e a montanha. Se um avô da planície galopou até meu berço, outro me disse histórias em sua flauta de “cana”. Eu não estudo as coisas, nem pretendo entende-las. As reconheço, é certo, pois antes vivi nelas. Converso com as folhas em meio dos montes e me dão suas mensagens as raízes secretas. E assim vou pelo mundo sem idade nem destino, ao amparo de um cosmos que caminha comigo. Amo a luz, o rio, o caminho e as estrelas, e floresço em violões porque fui a madeira.”

 

D.ATA

The Beatles: Eight days a week – The touring years

450beatles

O documentário dirigido por Ron Howard não cristaliza apenas as apresentações dos Beatles. Conta a história com o olhar mais amplo. A lente expande os sentidos. Para quem ainda possa imaginar que os quatro de Liverpool foram os reis do ye ye ye vai tropeçar nas cenas que a tela revela.  Howard abraça ano a ano até quase a banda se desfazer. E é através dessa passagem pelo tempo que são também feitas transformações pelo mundo, guerras sendo vividas, depoimentos pessoais que testemunham o quanto a música e o comportamento ou até mesmo apenas a presença de John, Paul, George e Ringo incidiram sobre todos que viveram aqueles tempos, quem sabe até hoje. E mostra o quanto, à época do sucesso, eram seres humanos como qualquer um de nós. Até o momento em que se inicia um processo de mudança entre eles e neles como grupo. Eternos, fica aqui o desejo que assistam, se ainda não o fizeram, The Beatles: Eight Days a Week – The Touring Years.

 

Texto: O gaucho de ferro

Chega mais um dos alentados e ricos textos do amigo Marcelo Fébula. nele, o boxe é a narrativa, tendo como protagonista Calos Monzón, nome eternizado nos ringues do mundo inteiro. Ao Marcelo o meu grande abraço de agradecimento.

Este post celebra, também, o encerramento de um ciclo do Chronosfer. A todos os que estiveram acompanhando esses passos dados – seguidores, leitores de fora do WP, colaboradores – o profundo reconhecimento de que se eles foram dados vocês foram os alicerces. Aos que não respondi indicações, desculpas.

O meu fraterno abraço.

Monzon

O Gaucho de Ferro

É muito difícil ser negro nesta sociedade. Digo-lhe eu, que era negro quando era pobre.”

Larry Holmes (campeão mundial dos Pesados 1978–1985).

Boxeadores perfeitos há muitos, cada um tem seu gosto.

Mas se você me pergunta e minha opinião conta,

para mim esse boxeador chama-se Carlos Monzón.”

Angelo Dundee.

7 de novembro de 1970, Palazzetto Dello Sport, Roma. Giovanni Benvenuti, Il Bello Nino, campeão mundial da emblemática categoria dos Médios com selo de ator, amado pelos europeus, está a procura de um lugar onde se esconder desse moreno que o persegue sem ficar impressionado com seu nome, seus títulos e sua trajetória. Tentou batê-lo, mas puxa seu tronco para trás e torna-se inatingível. Tentou resistir com a guarda fechada, mas bate como um cavalo e seus golpes doem até nas luvas. Também tentou trancar as ações, mas as regras do boxe dizem que quem tranca não bate, e então sai dessas instâncias com as costelas amolgadas. De onde veio esse cara? Se pergunta enquanto os rugidos da multidão são cada vez mais leves. O décimo segundo capítulo encontra-lhe fugindo como pode. Num momento atravessa diagonalmente o ringue trotando para trás. O moreno persegue-o, paciente, e lança um direto de direita.

Com sangue de índio mocoví correndo por suas veias, Carlos Roque Monzón nasceu em 7 de agosto de 1942 no muito humilde bairro La Flecha de San Javier, província de Santa Fe, quinto filho de Amalia Ledesma e Roque Monzón, dentro de uma desprotegida família com treze irmãos. Passa a infância em Barranquitas, uma pobríssima favela da capital da província, crescendo entre a hostilidade e a injustiça, se acostumando à tristeza, a escassez, a fome, o ódio e a miséria, constantemente ameaçado pelo terrível espectro das inundações e vivendo um presente sem futuro. Na opinião daqueles que conhecem esses lugares, o bairro pobre de Villa Fiorito onde nasceu e cresceu Diego Maradona, é um palácio em comparação. Ajudando na economia familiar, abandona os estudos no terceiro ano da escola primária e, fazendo-se aos golpes como bom filho da rua, trabalha como engraxate, leiteiro e repartidor de refrigerantes e periódicos antes de ingressar muito jovem nos ginásios de boxe para participar na liga local amador. Assim, entre o 2 de outubro de 1959 e o 12 de dezembro de 1962 arredonda um recorde amador de 73 vitórias, 8 derrotas e 6 empates. Muitos anos depois lembraria: “Quando comecei no boxe não tinha nem sequer calçado, e treinava descalço no chão de madeira até que doíam muito os pés, pelas lascas pregadas.”

Fraco, alto e deselegante, com um vocabulário de cinqüenta palavras e arrastando problemas de desnutrição, a procura de algum profissional honesto que não roubara seu dinheiro distorcendo percentagens, em 1963 conheceu a quem seria o homem mais importante de sua vida: Amílcar Brusa, um grandão de nariz achatado e olhar gélido, ex-boxeador de peso pesado com recorde curto e medíocre, que o inventou no boxe. Com ele como treinador, começou a se mover como um robô de tremenda efetividade. Mão esquerda longa (não para sondar, chegava para quebrar), direita ao lado do queixo, pronta para sair como um tiro de espingarda, passos lentos e esquive com cintura aproveitando seu metro e oitenta e dois de altura. Tudo dentro de um ritmo pouco rápido, mas implacável.

Na primeira entrevista com o treinador, Monzón calçava um par de botas de boxe roubadas do clube Unión de Santa Fe. Brusa refere sua resposta de então: “Se você quer treinar comigo, devolve as botas que não são tuas. Vamos falar dentro de alguns dias e vemos o que acontece.” Quando finalmente aceitou-lhe e o subiu ao ringue, rapidamente descobriu seu perfil: era um boxeador rápido, com golpes práticos e duros, mas ficava com o tanque de gasolina vazio depois de tirar as três primeiras mãos seguidas. “Juan Pablo Brusa, meu primo, que era bioquímico, fez uma análise. Descobriu que ele tinha apenas três milhões de glóbulos vermelhos. Aquele neguinho era bom, mas tínhamos que controlar a sua energia para que não ficasse morto depois de golpear várias vezes. Aplicamos então um procedimento russo, à base de ferro, e fomos levando-lhe.”

O grandão fez daquele moreno descontrolado uma calculadora ossuda e fulminante que ele sabia controlar: se o citava a 6 horas da manha para correr, ele chegava. Hesitante, com olheiras como bolsas ou marcas no pescoço, mas chegava. E cumpria toda ordem como um soldado. Muitos anos mais tarde o velho mestre diria: “Monzón era difícil na sua vida pessoal, mas no campo profissional, eu nunca mais tive um pugilista tão aplicado e obediente como ele.”

Fez sua estréia profissional em 6 de fevereiro de 1963, derrotando por nocaute a Ramón Montenegro, chegando a sua 15ª luta com um recorde de 10 ganhadas, 1 sem decisão e 3 perdidas (as três onde Brusa não estava em seu canto). A partir dai, constrói uma impressionante série de vitórias consecutivas. Diz José Lemos, membro do Esquadrão Brusa nos anos ‘60: “Ele entrava no ringue para lutar, não para praticar, e batia sem piedade nenhuma. Houve um tempo em que decidi escapar, porque confrontá-lo era coisa séria. Cada exercício era uma guerra, e levava essa fúria ao ringue, só que pior.”

Buenos Aires o descobre participando no torneio “Cinturão Eduardo Lausse”, concebido como uma solução para a superpopulação de bons pesos médios, televisionado direto do estádio Luna Park nas quartas-feiras à noite. Nem sequer tem o clássico roupão de pugilista, só uma esfarrapada toalha de mão sobre os ombros, e seu boxe não seduz a ninguém, mas vai ganhando todos os compromissos até o final. Em princípios do ano ‘66 conquista o título provincial da categoria médio, e em setembro do mesmo ano derrota por pontos a Jorge Fernández, arrebatando-lhe o título de Campeão Argentino Médio. Lembrando aqueles dias disse seu treinador: “Quando se tornou campeão, o jornalismo de Buenos Aires não queria apreciá-lo. Falavam maravilhas de outros boxeadores, mas dele disseram: “–O negro é bruto, vai acabar mal”. Porém, muito tempo depois ele terminou sua carreira sem nenhuma marca no rosto”.

Falando dessa luta pelo título argentino meu amigo Tito Badín contou-me um diálogo entre “Mangacha”, veterano pugilista do bairro de Nova Pompeya, Buenos Aires, e Jorge “Gallego” Fernández, pouco depois do confronto:

Gallego! Quer me dizer como caralho você perdeu o título para esse magro de merda?

O que? Ninguém vai poder vencer a esse magro. Puxa seu tronco para trás e você nunca chega a alcançá-lo, bate em teu corpo e dói, bate em teus braços e dói, bate em tua cabeça e você não tem mais cabeça.

Nesses tempos o lendário Juan Carlos “Tito” Lectoure, dono do estádio Luna Park, promotor de boxe e representante de boxeadores, sugere-lhe que ordene um pouco sua vida (tinha duas mulheres) e tente organizar uma família. Monzón, que havia se casado aos 16 anos e foi baleado nas costas por essa primeira esposa, farta de seus abusos, escolhe então a Mercedes “Pelusa” García, que além das separações seria uma grande companheira para o resto de sua vida.

Na revanche com Jorge Fernández, realizada em junho de ‘67, ganha o título sul-americano. Lectoure e Brusa confiam cegamente nele, e pouco a pouco fazem que ganhe experiência frente a bons pugilistas estrangeiros que invariavelmente são considerados “fenômenos” pelo establishment do boxe, que anseia ver derrotado a alguém tão pouco carismático. Assim, entre várias defensas de seu título continental, passam Doug Huntley, Johnny Brooks, Harold Richardson, Tom Bethea, Eddie Pace e Candy Rosa. O moreno apelidado “Escopeta” no meio local, em nenhuma destas performances consegue encher o estádio Luna Park. Suas vitórias inegavelmente tinham impacto sobre os fãs, mas era uma mistura de assombro e desdém pelo estilo sem brilho, monótono e repetido. Sem grandes perícias técnicas, aquele homem havia sido moldado para a demolição, e não mobilizava as pessoas. Mas a velha raposa Tito Lectoure transformou essa aparente desvantagem na chave para negociar com inteligência e acessar a uma chance pelo título mundial frente ao italiano Nino Benvenuti, figura extraordinária do boxe europeu, Campeão Olímpico, galã, ídolo carismático e estrela dos western spaghetti nos sets de filmagem de Cinecittá. Naquela época geriam o boxe mundial só duas entidades, os campeões eram verdadeiros campeões, e para disputar uma coroa mundial era necessário ter muito ringue, muita influência e paciência. Nesse contexto, o santafesino parecia uma presa fácil.

Uma magríssima delegação chega até o aeroporto internacional de Fiumicino, onde há apenas um par de argentinos do corpo diplomático para receber a quem os italianos tinham identificado apenas como “um índio do sul”, sem chances de vencer o campeão. Talvez o título mundial começou a mudar de mãos durante a cerimônia da pesagem. Contou Nino: “–Cheguei exultante, cumprimentei a todos, tirei fotos. Num canto estava Monzón, sério, em silêncio. Parecia assustado, assim que o surpreendi com uma tapinha amistosa nas nádegas. –Ei! Como você está, bambino? Se virou e pregou sobre mim seu olhar de gelo. –Vou te matar –me disse. Senti um frio no estômago. Nunca havia me acontecido algo assim.”

O angélico Carlitos subiu ao ringue com roupão branco e vermelho e calças pretas e vermelhas, cores de Unión e Colón respectivamente, os times de futebol mais importantes da cidade de Santa Fe (ele era fã de Colón, mas treinava no clube Unión). Foi dominando as ações com autoridade crescente até que antes do início do 12º round Brusa indicou-lhe: “–Carlos, esse homem não tem mais nada, acabe com ele.” Monzón terminou o combate com uma direita que balançou Roma. Assim se proclamou Campeão Mundial dos Médios da Associação Mundial e do Conselho Mundial de Boxe. A formidável definição ficaria como um símbolo do boxe argentino. Disse o jornalista Horacio Pagani: “Foi como uma explosão inesperada de um homem frugal, retraído, desconfiado, entre insolente e arrogante, adiado pelas necessidades de uma infância de privações, que havia acumulado no punho direito toda a vergonha, ressentimento e fome de glória que podiam dar-lhe sua única revanche possível na vida. E foi Benvenuti quem pagou o preço de tal fúria.”

Sua terra de Santa Fe o recebeu como um ídolo, mas já silenciada a comoção pela vitória, Buenos Aires não reconhecia completamente o valor do novo rei dos médios. Em sua luta no Luna Park frente a Charlie Austin, sem o título em jogo, outra vez não chegou a encher o estádio, enquanto a mídia não especializada em esporte criticava duramente a nova figura pública por seu pobre vocabulário e ainda zombava de sua forma de expressão. No ano seguinte viaja para Montecarlo e disputa a revanche com o ex-campeão italiano. Benvenuti, ferido em sua honra, havia colocado fotos do rival na sua casa e no ginásio onde treinava. Mas talvez o único que logrou foi ficar paralisado pelo terror, já que o esperado confronto quase não existiu: passaram apenas três rounds até que sua própria gente fez voar a toalha do abandono para evitar o agravamento do castigo. A partir dessa vitória foram um clássico de Buenos Aires as tardes de sábado com a cidade deserta pelas lutas de Monzón, um ritual obrigatório e popular.

Faz sua primeira defesa do título em casa em Setembro de ‘71, enfrentando o difícil e muito experiente Emile Griffith, ex-campeão do mundo. Um dos melhores adversários que apresenta a categoria no round 14º se abaixa e deixa cair os braços em um canto do ringue, completamente exausto, enquanto o árbitro decreta o nocaute técnico. O “Luna”, símbolo do boxe argentino desde princípios de século, finalmente começa a dedicar algumas de suas melhores ovações ao magro de Santa Fe.

Em 1972 faz quatro defesas de seu título. Supera em Roma a Denny Moyer por nocaute no 5º round, em Paris a Jean Claude Bouttier por abandono no 13º, em Copenhagen a Tom Bogs por nocaute no 5º e ao granítico Benny Briscoe por pontos em Buenos Aires. Nesta luta, o norte-americano colocou-lhe à beira do nocaute. Foram segundos de comoção no estádio enquanto o campeão atordoado tentava focar os olhos no relógio. Lembrando aquele momento contava: “Vi dois Briscoe. Felizmente, quando fui a trancar as ações, segurei ao real.”

Em ‘73 retorna para Montecarlo, onde em uma revanche muito dura e equilibrada vence por pontos a Emile Grittith. Dizem que nesta luta seu velho mestre tratou-lhe com uma violência verbal incomum, mandando-o para jogar o resto no round final, porque nesse momento ficava atrás de seu rival nos cartões dos juízes do combate. Monzón saiu determinado, puxou muitos golpes, ganhou claramente o round e voltou a seu canto dizendo “ganhamos”. Mas Brusa havia-lhe enganado, porque o que havia terminado era o penúltimo round…

Sete meses depois vence novamente ao francês Bouttier, que anuncia sua aposentadoria, por pontos. Depois dos confrontos com Bouttier o Dr. Paladino, que o atendeu ao longo de sua carreira, deu-lhe um conselho: “Carlos, se você ficou rico vendendo laranjas, continua vendendo laranjas. Se sai a vender limões, pode encontrar gente mais capacitada que você.” Sábias palavras. Monzón tinha cometido o erro de aceitar o estilo de luta de rua, em curta distância, proposto pelo guerreiro francês. Também ganhou nesse campo, mas correndo riscos desnecessários.

Por esses tempos em Europa já lhe tinham dado um novo apelido: agora era “O Gaucho de Ferro”, que estava destruindo a categoria dos médios com suas mãos temíveis, embora também frágeis. Produto da desnutrição infantil, a dor de ossos era uma constante, e estoicamente suportava as infiltrações a que era submetido às vésperas de suas lutas. Em uma delas, sem poder contar com a substância adequada, veio a resolver o problema um personagem que casualmente ficava no velho continente: Juan Carlos “Toto” Lorenzo, treinador de futebol que alguma coisa sabia do tema.

A elogiada bravura do campeão mundial dos Médios não se esgotava em suportar uma e outra vez a dor e essas torturas em forma de agulhas. Um de seus três únicos combates perdidos no campo profissional ocorreu no Brasil, quando lutou mal treinado, só para resolver emergências econômicas. Poucos dias antes desse compromisso, viajando de ônibus, um grupo de rapazes fez comentários desrespeitosos para sua esposa. Monzón convidou a eles a pelejar. Detalhe: eram oito. Deixou a todos no chão, mas acabou na prisão, e quando seu treinador Brusa interveio para tirá-lo da gaiola, o comissário recomendou “Que não volte para Santa Fe por um longo tempo.” Conta o jornalista Ernesto Cherquis Bialo que uma noite em Maracay, Venezuela, saindo de um restaurante com Tito Lectoure e Monzón depois do combate Locche-Kid Pambelé, um carro de repente cruzou-lhes na calçada, bloqueando seu caminho. “Desceram quatro homens armados e provocaram-lhe: –Você tem medo ao Mantequilla Nápoles, argentino covarde! Monzón caminhou com passo firme em direção a eles, e abrindo sua camisa disse: –Atirem! Mas apontem bem, porque se chego ai vou matá-los a todos! Os homens entraram no carro e fugiram.”

Em fevereiro do ‘74 chega a Paris para confrontar a quem, na opinião de muitos, era o homem que terminaria com seu reinado: o cubano José Angel “Mantequilla” Nápoles, um grande campeão mundial de notável técnica que se atreve a subir duas categorias para desafiá-lo. Caminho do ringue, uma rancheira mexicana acompanhou ao desafiante, e os acordes do tango “Silêncio” ao campeão.

Horas depois da luta, o treinador de Nápoles, Angelo Dundee (mestre de Muhammad Ali), disse ao Amílcar Brusa: “–Ah Brusita, Brusita, teu neguinho é muito bom, muito bom de verdade. Bate quando vai para frente e bate quando vai para trás. Se eu não retiro ao meu, ele matava-o, Brusita.” O combate durou sete rounds, mas o treinador do argentino teve as coisas claras muito antes do início: “Pedi-lhe ao Alain Delon para me conseguir um filme de alguma apresentação do cubano. Vi o vídeo e imediatamente compreendi como era o assunto. Falei com Monzón: –Carlos, ele é bom, mas quando tu coloque tua mão assim, a mão dele vai ficar aqui. ¿Entendeu? Com o alcance que tinha, os golpes de Mantequilla ficariam a metade do caminho, era impossível que ele pudesse pegá-lo.” Nesta luta, por um problema relacionado com o teste de drogas, o Conselho Mundial do Boxe desconhece-lhe como campeão, e o escritor Julio Cortázar (grande admirador do boxe) escreveu seu conto “A noite de Mantequilla”, obra onde faz uma comparação entre Monzón e um salgueiro oscilante, pela maneira em que o campeão esquivava os golpes do rival.

Nesse ponto da história, campeão respeitado em todo o mundo, já haviam começado a cair pela sua cabeça a fama, o dinheiro, a amizade com celebridades como Alain Delon ou Jean Paul Belmondo, e as incursões em filmes. No set da película “La Mary” começa uma relação com Susana Giménez, símbolo sexual dos anos ‘70, e separa-se de sua esposa. Em pouco tempo passa de índio asceta a ícone sexual cuja fama de macho se instala tanto no jet-set europeu como entre as celebridades locais.

Na seguinte defesa de sua coroa, em Buenos Aires, vence a Tony Mundine, um australiano que corajosamente saiu a propor batalha desde o mesmo início e caiu por nocaute no 7º round. Monzón tinha construído seu reinado na Europa e carregava uma conta pendente: lutar no centro mundial do boxe, Estados Unidos. Sobre esta questão, alguns argumentam que foi uma estratégia muito boa de Lectoure consolidá-lo no meio europeu antes de enfrentar compromissos em EUA. Outros dizem que, de fato, a categoria Médio não tinha grandes nomes entre os norte-americanos. Os que presenteava (Griffith, Briscoe, Moyer), já haviam sido vencidos por Monzón, enquanto outros como Vito Antuofermo ou Tony Licata esperavam sua oportunidade. Uma terceira versão diz que a verdadeira causa da ausência de Monzón nos ringues de EUA era um contrato entre Lectoure e o promotor europeu Rodolfo Sabatini, contrato que finalmente terminaria provocando a irritação e subseqüente exílio de Brusa alguns anos mais tarde.

Finalmente, em junho do ‘75, o santafesino chega ao mítico Madison Square Garden de Nova York (nesses tempos não existia Las Vegas como o máximo cenário do boxe mundial). Ai espera Tony Licata, pronto para assumir o grande sucesso desde seu recorde de 49 vitórias, 3 empates e 1 derrota. Mas o moreno com olhar de tubarão não se impressiona com o Madison e impõe condições desde o primeiro round. Fiel a sua costume, nos descansos não senta, apenas apóia os braços nas cordas, toma um pouco de água e retorna para a demolição. No final a luta resulta uma surra. Monzón mantém seu título por nocaute técnico no 10º round.

Em dezembro do mesmo ano, em Paris, com uma mão direita descendente no limite das regras (detrás da parte baixa da orelha) vence ao francês Gratien Tonna. Alguma vez escutei a Ernesto Cherquis Bialo comentar: “Qualquer outro certamente haveria ampliado sua vitória nos comentários posteriores. Mas Monzón não era assim, a primeira coisa que ele disse quando perguntamos sobre a luta foi: –Este foi para o chão sozinho.”

Em junho de ‘76, em luta de unificação, enfrenta em Montecarlo a Rodrigo Valdez, um dos grandes orgulhos do boxe colombiano, campeão médio do Conselho Mundial de Boxe. O encontro é duríssimo e termina de se inclinar a favor de Monzón no round 14º, quando conecta uma impecável direita em retrocesso sobre o queixo do desafiante, a quem esquiva como um toureiro quando cai sobre as cordas. O campeão argentino já é um lutador veterano e ao mesmo tempo um homem jovem cansado das privações resultantes da sua profissão. Brusa, o velho guru de seu canto, sempre foi um filtro para tudo, até para as atrizes européias e outras mulheres ansiosas para conhecer ao campeão da longa fama. Mas seu papel de guardiã não houvesse sido tão eficaz sem a responsabilidade de seu protegido, quem três meses antes de um compromisso era capaz de cortar estritamente seus muitos desarranjos, incluindo o tabagismo de 30 cigarros por dia.

A revanche com “Rocky” Valdez tem lugar um ano mais tarde, também em Montecarlo, e é ainda mais difícil do que a primeira luta. Por esse tempo os problemas de relação com Lectoure chegaram a um limite e o promotor, embora presente no estádio, já não ocupa um lugar em seu canto. Aqui, pela primeira vez em seu reinado Monzón visita a tela, no segundo round, por um golpe que também provoca-lhe um corte no nariz. Nesse momento muitos lembraram alarmados o final da campanha de Nino Benvenuti, um grande campeão batendo contra a parede na última fase de sua carreira. Contou o periodista Horacio García Blanco: “Enquanto se incorporava colocando os punhos no chão disse: –Negro de merda, agora me levanto e vou te cagar a socos.” A coisa foi sumamente difícil até o final. O campeão ficava pelo menos dois pontos abaixo nos cartões até o oitavo round, mas encenou uma grande recuperação a partir do nono, com um décimo onde o desafiante conseguiu ficar em pé por milagre depois de receber uma enorme quantidade de golpes em sua linha alta. Ganhando também o décimo primeiro capítulo, chega ao final com uma vantagem muito estreita a seu favor e lesões ósseas em uma mão e um antebraço. Terminado o combate, grato, chama a Tito Lectoure na beira do ringue e diz em seu ouvido: “Esta foi minha última luta, Tito. Não quero mais.” Já nos vestiários, quando se olhou no espelho com o rosto ferido, disse para si mesmo, como reafirmando a decisão: “Ninguém bate ao Monzón”. E tempo depois reflexionou: “O golpe que te derruba é aquele que tu não vê chegar. Eu vi chegar aquele golpe de Valdez, porém não poderia esquivar-lhe”.

Em uma festa de gala no Hotel Sheraton em Buenos Aires, quase um mês depois anuncia oficialmente seu retiro do boxe, aos 35 anos, com um recorde profissional de 87 lutas ganhadas (59 nocautes), 9 empatadas, 3 perdidas e 1 sem decisão. Aquele disparo de espingarda que colapsou Roma havia inaugurado uma história fabulosa de 14 defesas exitosas do título mundial do peso Médio (esta marca seria ultrapassada só em 2002 pelo Bernard Hopkins), em um reinado que durou 6 anos e 10 meses e colocou-o para sempre entre os melhores boxeadores da história.

Dom Amílcar Brusa lembrou em uma reportagem: “Um dia, Carlos me liga e diz que lhe ofereciam três milhões de dólares para lutar com Marvin Hagler. Haviam passado dois anos desde sua aposentadoria, mais ou menos. O que respondi? Que não devia fazer isso. Ele estava acostumado a uma vida diferente, a uma boa janta, a sair a beber uns copos com boa companhia e depois passar a noite com ela. –Carlos, se tu vai fazer o esforço de acordar cedo para correr depois do que tu esta fazendo de tua vida, eu vou te seguir. Mas não vai poder.” Poucos dias depois meu telefone de casa toca. Era ele. “–Amílcar, você está certo. Fui para o ginásio e doem-me até os cabelos.”

Teve pouco em comum com outras grandes figuras do boxe argentino. Se Víctor Galíndez fugia do ginásio para vestir uma camisa florida, beber galões de refrigerante, passear em um carro último modelo e ir para a cama com vedetes, ele sempre colocou sua capacidade atlética sobre qualquer vício enquanto foi profissional. Se Nicolino Locche parecia sentir pena de alguns rivais encostando-se ao costado lúdico do boxe, ele levou a gelada efetividade ao limite sem se preocupar pela estética. Se Miguel Angel Castellini atravessava sua carreira entre conflitos e pensativo, ele nunca deixou de soltar raios e faíscas de seus olhos de menino com fome antes de entrar em batalha para derrubar a quem ficasse a frente. Não tinha a aura gloriosa de Pascual Pérez, o palavreado tórrido de Oscar Bonavena ou o desejo de se educar de Sergio Palma, e muito menos a vocação para o desperdício de José María Gatica ou a simpatia de Justo Suárez (Julio Ernesto Vila: Não foi um ídolo para mim, eu não posso imaginar ídolos sem sorriso). Pareceu ficar cada vez mais longe da clássica elipse de um boxeador, muitas vezes começando e terminando na pobreza e o esquecimento, porque apenas conhecido o sucesso colocou seu dinheiro seguro, comprou campos e começou a colecionar mulheres bonitas sem descuidar sua carreira. Mas se pareceu que ficava longe dessa elipse clássica, finalmente não poderia fugir dela.

Depois da aposentadoria, passaram anos em que tentou distintos negócios e treinou alguns boxeadores. Gastava muito tempo em um bar, com amigos, e ficava muito tempo simplesmente sem fazer nada, como contou em vários relatórios. Já ficava longe da glória esportiva, mas ela havia-lhe deixado vários amigos da noite. Disse Julio Ernesto Vila: “Seu problema era esperar a uma da manha para se encontrar com determinadas pessoas, porque estava bêbado desde as dez da noite. Então, no ambiente artístico disseram-lhe: toma uma ou duas linhas e vai agüentar.” As duras conseqüências da desnutrição infantil são irreversíveis, e Monzón as sofreu não só na fragilidade dos seus ossos, também em sua relação terrível com o álcool. Não por acaso geralmente têm embriaguez violenta aqueles que sofreram fome. Neles, o cérebro não reage como em uma pessoa bem nutrida.

Em 1988 sua vida muda abruptamente: é acusado de assassinar a sua terceira esposa, a atriz Alicia Muñiz, que morre pelos ferimentos recebidos quando cai da varanda da casa que o casal ocupava na cidade de Mar del Plata, depois de uma noite de álcool e uma briga. Em um julgamento tingido politicamente e com grande cobertura da mídia, é declarad0 culpado e recebe uma condenação de onze anos de prisão por homicídio simples. Seus exegetas amigos, sem saber separar os tópicos, fizeram do assassinato um detalhe menor, quase uma anedota na vida do campeão. Falaram sobre uma campanha injusta da mídia, de uma juíza com inclinações feministas ávida de notoriedade, de um julgamento sem testemunhas e de um erro na caracterização do delito (homicídio doloso em lugar de homicídio culposo). É verdade que no meio do julgamento muitos hipócritas líderes de opinião trabalharam turvando o campo com frases como justiça para todos, ou que as celebridades não sejam impunes, quando bem sabemos que nestas terras os verdadeiramente impunes são sempre os poderosos. Também é verdade que uma vez acontecida a tragédia muitas pessoas lutaram para fugir do caído em desgraça e até mesmo pisotear o que restava dele. Mas não se pode esconder o fato concreto: quem não poderia viver fora das leis do ringue, talvez sem intenção de matar, tinha batido a sua esposa fazendo-lhe cair no vácuo e causando sua morte.

Como a fama é besteira, soube-se que no devido tempo as boas pessoas removeriam sua relação com ele como calça com piolhos. Ficou na sombra, sozinho, esquecido e negado por muitos que o haviam tratado e utilizado, de acordo com as regras básicas do sucesso. Contam que chorava como um menino quando entre jornalistas amarelos e muitos outros escuros personagens chegavam até a prisão para visitá-lo gente do boxe, como o periodista Ulises Barrera, seu velho patrão Tito Lectoure ou seu querido mestre Amílcar Brusa. Do mesmo lado da balança também recebia no lugar de reclusão famosos amigos europeus, celebridades internacionais e parte da família. Como em termos de prisão não havia pagado um preço excessivamente alto, tinha planos para, uma vez liberado, viajar para França e organizar boxe junto a Alain Delon e Jean Claude Bouttier com boxeadores que seu velho amigo Lemos lhe enviaria desde Argentina.

Quando completava cinco anos de condenação e faltando seis meses para ser livre, retornando a prisão depois de uma de suas licenças de saída periódicas por bom comportamento, no domingo 8 de janeiro de 1995 encontrou a morte enquanto dirigia um carro na paragem Los Cerrillos da rota provincial 1 da província de Santa Fe. O carro voou mais de 10 metros e bateu contra uma árvore. No acidente também morreu um amigo da infância e sobreviveu sua cunhada, quem tempo depois contou que a origem da tragédia se deu no momento em que Monzón tentou sintonizar um jogo de futebol de seu time Colón na rádio. Quando encontraram seu corpo a 50 metros do veículo no meio do campo, olhando para o céu, faltavam o relógio Rolex Presidente e o crucifixo de ouro que sempre lhe acompanhavam.

É notável a estranha sedução que exercia sobre os rivais e as mulheres. Nino Benvenuti e Jean Claude Bouttier o admiravam e se consideravam seus amigos, e tanto a diva local Susana Giménez como outras mulheres gostosas de expor suas vidas publicamente guardam grandes memórias de um homem as vezes violento mas com notáveis performances sobre uma cama. José Lemos lembra: “Nos relacionamos desde os doze anos, e nunca mais ficamos separados. Só conhecendo-lhe você podia entendê-lo.” Don Amílcar Brusa, fazedor de campeões, nunca admitiu controvérsias respeito de seus boxeadores: “Monzón. O mais grande. Não houve ninguém como ele e não haverá. O melhor de todos.” O excelente jornalista de boxe Julio Ernesto Vila foi um de seus bons amigos além de mil discussões e longas temporadas sem falar. Longe do sentimentalismo, lembra-se dele como um tipo duro, agressivo, e reclama que muitos não mencionam o estado de álcool que teve no momento de seu acidente fatal. “Sobreviveu ao que sobrevivem os pobres. Viveu com as regras do ringue, mas acho que não queria matar. Era pateta, mas nobre, gostava da família. Pelusa, a mãe de três de seus filhos, foi a segunda pessoa mais importante em sua vida (…) Eu sabia que não ia morrer na cama. Todos seus erros foram originados no álcool, que finalmente o destruiu.”

Definindo de uma vez a grandeza do mais importante boxeador argentino da história e seu escuro perfil humano, Osvaldo Soriano escreveu: “Parecia o Golem da lenda medieval: um boneco a meio terminar que perseguia a sua vítima até a exaustão e a demolição. Plantava-se no centro do ringue, olhava como uma besta e o outro, pobrezinho, já não podia sair correndo. (…) Mistura de dobermann e antropóide, era como um moedor de carne, um ralador de queijo, um liquidificador, alguma coisa assim. (…) Hoje é morto, e apesar de haver sido um ídolo, não acompanham-lhe ao longo viagem a simpatia dos deuses e o calor das estrelas”.

Marcelo Fébula

Revisão do texto e tradução: Maria Irene Soares de Freitas

Turfe: As primeiras vitórias clássicas

Rio Volga 1

Para os que estão chegando aqui, para os que passam e seguem o seu caminho: todos os dias 26 de cada mês este espaço é dedicado à preservação da história do meu pai, que partiu em 26 de abril de 2014. Uma trajetória de vitórias e derrotas, sobretudo de muitas vidas em cada uma delas, e que hoje, mais um dia 26 repleto de saudade, ocupa o branco da tela com suas primeiras provas clássicas disputadas.

1948

Nos anos quarenta do século passado, os programas realizados no saudoso e carismático pradinho dos Moinhos de Vento se resumia a duas reuniões: sábados e domingos. Às vezes, apenas aos domingos. E a equipe de jóqueis da época era dos melhores do Brasil. Pouco tempo depois de deixar para trás a categoria de aprendiz, Mário Rossano passou a frequentar o programa oficial, incluindo as provas clássicas. Em 1948, poucos dias antes de completar 17 anos, sob a monta do uruguaio Ibagé, no Prêmio Consolação, tradicional clássicos disputados entre os perdedores dos GPs Protetora do Turfe e Bento Gonçalves, conduziu o alazão ao vencedor, chegando à frente de nomes consagrados como o “Gigante” Ganganelli Cunha, Eldi Rocha, Leonel Pereira e Francisco Xavier. O filho de Socorro em Mala Racha, de propriedade do Stud Cruz de Lorena, do Dr. Augusto Maria Sisson, percorreu a distância de 2.500 metros em 166s e 3/5.

1949

No ano seguinte, 1949, o calendário turfístico marcava para maio o Prêmio Assembleia Legislativa. Assumiu o compromisso com o tordilho Albornoz, também do Stud Cruz de Lorena. os 1.500 metros foram vencidos em final apertado, justo e revelava o talento de um jovem promissor com seus 17 anos completados. A vitória sobre os mestres Armando Rosa, Dario Moreira – que foram sucesso no Rio de janeiro, no Hipódromo da Gávea – Ganganelli Cunha, o jovem Armando Reyna e Eldi Rocha marcou definitivamente o seu nome entre os grandes de Porto Alegre. O resultado foi que mais adiante, no início dos anos 50, foi para a Gávea, disputou grandes prêmios, retornou, venceu estatística em Porto Alegre e seguiu sua trajetória. Uma história feita com vitórias e derrotas e, sobretudo, com ensinamentos.