Fotografia: Praga, apenas olhar II (Prague, just look II)

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Fotos: Chronosfer. A arquitetura dialoga. Revela o que fomos, quem somos, o que poderemos ser. Em qualquer lugar. Ela questiona e responde. O seu silêncio é a sua espera por nós.

Architecture dialogues. It reveals what we were, who we are, what we can be. Anywhere. She questions and responds. Your silence is your waiting for us.

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Fotografia: Sempre ele, o meu amigo de todas as manhãs (Always him, my friend every morning)

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como não acreditar na vida? em um mundo melhor? suas visitas já são rotina em minhas manhãs. ele chega em seu galho, olha para a minha janela, canta e se lança em seu voo.

how can we not believe in life? in a better world? your visits are already routine in my mornings. arrives at his branch, looks at my window, sings and launches in his flight.

Fotos: Chronosfer.

Crônica: Meu Velho

 

 

Pai e Mar

Meu Velho

Quando tua pele escureceu por trás desse vitral, e teu corpo criava coreografias que te sustentavam entre os teus havias chegado à maturidade sem festa,

Quando o meu assovio te irritava e ganhavas mais velocidade para fugir do reflexo que fazia sobre teus olhos, eras adolescente diante de mim e o medo não tinha significado algum,

Quando todos os outros corriam em eterna disputa pelo pequeno pedaço de comida, flutuavas como folha de outono ao vento da manhã,

Quando amanhecias ainda na noite da tua casa podia te ver solitário no canto que escolhestes para ser teu como tua era a casa,

Quando eu insistia em atravessar o olhar pelas íris já brancas do teu tempo, em silêncio admirava teus movimentos e sentia queimar esse vidro esverdeado que nos separava,

Quando tua partida já estava sendo anunciada não pedistes para acelerar a ida, lutavas em teu cotidiano por mais um dia,

Quando enfim não havia mais dia algum, não renunciaste à vida, olhaste de frente o que te esperava do outro lado desse vitral, na aridez da laje fria que meus pés pisam, e que hoje perdeu suas cores e fez, Meu Velho, com que tudo ficasse mais vazio e sem sentido.

Quando agora olho a todos os outros, é a ti, Meu Velho, que minha voz chama e é por ti que meus olhos salgam as horas ausentes da tua história.

Foto: Jockey Club do RS. Hoje, 26, mais um mês da partida de meu pai e meu irmão. O pai, em abril de 2014. Meu irmão, setembro 2016. O texto tem uma história de alguns anos atrás que é a de um peixe, criado em aquário pela Inês. Ela conhece cada um e cada um tem seu nome. O Velho era um lutador. Incansável, resistiu a um voo para fora do aquário, voltou a nadar e aos poucos seu brilho se desfez. Não deixou nunca de lutar. De continuar. É em homenagem aos dois Mário que o post repousa neste Chronos.

Atahualpa Yupanqui * 23.05.1992

Don Ata

Héctor Roberto Chavero – #Juan A. de la Peña, 31.01.1908 – * Nimes (França), 23.05.1992 – desde sempre Atahualpa Yupanqui. Hoje, o vigésimo quinto ano de sua partida. Deixo aqui um texto escrito por ele e um presente que recebi deste homem que dignificou a América, o mundo, com sua voz, com sua palavra, com sua guitarra em busca da quebra da desigualdade entre os homens. Don Atahualpa Yupanqui.

Tempo do Homem

“A partícula cósmica que navega meu sangue é um mundo infinito de forças siderais. Veio a mim sob um largo caminho de milênios, quando talvez fui areia para os pés do ar. Logo fui a madeira, raiz desesperada submersa num silêncio de um deserto sem água. Depois fui caracol, quem sabe onde, e os mares me deram a primeira palavra. Depois a forma humana derramou sobre o mundo a universal bandeira do músculo e da lágrima. E cresceu a blasfêmia sobre a velha Terra, o açafrão, o “tilo”, a copla e a “piegaria”. Então vim a América para nascer um homem e em mim juntei a selva, os pampas e a montanha. Se um avô da planície galopou até meu berço, outro me disse histórias em sua flauta de “cana”. Eu não estudo as coisas, nem pretendo entende-las. As reconheço, é certo, pois antes vivi nelas. Converso com as folhas em meio dos montes e me dão suas mensagens as raízes secretas. E assim vou pelo mundo sem idade nem destino, ao amparo de um cosmos que caminha comigo. Amo a luz, o rio, o caminho e as estrelas, e floresço em violões porque fui a madeira.”

 

D.ATA

The Beatles: Eight days a week – The touring years

450beatles

O documentário dirigido por Ron Howard não cristaliza apenas as apresentações dos Beatles. Conta a história com o olhar mais amplo. A lente expande os sentidos. Para quem ainda possa imaginar que os quatro de Liverpool foram os reis do ye ye ye vai tropeçar nas cenas que a tela revela.  Howard abraça ano a ano até quase a banda se desfazer. E é através dessa passagem pelo tempo que são também feitas transformações pelo mundo, guerras sendo vividas, depoimentos pessoais que testemunham o quanto a música e o comportamento ou até mesmo apenas a presença de John, Paul, George e Ringo incidiram sobre todos que viveram aqueles tempos, quem sabe até hoje. E mostra o quanto, à época do sucesso, eram seres humanos como qualquer um de nós. Até o momento em que se inicia um processo de mudança entre eles e neles como grupo. Eternos, fica aqui o desejo que assistam, se ainda não o fizeram, The Beatles: Eight Days a Week – The Touring Years.