Fotografia: História dentro do reflexo (History within the reflection)

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CETE

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Fotos: Chronosfer. O espelho dos vidros e o dos olhos revelam muito mais que imagens invertidas ou distantes. Pode ser o presente distorcido, a realidade, pode ser o passado em um colorido cansado. Pode ser o olhar reflexivo para um ponto qualquer do hoje. Pode ser a frágil defesa de um pássaro escondido em um sino. A vida vai além do reflexo. Ele apenas mostra o necessário.

The glass mirror and the eye mirror reveal much more than inverted or distant images. Can be distorted gift, reality, can be the past in a colorful tired. It can be the reflective look to any point of today. It may be the fragile defense of a bird hidden in a bell. Life goes beyond reflection. It just shows what is needed.

A terceira foto já foi publicada antes. The third photo has been published before.

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Fotografia: Amanhecer em contraluz (Dawn in backlight)

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Fotos: Chronosfer. O amanhecer acorda todos os dias, despertado pela noite quando esta parte para o outro lado do mundo. Há nele, tons diversos. Cores que se abrem, ou dias nublados, onde o fundo é um contaluz surpreendente. Assim foi com o pássaro distante. A lente, pouco desfocada, pouco ajustada, encontrou seus movimentos. Doces, como seu canto, e coreográficos para o novo o dia. Também o nosso dia. Os olhos agradecem.

The dawn wakes up every day, awakened at night when this part to the other side of the world. There are several tones in it. Colors that open, or cloudy days, where the background is an amazing contaluz. So it was with the distant bird. The lens, slightly blurred, slightly adjusted, met its movements. Sweets, like your singing, and choreographed to the new the day. Also our day. The eyes thank you.

Ficção: Don Antonio (Fiction: Don Antonio)

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Havia esquecido as horas. O lugar exato está em algum lugar da memória. Ela já começara a anunciar sua despedida desde o dia em que o reflexo no espelho começou a ser diferente todas as manhãs. Muito tempo por aqui, dizia. A voz rouca, quase sem poder ser ouvida, ainda articula poucas palavras. O cansaço acompanha o olhar velho, ressequido, sem cor. O cheiro da terra molhada nos dias de chuva e os olhos no horizonte ao anoitecer, quando as raras lâmpadas da casa são acesas, encobrem a tristeza, o medo e as sombras dos noventa anos sobreviventes do sol. As retinas azuladas confessam os fragmentos reconstruídos, os mesmos que deixaram os fantasmas de Maria para trás. Os mesmos que trazem Ponta Delgada e a Ilha de São Miguel sem pressa, quase sem querer para este outro que ele é hoje. Este estranho que ainda vive somente com os músculos da dor e do vazio. Este outro que se perde dentro de um corpo cujo peso dos ossos mostra sua cota de vida.

Muito tempo por aqui – repete – muito tempo. Sorri o riso entristecido de quem não vivera todo o fogo do instinto. Mastiga o fumo e com o hálito quente volta ao silêncio. Seus passos se afastam da janela, quando, lenta, a noite começa seu turno diário e em um único tempo, vindas da galáxia, as estrelas surgem acima de sua cabeça. A madeira queima no fogão e ele, com seus pulsos fracos, toca a cama. A solidão é um sonho marcado em alguma página do livro que fica no chão.

As horas param pouco antes de o sol nascer.

 

He had forgotten the time. The exact place is somewhere in the memory. She had already begun to announce her farewell since the day when the reflection in the mirror began to be different every morning. Long time here, he said. The hoarse voice, barely audible, still articulates few words. The weariness accompanies the old, dry, colorless look. The scent of wet earth on rainy days and eyes on the horizon at dusk, when the house’s rare lamps are lit, mask the sadness, fear, and shadows of the ninety years of the sun. The blue retinas confess the reconstructed fragments, the same ones that left the ghosts of Mary behind. The same ones that bring Ponta Delgada and the Island of São Miguel without hurry, almost unintentionally for this other that it is today. This stranger still lives only with the muscles of pain and emptiness. This other that is lost within a body whose weight of the bones shows its quota of life.

Long time around here, he repeats, a long time. I smiled the sad laugh of someone who had not lived all the fire of instinct. He chews on the smoke and with his warm breath returns to silence. His steps move away from the window, when, slowly, the night begins its daily shift and in a single time, coming from the galaxy, the stars rise above his head. The wood burns on the stove and he, with his weak wrists, touches the bed. Loneliness is a dream marked on some page of the book lying on the floor.

The hours stop just before the sun rises.

Publicado pela Revista Magma, nº 7, 2008 – Lajes de Pico, Açores, Portugal.
Foto: Chronosfer. Buenos Aires, Argentina.

Fotografia: O tempo pelos olhos (The time for the eyes)

O Sandro –Panografias – é daqueles amigos em que a gente senta para um café, tira o relógio do pulso e o mar recebe os rios de palavras que falamos. Dia desses, pediu uma fotografia. Uma fotografia! Não sabia ao certo qual, talvez ainda não saiba. Sua generosidade e talento com a escrita e a música abrem muitos caminhos. Então, um dia na Feira do Livro, que está acontecendo em Porto Alegre, vi um lambe-lambe e sua máquina de fotografar “séculos”. Olhei e pensei: pelo visor a história de muitas pessoas, de muitos lugares da cidade passaram por ali. Os olhos testemunharam essa passagem do tempo. o Sandro e sua poesia vão criar uma nova história. Obrigado, amigo Sandro.

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Sandro –Panografias – is one of those friends where we sit for a coffee, take the clock off the wrist and the sea receives the rivers of words we speak. Just the other day, he asked for a photograph. A photography! I was not sure which, maybe I do not know yet. His generosity and talent with writing and music open many avenues. So one day at the Book Fair in Porto Alegre, which is happening, I saw a lick-lick and his “centuries-old” camera. I looked and thought: on the display the story of many people, many places in the city passed by. The eyes witnessed this passage of time. Sandro and his poetry will create a new story. Thank you, friend Sandro.

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Acima, uma visão geral do fotógrafo, sua máquina, as reproduções em um dos lados, e o tempo registrado. O nosso tempo. O que fomos. O que somos.

Above, an overview of the photographer, his machine, the reproductions on one side, and the time recorded. Our time. What we did. What we are.

Fotos: Chronosfer.

Fotografia: Praga, apenas olhar II (Prague, just look II)

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Fotos: Chronosfer. A arquitetura dialoga. Revela o que fomos, quem somos, o que poderemos ser. Em qualquer lugar. Ela questiona e responde. O seu silêncio é a sua espera por nós.

Architecture dialogues. It reveals what we were, who we are, what we can be. Anywhere. She questions and responds. Your silence is your waiting for us.

Fotografia: Sempre ele, o meu amigo de todas as manhãs (Always him, my friend every morning)

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como não acreditar na vida? em um mundo melhor? suas visitas já são rotina em minhas manhãs. ele chega em seu galho, olha para a minha janela, canta e se lança em seu voo.

how can we not believe in life? in a better world? your visits are already routine in my mornings. arrives at his branch, looks at my window, sings and launches in his flight.

Fotos: Chronosfer.

Crônica: Meu Velho

 

 

Pai e Mar

Meu Velho

Quando tua pele escureceu por trás desse vitral, e teu corpo criava coreografias que te sustentavam entre os teus havias chegado à maturidade sem festa,

Quando o meu assovio te irritava e ganhavas mais velocidade para fugir do reflexo que fazia sobre teus olhos, eras adolescente diante de mim e o medo não tinha significado algum,

Quando todos os outros corriam em eterna disputa pelo pequeno pedaço de comida, flutuavas como folha de outono ao vento da manhã,

Quando amanhecias ainda na noite da tua casa podia te ver solitário no canto que escolhestes para ser teu como tua era a casa,

Quando eu insistia em atravessar o olhar pelas íris já brancas do teu tempo, em silêncio admirava teus movimentos e sentia queimar esse vidro esverdeado que nos separava,

Quando tua partida já estava sendo anunciada não pedistes para acelerar a ida, lutavas em teu cotidiano por mais um dia,

Quando enfim não havia mais dia algum, não renunciaste à vida, olhaste de frente o que te esperava do outro lado desse vitral, na aridez da laje fria que meus pés pisam, e que hoje perdeu suas cores e fez, Meu Velho, com que tudo ficasse mais vazio e sem sentido.

Quando agora olho a todos os outros, é a ti, Meu Velho, que minha voz chama e é por ti que meus olhos salgam as horas ausentes da tua história.

Foto: Jockey Club do RS. Hoje, 26, mais um mês da partida de meu pai e meu irmão. O pai, em abril de 2014. Meu irmão, setembro 2016. O texto tem uma história de alguns anos atrás que é a de um peixe, criado em aquário pela Inês. Ela conhece cada um e cada um tem seu nome. O Velho era um lutador. Incansável, resistiu a um voo para fora do aquário, voltou a nadar e aos poucos seu brilho se desfez. Não deixou nunca de lutar. De continuar. É em homenagem aos dois Mário que o post repousa neste Chronos.