Fotografia: A vida através de outros olhares (Life through other looks)

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Fotos: Chronosfer. O olhar atravessa a vida, vive a cada instante como se o próximo fosse o último. Entre um e outro, a paz, o humanismo estão no reflexo, no céu colorido, na tulipa, nas folhas caídas, nas janelas fechadas, esperando serem abertas. A vida. Somos cada um e todos juntos. (Música: sugestão AsiaJackson, https://sundaymoodd.wordpress.com)

The gaze crosses life, lives at every moment as if the neighbor were the last. Between one and another, peace and humanism are in the reflection, in the colored sky, in the tulip, in the fallen leaves, in the closed windows, waiting to be opened. Life. We are each and everyone together. (Music: AsiaJackson hint, https://sundaymoodd.wordpress.com)

Fotografia: O passado em minha cidade grita em silêncio (The past in my city screams in silence)

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Fotos: Chronosfer. “A cidade é moderna, dizia o cego a seu filho”, verso de uma letra canção do Milton Nascimento. Não, não é em sua essência moderna. Seu passado está presente. É o presente. Em silêncio grita que ainda está viva. Como nós. esquecer, é estar cego dentro de nós mesmos. (Agradecimento a AsiaJackson do TheSundayMoodd – https://sundaymoodd.wordpress.com/2017/11/04/cosa-fare-quando-ti-annoi/ – pela sugestão da música de hoje. Se não visitou seu site, vá e conheça um espaço inteligente, bonito e criativo.)

“The city is modern,” said the blind man to his son, “a verse from a lyric song by Milton Nascimento. No, it is not in its modern essence. Your past is present. It is the present. Silently screams that she’s still alive. Like us. to forget, is to be blind within ourselves. (Thanks to AsiaJackson from TheSundayMoodd -https://sundaymoodd.wordpress.com/2017/11/04/cosa-fare-quando-ti-annoi/ – for the suggestion of today’s music. If you have not visited your website, go and get to know a smart, beautiful and creative space.)

 

Fotografia: Assisi – Itália

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Fotos: Chronosfer. A história marca encontro com o novo, que chega com a música. Convergem, entrelaçam mais histórias. São como a vida, constróem sempre em nome do amor. Somente amor. E seguem, com suas marcas profundas, caminhos de outras vidas e outras histórias.  ( A música é sugestão da AsiaJackson, do TheSundayMood. Vá lá, entre e permaneça em um espaço criativo, sensível e inteligente.)

The story marks the encounter with the new, which arrives with music. Converge, intertwine more stories. They are like life, they always build in the name of love. Only love. And they follow, with their deep marks, paths of other lives and other stories. (The music is suggested by AsiaJackson, of TheSundayMoodd. Go there, enter and remain in a creative, sensible and intelligent space.)

Fotografia: Península Valdes – Argentina

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Fotos: Chronosfer. Península Valdes, Argentina. Harmonia entre o humano e a natureza. Convício com respeito, sentimento, emoção. Vida. E quem sabe sejam os pinguins aqueles que melhor expressam a fidelidade. Pela vida. Entre eles e em sociedade. Em todos os sentidos.

Valdes Peninsula, Argentina. Harmony between human and nature. Conviction with respect, feeling, emotion. Life. And maybe the penguins are those who best express fidelity. For the life. Between them and in society. In all senses.

Ficção: Pampa

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O olhar dobra o horizonte. No silêncio verde da pampa, os cascos dos potros latejam. A lida noite adentro descansa na roda de fogo das horas. Os homens há muito olham o destino como lâmina. O brilho do sol amanhece antes de a galáxia desaparecer do sonho.

The look doubles the horizon. In the green silence of the pampa, the foal’s hooves throb. The night read inside rests on the evening fire wheel. Men have long looked upon fate as a blade. The sun’s brightness dawns before the galaxy disappears from the dream.

Poesia: Breve, muito breve (Poetry: Brief, very brief)

No silêncio

A sombra é fantasma no papel amarelado

Toco suas rugas com a ponta dos dedos

Pele, sal e terra

Sou labirinto dentro da palavra.

 

In the silence

Shadow is ghost on yellowed paper

I touch your wrinkles with your fingertips

Skin, salt and earth

I am a maze within the word

 

Tom Petty: * 02.10.2017

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O rock cria lendas. Herois. Alimentam nossos sonhos. Muitas vezes, revelam nossas realidades. Como seres humanos, muitos desses herois, dessas lendas também fizeram o mesmo caminho. Alimentaram-se dos grandes do rock. E seguiram seus caminhos. Tom Petty é um desses músicos que engajado a uma turma de exceção na música, tornou-se membro efetivo. Pelo seu talento. Por sua sensibilidade. Seja solo, seja com os The Heartbreakers, seja com Bob Dylan, seja com os Traveling Wilburys. Soube ser discreto, soube ser astro, soube escrever crônicas urbanas irretocáveis. Soube ser um guitarrista poderoso. Soube, sobretudo, ser humano. Fará falta.

Rock creates legends. Heroes Feed our dreams. They often reveal our realities. As human beings, many of these heroes, of these legends also did the same way. They fed the rock greats. And they went their ways. Tom Petty is one of those musicians who engaged an exception band in music, became an effective member. For your talent. For your sensitivity. Be solo, be with The Heartbreakers, be with Bob Dylan, or with the Traveling Wilburys. He knew how to be discreet, he knew how to be a star, he was able to write irreconcilable urban chronicles. I knew how to be a powerful guitar player. I learned, above all, to be human. It will be missed.
Foto: Sam Jones

 

Fotografia: Apenas olhar…(Just look…)

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Fotos: Chronosfer. É assim, apenas olhar. Sentir. Viver. Pouco importa se é em cores ou em p&b. Quem sabe, a poesia do olhar. É a vida se revelando aos sentidos.

It’s like, just look. To feel. To live. It does not matter whether it’s in color or in b&w. Who knows, the poetry of the look. It is life revealing itself to the senses.

Conto: “Um amor inesquecível”, por Gustavo ´Lopecito´ Lopez

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UM AMOR INESQUECÍVEL
Lopecito (*)

O dia em que completei dezoito anos lembro que meu pai olhou para mim e disse:
– Filho, começa outra etapa. Você já é um adulto.
Honestamente eu sentia-me o mesmo babaca do dia anterior, mas tentei interpretar o mandato.
Ainda imerso em uma ditadura militar atroz que durou toda a minha adolescência mas começava a lançar as hurras, eu me perguntava o que poderia fazer de diferente na minha vida a partir desse momento.
As respostas não demoraram em chegar a minha cabeça. Tendo dezoito podia ir ao cinema para ver filmes com mulheres nuas sem esgueirar-me na entrada (os poucos seios que permitia olhar o censor Tato); entrar no cassino com o documento de identidade fixado na testa como se fosse o ás de espadas e, por que não, conhecer um hipódromo.
Assim foi como em finais de 1981 fiz minha primeira experiência no turfe e, como você pode imaginar, não parei nunca mais.
Entrar no velho Palermo era como ir para escola. Sentava-me nos degraus do Paddock, a poucos metros da coluna desde onde as pombas descarregavam bombas impiedosas sobre os adventícios, e meus parceiros de arquibancada eram sempre os mesmos: Horacio, Daniel, Coco, Pistola, Mura, Paul y Walter. Horacio era por vários corpos o maior do grupo e nunca tivemos a coragem de tratá-lo com muita confiança. Evidentemente não era velho, mas estava feito um papiro. Jamais o vimos com outro elemento de estudo que não fosse o Programa Oficial, e quando falava de corridas impunha um respeito mortal. Na realidade, só pela casualidade sabíamos o seu nome. Pra nós era simplesmente “O Catedrático”.
Se falávamos de jóqueis, o cara os tinha visto correr a todos: Legui, Jara, Nardi… Bem, não vou citar a todos. Porém, tinha uma debilidade: Batruni.
Para O Catedrático, José Luis Batruni era o jóquei mais completo que tinha visto y cuidado daquele que tivesse a audácia de discuti-lo. Uma vez tivemos que levá-lo para a enfermaria da raiva que tomou com um fulano que lhe fazia piadas.
Eu não tinha visto na minha puta vida o Grande Prêmio Jockey Club que “O Polvozinho” Batruni tinha vencido esse mesmo ano com o cavalo Tello, mas ele me contou a corrida tantas vezes que… Bom, não o contava, o atuava. Num segundo montava-se sobre o Programa que colocava entre suas pernas e com seu boné batia uns chicotes impressionantes. Comovia, eu juro.
Ele nos acompanhou dez anos no mesmo lugar e me ensinou tudo o que os livros não ensinam, até que uma tarde simplesmente desapareceu. Naqueles tempos sem telefonia celular de pronto descobrimos que incrivelmente ninguém sabia onde morava nem como contatá-lo. Tentamos, mas nunca mais voltamos a vê-lo. Durante anos, cada vez que olhava para Avenida Dorrego esperava ver o boné cinzento entre a multidão. Acreditamos no pior final.
Uma manhã de 2011 eu esperava em um desses consultórios médicos onde há trezentas portas e atendem mil especialidades, viu? Quando de repente meu coração se acelerou.
Sentado ao lado de uma mulher um pouco maior do que eu, um velho muito velho e em uma cadeira de rodas não levantava os olhos do chão.
Tinham passado mais de vinte anos e o boné agora era verde, mas esse era O Catedrático.
Saí catapultado, cumprimentei rapidamente a mulher, me abaixei e lhe disse:
– Oi Horacio, sou Gustavo. Se lembra? Do Hipódromo de Palermo!
Nada…
Tentei com um par de nomes das pessoas daquele grupo, mas ele nem sequer me olhou.
A mulher apresentou-se como Laura e me contou que depois de dois AVCs Horacio nunca tinha logrado se recuperar. Hoje tinha 88 e já desde dois anos atrás quase não vivia momentos de lucidez. Nem sequer lembrava-se dos nomes de seus filhos. Horacio, sempre sem olhar para mim, disse baixinho algumas frases sem sentido nenhum.
Cumprimentei-os com uma tristeza que me encolhia o coração e voltei ao meu lugar.
Horacio e Laura entraram para ver o neurologista. Minha cabeça era um turbilhão.   Chegou o meu turno com o oftalmologista, mas o deixei passar. Você me entende, não? Precisava ver ao Horacio pela última vez.
Esperei.
Quando eles saíram me acerquei para cumprimentar novamente. Voltei a me curvar para ficar na altura daquele rosto e joguei o movimento de xadrez que aqueles minutos tinham-me permitido elaborar:
– Horacio, que montaria Batruni! Não é?
Levantou a cabeça lentamente, olhou nos meus olhos por alguns segundos e respondeu apenas balançando a cabeça:
– O Polvozinho.
Lagrimando expliquei a Laura o que tinha acontecido, e choramos juntos.
Continuei tentando, porfiado, com Tello, L’Express, mas sem sucesso. O Catedrático já tinha voltado a se despedir.
Hoje ainda fico emocionado pensando naquele “volta e volta o churrasquinho” do Paddock, naquele suco escuro que o Oviedo puxava do seu tambor metálico e nos vendia como café, na sexta edição do periódico Crónica na saída com “A tragédia de hoje!”, nos motoristas de ônibus que na porta gritavam “Vamos para Liniers! Vamos para Liniers!” E, claro, vejo ao Horacio montado no programa e batendo chicotes com seu boné cinzento.
Pronto para fechar estas linhas, vem a minha mente aquela música de Los Charros e cantarolo: “Um amor como o nosso, não deve morrer jamais”.

Notas
– Miguel Paulino Tato foi um jornalista e crítico de arte nascido em Buenos Aires. Dirigiu entre 1974 e 1980 o Ente de Classificação Cinematográfica e foi considerado o máximo censor da história do cinema argentino.
– Legui, Jara, Nardi… Históricos jóqueis do turfe argentino. Irineo “O Polvo” Leguisamo, Eduardo Jara, Oscar “Pocho” Nardi.
– Tello e L’Express foram grandes cavalos de corrida guiados pelo “Polvozinho” José Luis Batruni.
– Durante muitas décadas, na porta do Hipódromo de Palermo se estacionavam longas fileiras de ônibus que transportavam passageiros para distintos bairros de Buenos Aires como Liniers, Boedo, Flores, etc.
– Los Charros é um grupo musical argentino, da província de Chaco.

(*) Lopecito, o autor do conto, é o criador do blog “Los Pingos de Todos” que funcionou durante dez anos. Atualmente colabora no Hipódromo de Azul, na província de Buenos Aires.

  • Hoje 26, sempre ao meu lado, a saudade pede um café, escuta Piazzolla, e começa a olhar com os seus olhos tranquilos os meus, que acolhem um mar de tristeza, água e sal. No infinito, meu pai e meu irmão, por certo conversam sobre a vida, o turfe, a ausência aqui e, quem sabe, da saudade de todos nós. E dos amigos de tantas idas e vindas neste universo das corridas de cavalos. E vem da Argentina, de Buenos Aires, este conto que abraça os dois. Escrito pelo Gustavo “Lopecito” Lopez, Um amor inesquecível é desses momentos que chegam para ficar. Amigo, que a geografia impediu até agora de abraçar, não apenas esteve com o Mário irmão, como me recebeu no seu Los Pingos de Todos, sobre turfe, naturalmente. O meu abraço de muito obrigado a ele, ao Marcelo, ao Pablo, e ao Marcos Rizzon do http://www.jornaldoturfe.com.br/ , onde pela primeira vez este conto encontrou casa. (a música é escolha deste Chronos)