Sade: Diamond life

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Ainda na primeira metade dos anos oitenta, Sade mexeu com as estruturas do soul e do rhythm & blues com sua voz suave e arranjos mais sofisticados. Uma mudança ao que até então Aretha Franklin e Tina Turner apresentavam, mais voltadas ao blues e gospel por formação. Sade trouxe também elementos da world music e isso significa ritmos latinos, caribenhos e mais outros exóticos. Alguns críticos a colocaram com cantora de jazz. na verdade, a nigeriana Sade soube canalizar os gêneros e transformar seus discos em canções mais que simples lamentos ou harmonias românticas para impressionar. Ao contrário, com alma soube traduzir cada acorde em texturas que se entrelaçaram à perfeição com seu timbre de voz e uma base instrumental perfeita. Se você procura blues, jazz, sou, R&B, pop, bossa nova encontrou.

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The other side of Phil Collins

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Ontem, por aqui Peter Gabriel e de certa forma o Genesis. hoje, ainda pela trilha do grupo progressivo, o seu baterista bate o ponto: Phill Collins. Após um período fraco, Collins larga a bateria e a percussão roqueira e parte para um projeto que não deixa de seu mi giro em sua carreira: jazz. A The Phil Collins Big Band abraça esse novo caminho com alegria e muito divertimento. O mérito é o de não fazer de A hot night in Paris, disco que gravaram ao vivo, um trabalho revolucionário. Longe disso. talvez seja a razão de muito estranhamento entre os seus admiradores desde os tempos do Genesis, mas ele consegue uma levada descontraída e feliz. Entre as canções há espaço até mesmo para “Invisible touch” assinada por ele, Tony Banks e Mike Rutherford entre outras da banda. É um disco muito bom de se ter por perto. E Phil é talentoso o suficiente para ser ousado.

Peter Gabriel: So

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Peter Brian Gabriel é um inovador dos anos 70/80. A partir do Genesis, com a marca do rock progressivo cunhada, Gabriel compôs longas histórias e harmonias que o tornaram um degrau acima como instrumentista e compositor. Discos como Nursery Cryme ou Foxtrot estão entre os melhores da antiga banda com Phil Collins, Tony Banks, Mike Rutherford e Steve Hackett. Após sua saída, 1975, o solo de Peter veio junto com parceiros da estirpe de Robert Fripp, Shankar, Stewart Copeland, laurie Anderson e Kate Bush. Um novo e fascinante universo rítmico e melódico na criação do pop/rock de então. Todavia, inquieto, adentrou o território e a cultura africanas em seus estágios mais nativos e com elas as texturas dos sons que conheceu passou a incorporar suas criações não como elementos “massificados” mas agregadores. Sem dúvida, a essência africana, antes exótica, ganha dimensão justa e mais real para quem se aproxima de Peter Gabriel. Aliás, Passion, trilha do filme A última tentação de Cristo, tem toda essa cultura entranhada em suas músicas. So vem de 1986, e possui todos os acentos do soul, da música africana, do pop/rock em grande escala. Além de Kate e Laurie, a participação de Youssou N´Dour é essencial. Inesquecível.

António Zambujo: Até pensei que fosse minha

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Alguns discos com canções de Chico Buarque seguem uma linha muito próxima das criações do genial compositor carioca. Não que seja falta de criatividade, absolutamente não, apenas que criar novos arranjos para os já extraordinários elaborados nos discos e shows de Chico parece ser tarefa quase impossível. Embora haja uma certa dose de exagero, digamos que seja isso. No entanto, toda a regra foi feita para ser quebrada. O português António Zambujo recriou a obra do mestre brasileiro a partir de arranjos construídos/criados pelo Trio Madeira Brasil. Uma sonoridade quase minimalista que foi sendo substituída aqui e ali toda a vez que uma canção pedia um instrumento se sopro, uma percussão a mais, a sanfona pontilhando novos acordes, a guitarra portuguesa desafiando o novo. Até pensei que fosse minha é notável em todos os sentidos. Zambujo gravou um disco em que é impossível quem o escuta ficar impassível. Se Chico por certo agradece, nós festejamos.

 

R.E.M: Out of time 25th anniversary edition

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Mais um aniversário de lançamento comemorado com raridades. A vez é do R.E.M. e seu magnífico Out of Time, acrescentando 25th anniversary edition. Escrever sobre a banda de Mike Mills e Michael Stipe é ser redundante. Todavia, a edição dos 25 anos é sempre uma revelação. De como a R.E.M. cresceu, aperfeiçoou, excluiu, criou, fez e refez, enfim, uma história contada em canções ora apenas e tão somente instrumentais, de uma pureza cristalina, ora vocais introduzidos em escala superior que a banda possuía se sobra. Um presente, assim como há poucos dias passou por aqui uma caixa do Pink Floyd, que quebra a monotonia de coletâneas clichês e nos mostram a verdadeira face talentosa desses músicos.

 

William Fitzsimmons: Gold in the shadow

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mais um nome que transita com naturalidade pelo folk/índie folk. Por vezes, ao acústico se somam teclados, sons eletrônicos par dar as suas letras um revestimento mais universal ainda que os temas sejam pessoais. Em Gold in the shadow, Fitzsimmons se equilibra bem, se mostra denso e se permite um dueto com Julia Stone (Angus &Julia Stone) em “Let you break”. E afasta qualquer semelhança que o fazem ficar muito próximo do Iron & Wine. Um disco para ser degustado sem pressa alguma.