David Crosby: Lighthouse

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O também longevo David Crosby volta ao cenário com Lighthouse. Sem a presença daqueles com quem formou gerações através de seus vocais, harmonias e nomes – Graham Nash, Stephen Stills e Neil Young – Crosby chega com um rock folk característico em sua carreira, no entanto sem a mesma profundidade de antes. Não que o disco seja fraco, longe disso, é que o ex-Byrds e CSN&Y sempre foi um artesão em suas composições e em especial na companhia de qualquer um desses: Nash, Stills ou Young. O de agora, Michael League, embora acompanhe o seu ritmo, se apoia, pelo menos em uma primeira vista, mais na urgência do que o trabalho de meses a fio a tecer cada harmonia, cada verso. É um trabalho bom de se ouvir, a delicadeza de Crosby e suas melodias e vocais são sempre um alento.

 

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Leonard Cohen: You want it darker

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Deixar o gosto em segundo plano é exercício quase radical quando o texto é sobre Leonard Cohen. Aos 82 anos, o canadense mantém intacto seu jeito Leonard Cohen de ser. Recita suas letras/poemas, poemas/letras, com a mesma intensidade do Festival da Ilha de Wight de 1970. (Está certo, a passagem dos anos fez com que a voz ficasse mais dramática.) You want it darker talvez seja seu último registro em vida, já que afirma estar pronto para partir. É um disco em que Cohen se volta para dentro de sim mesmo, faz confissões, há arrependimentos, dúvidas, religiosidade, e um acento consigo mesmo. São nove faixas, pouco mais de 35 minutos em que revela seu interior intenso e a emoção em cada faixa se multiplica. Leonard Cohen. É o suficiente. Basta colocar o álbum no player e deixar seguir o seu caminho.

 

Poesia: Uaíma

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Este Chronos é uma viagem de ida, sem “tempo” para voltar. Quem sabe, dentro do Chronos não existe o tempo. E esse sempre ir é a palavra e quando ela está ausente – aqui isso é comum – a música assume o posto. É a expressão do Chronos, que vive neste espaço…..de tempo. Então, o Darlan do https://uaima.wordpress.com, das  Minas Geraes com a palavra. Com a sensibilidade daquelas montanhas e do imaginário das esquinas neste destino de ir. Com a música que sei, talvez meu único idioma, volto para o abraço, sensibilizado em busca de uma tempestade de mais palavras. Obrigado, meu amigo.

O intento do viajante é ir, porque ir é o melhor remédio 

mas é certo que o trajeto a ser cumprido pelo passageiro
não pode ser de todo contado – pelo fato de que bons
e maus imprevistos acontecem quando se vai ao distante
horizonte, às terras do Nunca, avisos em idiomas nunca sentidos
na pele, e assim, no íntimo do viajor vão as alegrias mais sãs
mesmo se numa noite fria num banco de ferroviária, um banho
gelado num banheiro 2×2, uma tempestade, um acidente ou
algo como o que se passou no conto La autopista del Sur (Cortázar),
sim, é preciso ir, trocar de roupa como as cobras, de déu em déu
descobrir certos infernos, descobrir ou esquecer o céu.

(Darlan M Cunha)

 

 

Ages and Ages: Divisionary

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O imenso guarda-chuva do índie-folk encontra o Ages and Ages. Um grupo que solidifica suas tessituras em uma estrutura vocal, sonoridades acústicas e repletas de surpresas. Divisionary é um álbum que celebra a música e se cantam letras filosóficas, se valem de palmas e outros sons. Por vezes são melancólicos, enfrentam a realidade mas sempre otimistas e olham à frente. Um disco muito feito com alma.

Keith Jarrett & Charlie Haden: Jasmine

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Keith Jarrett e Charlie Haden em Jasmine tocaram oito belas canções de amor a bese de improviso, sessões únicas entre ambos e para quem os ouve, será necessário uma profunda imersão em suas sonoridades do piano e double-bass. São texturas tecidas por intuição de ambos, buscando compositores como Peggy Lee r Victor Young, Joe Sample e Will Jennings, Cy Coleman e outros tantos que preenchem um céu estrelado. Jazz sublime, denso, silencioso, interiorizado e ensolarado.

Patti Smith: Horses

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Multidisciplinar, Patti Smith fez da mescla da pintura, da poesia, da escrita, do jornalismo e da música a estrada a ser percorrida com sua bagagem. Com a guitarra de Lenny Kaye e letras fulminantes – de ambos – mexeram (ainda mexem) com o rock de sua banda original. Horses, com produção do ex-Velvet Underground John Cale, é o primeiro passo concreto do futuro punk/new wave. É um momento em que o horizonte se abre para Patti e toda a sua irreverência e significado a cada vez que estraçalha letras de canções como “Gloria” (Van Morrison) no sentido de entrar em sua mente a cada verso. Patti Smith, inesquecível e inovadora sempre.