Madeleine Peyroux: Secular Hymns

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Secular Hymns o novo disco de Madeleine Peyroux chega com novidades. Gravado na Igreja Santa maria Virgem em Oxfordshire, Inglaterra, traz um repertório que foge do conceito mais tradicional do jazz que costuma ser sua pele. Acostuma a fazer leituras muito pessoais de temas de Bob Dylan e Leonard Cohen, para ficar nesses dois, Madeleine investe em um trio onde ela é a voz principal e o violão, a guitarra elétrica e os vocais de apoio ficam com Joe Herington e Barak Mori, esse no baixo. Bom,acho que se você imaginar que está em um bairro formado por dez ruas, e precisa de uma guia para conhecê-lo, Madeleine o fará sem problema algum. Pouco mais de 30 minutos depois você passará por canções escritas por Tom Waits, Allen Toussaint, Townes Van Zandt, Sister Rosetta Tharpe, Willie Dixon. Homenagens sinceras e densas a Bob Marley,  Billie Holliday, Marlene Dietrich, enfim um passeio por essas ruas de folk, reggae, cabaret, funk, e, óbvio, jazz. Disco fabuloso. Voz extraordinária.

 

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Badfinger: Day after day

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Badfinger não foi apenas uma banda que lá pelos sessenta apareceu e Paul McCartney gostou e assinaram com a Apple, gravadora dos Beatles. Pete Ham, Tom Evans, Joey Molland, não exatamente desde o início, quando ainda eram chamados The Iveys, mostraram na virada para os setenta muita qualidade. Ainda no começo dos seus passos, abriram shows dos Yardbirds, The Who e Moody Blues. Muito peso, muita responsabilidade. O insucesso inicial foi uma lacuna preenchida por Paul e  sua composição “Come and get it”. Sucesso.  E então o Badfinger lança alguns discos que até hoje frequentam nossas memória e história (desculpem a rima). Porém, os anos passaram e dentro da hospedagem que a década de 70 oferecia, Ham desistiu de viver. O grupo seguiu até não suportar mais. Deixaram um legado para o rock/pop de canções emblemáticas como “Day after day”, “Baby blue” e “No matter what”. Participaram do mágico Concerto para Bangladesh, do extraordinário All Things Must Pass do George Harrison, que também os produziu e do primeiro “single” de Ringo Starr. Badfinger é um nome que sem dúvida é ainda uma referência de um tempo que aos poucos se afasta dentro do próprio tempo, mas que permanecem dentro de nós para sempre.

 

Rickie Lee Jones: Pop Pop

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A transição entre os anos 70 e 80 traz na mochila desse tempo muito talento e sensibilidade. Rickie Lee Jones se situa nesse espaço, ainda no em 73, para alçar voos mais altos com o seu Rickie Lee Jones de 1979, com forte influência de Tom Waits. A partir da estreia, seus caminhos diversificaram, sem perder o rumo, e carimbaram seu estilo entre o folk e o rock e um namoro escancarado com o jazz. Pode-se ficar escutando seus discos com a profundidade que Rickie merece e ao mesmo tempo cada um iniciar um roteiro de texturas harmônicas indispensáveis.

Paul McCartney: Pure

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Tenho lá minhas e muitas restrições ao caráter demasiado comercial de coletâneas e compilações embora reconheça nelas papel de relevância em muitos trabalhos e também como um painel, ainda que limitado, da obra do artista. Por óbvio, as regras são quebradas e exceções nascem. Madeleine Peyroux lançou não faz muito um belo álbum duplo com sua trajetória – está em algum lugar deste Chronos. E outros mais seguiram o mesmo caminho. Pure dp beatle Paul McCartney é a casa onde habitam seus registros de 1970 até 2015. não, não se trata de desapego. A passagem do tempo vai polindo arestas, ajustando aqui e ali algumas incompreensões datadas, mas sobretudo revela o que todo o mundo já sabe: Paul é um excelente compositor. está certo que em tantas canções, o autor de “Yesterday” e “Eleonor Ribgy”não aparece assim tão fácil. Estão presentes Linda, Wings, e um belo punhado de canções que abraçam não apenas esse tempo se não que nos que o acompanhamos também. Pure e Paul são parte indissociáveis de nossas vidas.

 

 

Zé Nogueira Quinteto: Carta de Pedra

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A obra de Guinga está inserida no que há de melhor na música brasileira. Compositor fértil, criativo e dono de uma vasta bagagem em parcerias e leituras de tantos outros trabalhos, recebe do Zé Nogueira e seu Quinteto uma leitura de jazz à brasileira. O sax soprano de Nogueira soa suave como as composições de Guinga, e acompanhado de um grupo de instrumentistas de primeira como Jota Moraes no vibrafone, Jurim Moreira na bateria e a guitarra mágica de Ricardo Silveira, também recebe participações de Gabriele Mirabassi, Paulo Malagutti, Andrea Ernest Dias e Silvia Braga. Às vezes, ainda ouço aqui e ali que esse jazz é uma música de elevador ou de sala de espera de consultório médico. Bom, que seja, agora, é algo maravilhoso ser abraçado por melodias que fazem do tempo uma razão de ser.

Wilco: Schmilco

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Rock, folk e country mistura que faz do Wilco um grupo que, mesmo às vezes em águas do experimentalismo e do pop, se mantém fiel às origens. Após Stars wars chega ao público com Schmilco com doses criativas de rock, folk e country – as origens – em melodias melancólicas e densas. Há quem diga que o nome do disco tem tudo a ver com o cantor Harry Nilsson, que foi produzido por John Lennon, e que gravara o seu Schmilsson em 1971 e fez muito sucesso com canções de trilhas de cinema, com um pop sofisticado e o mega sucesso “Without You”. Wilco tem personalidade e estilo próprios, segue seu caminho ao natural e percorre suas melodias com extrema sensibilidade. Schmilco é um belo trabalho acústico sobretudo.

Jack White: Acoustic Recordings

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Uma trajetória acústica em Acoustic Recordings 1998-2016 traz Jack White para além do White Stripes, sem deixar temas da banda de lado. Estão lá canções como “Sugar never tasted so good” e “We´re going to be friends”, ou ainda do solo Lazaretto.  São 26 músicas que traçam o perfil do guitarrista e todo o seu jeito de compor/tocar e dispostas em formas distintas e alternativas e algum material inédito pelo meio desse caminho. Um disco que abraça as horas e deixa escapar os minutos para dentro de cada um de nós a cada faixa escutada.