Richard Wright: Wet dream

Richard Wright

O crédito para o Pink Floyd ser – o Floyd é sempre presente – uma das maiores bandas de todos os tempos tem a assinatura de Roger Waters e David Gilmour. Gilmour chegou pouco depois, quando um dos mentores do grupo, Syd Barrett decidiu seguir o caminho da (quase) loucura, e junto com o baixista e mais Richard Wright, teclados, e Nick Mason na bateria, e o rock passou a subir degraus em criatividade e recursos sonoros. Os timbres dos instrumentos, as texturas impressionistas e os quês de ficção científica catalizaram  a relação entre o Pink e a tecnologia, sem perda alguma do fator humano em todas as suas canções. Discos conceituais, profundos e o maior exemplo é o clássico Dark side of the moon, 1973, onde a concepção é ousada e densa e sobretudo visceral. Um álbum inesquecível. Em todo esse processo de evolução do PF um nome aparece quase oculto, mas que é também essencial em toda a formulação do conceito do floydiano: Richard Wright. Seja na composição, seja nos vocais, o tecladista é mais que apenas parte de um grupo. É referência e protagonista. E quando o estiveram em stand by por algum tempo e Waters e Gilmour esboçavam suas carreiras solo, Wright chega ao mercado com Wet Dream, 1978. Toda a harmonização, todo o conceito, todas as características do álbum são nítidas e apresenta as digitais do Pink Floyd. Um trabalho tranquilo, para ser ouvido com suavidade porque suas canções são suaves, seus vocais ternos. O fracasso do lançamento em nada diminui a sensibilidade das harmonias que deslizam pelo player. A crítica identificou como um disco do Floyd, quando se esperava um trabalho diferente. Mas, será que isso é mesmo um problema? Ouça e decida.

Jeff Beck: Truth

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1968. E lá está Jeff Beck, sempre inquieto guitarrista, e junto com um bando de talentosos instrumentistas entra em estúdio para fazer de Truth um dos discos mais fantásticos da história do rock. Do rock e suas mesclas, suas vertentes. Exagero? Quem sabe, até pode ser, mas o álbum tem Jimmy Page, Nick Hopkins no piano – tocou Lennon, por exemplo -, Keith Moon, o eterno baterista do Who, John Paul Jones, o baixo do Led Zeppelin, Ronnie Wood, Mick Waller, Rod Stewart. Precisa mais? Um trabalho que abraça o blues, o rock e o que mais cada músico tem de melhor. E a voz arrasadora de Stewart. melhor ouvir o disco na íntegra logo abaixo.

 

The Police: Ghost in the machine

police

A origem do Police – Stewart Copeland, Gordon Summer, mais conhecido por Sting, e Andy Summers até a gravação de Ghost in the machine era puro ritmo, sem riffs de guitarra e muita percepção que as influências de cada instrumentista trazia: jazz, rock, progressivo, new wave, ska e reggae. Sem falar dos ótimos vocais, em especial de Sting. A guinada para o mais tradicional do rock não fez bem ao Police. O caminho ods exageros musicais, a falta da pegada rítmica e mesmo os vocais foram ficando para trás. Todavia, o The Police é sempre uma referência. Vale ouvi-los e mergulhar em um universo onde o ritmo quem faz também é você.

Van Morrison: It´s too late to stop now

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It´s too late to stop now é uma coletânea ao vivo. Ao contrário da seleção feita por produtores ou burocratas de gravadoras, essas escolhas foram do eterno bardo irlandês de Belfast, Van Morrison. O ano, 1973, mostra Morrison afiado e sensível. O talento à beira do mar, pele, coração e alma juntos. Visita discos passados, em especial o seu mágico Astral Weeks – não ouviu ainda?, por favor, arrume um tempo, sente, e ouça, com calma, sem pressa, e deixe levar por esse mar – e outros sucessos bem pontuais que acolhem o r&b, o blues, o folk, o rock, a diversidade musical que é o cantor, compositor e instrumentista. Um disco magnífico. Ouça, simplesmente, e viva cada canção como se fosse uma estrada longa e doce.

 

 

Esteban Morgado & música

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O tango e suas possibilidades sonoras. Suas tessituras que formam tramas eternas. Aqui, o moderno se funde com o o tradicional. León Gieco canta. O violão acompanha. A vida estremece em seus nervos aquecidos pelas harmonias. Ou o bandoneon segua suas linhas em Oblivion do mestre Piazzolla. O tango é vida.

 

Genesis: The lamb lies down on Broadway

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O rock progressivo tem seus ícones: Emerson, Lake & Palmer, Jethro Tull, Yes, King Crimson, Focus, Van Der Graaf Generator, Nice, Supertramp, Eletric Light Orchestra e Rush. Todos figuram entre os melhores, ainda que haja nomes de muita qualidade escondidos entre tantos discos lançados. O Genesis desde o seu início, em fins dos anos sessenta, mostrou sua densidade no rock. Com músicos e compositores como Peter Gabriel, Steve Hackett e Phil Collins, mais Mike Rutherford e Tony Banks, nem sempre juntos o tempo todo, realizou álbuns memoráveis como Foxtrot, Nursery Crime e Tresspass, por exemplo. Todavia, com The lamb lies down on Broadway, de 1974, cravou o seu nome na história em definitivo. A concepção é de Gabriel, tem efeito especias nas mãos de Brian Eno, e os instrumentistas realizam experimentações e narrativas que quebram a mesmice musical que muitas vezes se torna um gênero. É um trabalho vigoroso, brilhante e revela os passos que Peter Gabriel daria no futuro. Fica o disco na íntegra. Vale cada segundo e muito mais.

Duo Finlândia: Mundo Rural

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Um é argentino, Mauricio Candussi; o outro, brasileiro, Raphael Evangelista. As pampas, o mundo rural de lá e daqui. As fronteiras das sonoridades desses campos  e das cidades daqui e de lá se encontram. Juntam-se a cada parte que um possui e o outro também: a tradição, o folclore, o contemporâneo. Dessa fusão, Mundo Rural não é apenas uma proposta musical. Mais, o Duo Finlândia mostra que ambos caminham nas mesmas linhas limítrofes sem haver qualquer razão para separação. Juntos, criam uma textura repleta de ambientes sonoros – violoncelo, acordeom, guitarra, eletrônico, teclados – de lá e daqui, daqui e de lá como se fossem um único lugar. Na geografia podem não ser, na vida são.

 

Noel Gallagher: High Flying Birds

Noel

O núcleo nervoso do Oasis sempre pertenceu aos irmãos Gallagher: Liam e Noel. Em 1967, ano em que os Beatles estavam lançando Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band nasce Noel. Cinco anos depois, chega William, ou Liam. Ligados à música, naturalmente ao longo da infância e todas as  outras fases da vida e com todos os problemas familiares possíveis. Uma das primeiras músicas que Noel conhece com um homem chamado Flo, em formato acústico, ainda adolescente é do beatle George Harrison: “While my guitar gently weeps” e outra canção dos Animals. E com “House of the rising sun” inicia sua vida pelos acordes da guitarra. E pelos campos dos parques onde jogava futebol, o britânico conhece Paul McGuigan, futuro baixo do Oasis. Isso já corre os anos 80. Liam já ensaia sua própria banda. E por essas coisas, acabaram juntos: Noel assiste a uma apresentação de Liam, acha verde demais e sobe ao palco, está formado o Oasis. Chamados de Beatles, comparados a eles e muito mais vindo da crítica, a banda sempre centrada nos irmãos e seus conflitos chega ao fim em 2009 depois de muitos sucessos e um trabalho denso e definitivo. Noel forma o High Flying Birds e começa um novo caminho bem acolhido tanto pelo público como pela crítica. Seus trabalhos têm muito do Oasis, mas sobretudo cada um deles tem a marca de Noel Gallagher. Marca que avança sobre o futuro sem medo.