Joy Division: Closer

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O rock contemporâneo – esses rótulos sempre me deixam agoniado! – sofreu com a perda de Ian Curtis. Figura emblemática do Joy Division, Curtis partiu demasiado cedo, deixando um legado revolucionário para a sonoridade da década de oitenta. Uma mescla que passava por Doors, Velvet Underground, experimentos eletrônicos, a bateria inquieta e impiedosa, a guitarra alucinante. Um resumo que junto às letras que prenunciavam sua morte causava o estranhamento que uma banda pudesse causar e fazer do Joy diferente naquele período de vida. Closer é tudo isso e mais um pouco ou muito mais. Mistério, capa premonitória, letras e som enigmáticos, os conceitos indo para o espaço e um imenso universo de possibilidades ao ouvi-lo. Talvez, agora já mais distante no tempo, possa esse disco ser o hoje no mundo. Quem sabe.

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Hallelujah: Leonard Cohen & Friends

Hallelujah

“Hallelujah” habita nosso imaginário. Leonard Cohen a conduz em cada harmonia e verso, que se multiplicam e se realimentam. É uma canção que nunca parece se esgotar. O canadense a incluiu no disco Various Positions de 1981 e desde então ganhou covers e arranjos que a dimensionam a um plano superior. Coletâneas em homenagem a Cohen como Leonard Cohen: I´m your man, I´m your fan e The songs of Leonard Cohen, o primeiro de um documentário sobre o compositor e cantor, já mostram a densidade de sua música. Hoje, um hino. Abaixo, algumas dessas leituras feitas, além das consagradas pelo próprio Leonard e a bela e quem sabe melhor de todas por Jeff Buckley. Mas, a lista contém Bob Dylan, John Cale, kd lang, Bon Jovi, Rufus Wainwright, Lindsey Stirling e muitos outros. Para esse domingo ficar mais rico e sensível.

 

Osvaldo Pugliese: Três tangos

Osvaldo Pugliese

Este Chronos sempre fica mais rico quando em seu cais portam as contribuições do amigo, jornalista, músico e turfista Marcelo Fébula. A cada mês, essas águas ficam mais azuis e serenas. Agora, desce suave o tango de um dos ícones da Argentina: Osvaldo Pugliese. A palavra é do Marcelo, o agradecimento, nosso.

Três tangos de Osvaldo Pugliese

 
Osvaldo Pedro Pugliese foi uma das figuras fundamentais da história do tango. Sua orquestra, um ponto de referencia permanente. Seu estilo, uma clara influência para outros grandes músicos, como Astor Piazzolla.
Alguns estudiosos falam da Trilogia Pugliese referindo-se as três composições talvez mais representativas desse estilo singular, verdadeiro ponto de inflexão na evolução do gênero. São elas La Yumba (gravada em 1946), Negracha (em 1948) e Malandraca (em 1949).
Minha proposta de hoje para os amigos é desfrutar destas criações de Dom Osvaldo.

Richard Wright: Wet dream

Richard Wright

O crédito para o Pink Floyd ser – o Floyd é sempre presente – uma das maiores bandas de todos os tempos tem a assinatura de Roger Waters e David Gilmour. Gilmour chegou pouco depois, quando um dos mentores do grupo, Syd Barrett decidiu seguir o caminho da (quase) loucura, e junto com o baixista e mais Richard Wright, teclados, e Nick Mason na bateria, e o rock passou a subir degraus em criatividade e recursos sonoros. Os timbres dos instrumentos, as texturas impressionistas e os quês de ficção científica catalizaram  a relação entre o Pink e a tecnologia, sem perda alguma do fator humano em todas as suas canções. Discos conceituais, profundos e o maior exemplo é o clássico Dark side of the moon, 1973, onde a concepção é ousada e densa e sobretudo visceral. Um álbum inesquecível. Em todo esse processo de evolução do PF um nome aparece quase oculto, mas que é também essencial em toda a formulação do conceito do floydiano: Richard Wright. Seja na composição, seja nos vocais, o tecladista é mais que apenas parte de um grupo. É referência e protagonista. E quando o estiveram em stand by por algum tempo e Waters e Gilmour esboçavam suas carreiras solo, Wright chega ao mercado com Wet Dream, 1978. Toda a harmonização, todo o conceito, todas as características do álbum são nítidas e apresenta as digitais do Pink Floyd. Um trabalho tranquilo, para ser ouvido com suavidade porque suas canções são suaves, seus vocais ternos. O fracasso do lançamento em nada diminui a sensibilidade das harmonias que deslizam pelo player. A crítica identificou como um disco do Floyd, quando se esperava um trabalho diferente. Mas, será que isso é mesmo um problema? Ouça e decida.

Jeff Beck: Truth

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1968. E lá está Jeff Beck, sempre inquieto guitarrista, e junto com um bando de talentosos instrumentistas entra em estúdio para fazer de Truth um dos discos mais fantásticos da história do rock. Do rock e suas mesclas, suas vertentes. Exagero? Quem sabe, até pode ser, mas o álbum tem Jimmy Page, Nick Hopkins no piano – tocou Lennon, por exemplo -, Keith Moon, o eterno baterista do Who, John Paul Jones, o baixo do Led Zeppelin, Ronnie Wood, Mick Waller, Rod Stewart. Precisa mais? Um trabalho que abraça o blues, o rock e o que mais cada músico tem de melhor. E a voz arrasadora de Stewart. melhor ouvir o disco na íntegra logo abaixo.

 

The Police: Ghost in the machine

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A origem do Police – Stewart Copeland, Gordon Summer, mais conhecido por Sting, e Andy Summers até a gravação de Ghost in the machine era puro ritmo, sem riffs de guitarra e muita percepção que as influências de cada instrumentista trazia: jazz, rock, progressivo, new wave, ska e reggae. Sem falar dos ótimos vocais, em especial de Sting. A guinada para o mais tradicional do rock não fez bem ao Police. O caminho ods exageros musicais, a falta da pegada rítmica e mesmo os vocais foram ficando para trás. Todavia, o The Police é sempre uma referência. Vale ouvi-los e mergulhar em um universo onde o ritmo quem faz também é você.

Van Morrison: It´s too late to stop now

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It´s too late to stop now é uma coletânea ao vivo. Ao contrário da seleção feita por produtores ou burocratas de gravadoras, essas escolhas foram do eterno bardo irlandês de Belfast, Van Morrison. O ano, 1973, mostra Morrison afiado e sensível. O talento à beira do mar, pele, coração e alma juntos. Visita discos passados, em especial o seu mágico Astral Weeks – não ouviu ainda?, por favor, arrume um tempo, sente, e ouça, com calma, sem pressa, e deixe levar por esse mar – e outros sucessos bem pontuais que acolhem o r&b, o blues, o folk, o rock, a diversidade musical que é o cantor, compositor e instrumentista. Um disco magnífico. Ouça, simplesmente, e viva cada canção como se fosse uma estrada longa e doce.