Rock Brasil anos 80: Titãs, Barão Vermelho, Legião Urbana, Ira!, Paralamas do Sucesso, …

anos 80

A lista é imensa. Nervos de criatividade. Letras cáusticas, bem humoradas, críticas, caminhos bem definidos. Alguns grupos já viviam pelos setenta, outros nasceram nos oitenta, e pelos noventa mais forma chegando. Os movimentos convergiram com a ascensão das Fms, deixando as Ams mais para as notícias e programas de estúdio, enquanto as moduladas investiram na música, em especial. O rock brasileiro disse muito e ainda tem muito a dizer. Bandas longevas continuam atuais. Discos definitivos foram gravados. Nomes se enraizaram em nossas memórias. Com seu jeito brasileiro de ser, criaram fontes inesgotáveis de sons, palavras e atitudes. E são inesquecíveis. Renato Russo, Cazuza, Herbert Vianna, Teddy Correa, Arnaldo Antunes, Edgar Scandurra, Nando Reis, Marcelo Frommer, Paulo Miklos, Cássia Eller, Humberto Gessinger e outros tantos que habitam nosso imaginário e cotidiano. Faltam nomes aqui, mas sei que cada um também sabe que estão bem presentes. E atuais.

Buddy Guy: Born to play guitar

buddy

A síntese do blues. A gênese. A influência. A vida. Born to play guitar é um álbum que tem marcas profundas com a história. Com lendas, como ele, Buddy, Muddy Waters, BB King, os mais atuais Clapton, Page, Stones, o eterno mago Hendrix, as faixas são chamas vivas da música. E traz convidados do peso de Van Morrison, Joss Stone, Eric Clapton entre outros mais. Guitarra e Buddy se confundem, são o mesmo o tempo todo, não fazem concessões. Vibram, e nos fazem vibrar. Apaixonante em cada canção, como não se apaixonar por esse disco? Daqueles que nos habitam para todo o sempre. (como há renovação de leitores, republico Buddy Guy com outro texto.)

Lorenna McKennitt: The best of…

Loreena

Sempre acolho com reserva coletâneas. Criadas pelo mercado para canalizarem uma espécie de o melhor de, esse denominador do mercado na maior parte das edições não cumpre com o que o título promete. Enfim, devo reconhecer, no entanto, que também abraça uma parte significativa do repertório do artista escolhido. Não o melhor, por certo, mas estará no disco duas ou três canções de ponta. Há exceções,  claro. Aqui neste Chronos há post do duplo da Madeleine Peyroux, magnífico. Com a canadense Loreena McKennitt a viagem fica no meio do caminho. Não que isso possa significar fracasso tipo não vale a pena. A cultura celta e oriental se juntaram em seu trabalho de new age ou world music que de alguma forma competia ou compete com Enya. O trabalho da descendente de irlandeses e escoceses agrega elementos eruditos ao folclore e sintetizadores em uma verdadeira mescla que sinaliza um quê de moderno em sua sonoridade e vocais sensíveis. The Best of Loreena McKennitt – The journey so far ingressa em um estágio em seu trabalho pode ser apreciado sem sustos, sem decepções e pode muito bem tocar fundo em o ouve. Passagens bem elaboradas cristalizam seu estilo e fornecem textura suave aos dias que chegam.

 

Coldplay: Parachutes

Coldplayparachutesalbumcover

A banda de Chris Martin é densa e percorre caminhos entre a melancolia, densas melodias e riffs de guitarras em consonância com as estruturas de suas harmonias.  Pulando de gêneros alternativos dentro do espectro do rock, o Coldplay consolidou uma forma e uma estética próprias. Ousadias, experimentalismos e trabalhos de texturas ricas dão ao grupo criatividade para se juntar a poucas outras como umados melhores do mundo. Exagero? Talvez, mas o Coldplay trabalha com muita gana e força e desliza com naturalidade no universo musical. Banda fantástica.

 

 

Echo & The Bunnymen: Ocean Rain

echo

Os anos oitenta são reveladores e muito mais denso e criativo que tantos relativizaram como uma década perdida. Nem tanto, se  o nosso olhar se deslocar para as expressões da Cultura ainda que a irregularidade possa estar aqui e ali. Mas, em que época houve tudo certo o tempo todo? Echo & The Bunnymen se alimentou muito da psicoldelia dos anos sessenta, esse período sim quem sabe dos mais férteis, e fusões mais alentadas do se fazia então. No entanto, lançamento após lançamento suas raízes sempre estiveram de braços com Doors, Velvet Underground, por exemplo. Ian McCulloch no grupo fez trabalho de ponta. A carreira solo, e tentativa de retorno do Echo e tudo o mais se mostraram fracassadas. Ocean rain, Heaven up here, Live in Liverpool, alguns de seus registros, mostram uma banda com fôlego e densidade. Fica o legado.

U2: Boy, October, War, …

U2

A Irlanda é um país privilegiado. De uma rica cultura e de uma gente fantástica, tem nomes na Cultura que fazem a vida acontecer. Bono Vox, The Edge, U2, pós-punk, rock alternativo, direitos humanos. Precisa escrever mais? Ouvi-los é estar em dia com a própria vida em cada uma de suas canções.

Dúo Salteño: Nuestro Folklore

Salteño

Todos os meses. o Marcelo Fébula chega em nosso cais de Porto Alegre com muito da expressão e da cultura da Argentina. E lá, nem tão distante daqui, do seu Rio da Prata aportam canções da terra, das gentes que habitam desde o norte andino e indígena, passando pelo centro mais cosmopolita ao extremo sul na Patagônia e Terra do Fogo. Uma fusão de ritmos, sonoridades, palavras, vida. Sempre especial, como o dia de hoje. Obrigado, Marcelo.

Dúo Salteño

Não tenho palavras para contar-lhes sobre o Dúo Salteño. A dupla que formaram em 1967, Nestor “Chacho” Echenique e Patricio Gimenez, com a direção musical de Gustavo “Cuchi” Leguizamón. Não tenho palavras porque a arte desta dupla imortal sempre me comove profundamente, e me deixa sem elas. Dúo Salteño, dentro da melhor música argentina de todos os tempos, sem dúvida. Aqui apenas algumas de suas gravações memoráveis. Desfrutem.

Lights: Midnight Machines

Lights

A canadense Lights abre seu espaço musical pelos caminhos do new wave, electropop e índie pop. Filha de missionários, ao viajar pelo mundo abraçou gêneros, ritmos, folclore até chegar ao seu denominador. Midnight Machines é um passeio por suas vivências e desliza pelo player com suavidade. Para dias tranquilos e nublados.

 

Youssou N´Dour: From Village to Town

Youssou

O senegalês Youssou N`Dour é um exemplo típico de como o mercado tem verdadeira paixão em criar rótulos. Ele, mais um nome creditado a world music. É verdade que N´Dour tem em suas texturas africanas, mais profundas de sua Senegal, mesclas que ao contrário de separar podem muito bem juntar as margens de tantos oceanos. E também é verdade que muitos de seus trabalhos oscilam em função dessa fusão de ritmos e gêneros. From Village to Town é equilibrado, escorrega um pouco aqui e ali, porém mantém aceso o fogo rítmico e pulsante de um continente raiz. É um músico/cantor engajado em atividades sociais e pelos direitos humanos, gravou com Paul Simon, Peter Gabriel, e tantos mais que o universalizaram. Sua essência todavia permanece intacta. Agradecemos, e respiramos esse continente raiz de forma profunda e sentida. Um respirar para dentro de nossas almas.

Joan Shelley: Over and even

joan shelley

A capa do disco é belíssima. As canções seguem a linha que a define como folk. Do tradicional ao mais “moderno”, com letras que são mergulhos para dentro, uma verdadeira interiorização de seus sentimentos. esses, dos mais simples aos mais complexos que todo ser humano contém em sua vida. O violão, por duelando com outro, é o destaque e também aqui e ali o piano harmoniza esses sentires de Joan. Over and even é um disco para ser ouvido aos poucos e com prazer. E um pouco mais de sua sonoridade e voz mais abaixo.