Gustavo Ripa: Calma

calma

Em uma dessas idas a Montevidéu e a procura de música feita por lá, me indicaram o violonista Gustavo Ripa. Comprado o cd, Porto Alegre no retorno, perdido no triângulo das bermudas que é o meu estúdio. Até ontem, 20 de maio. O jornal Zero Hora trouxe texto do crítico e jornalista Juarez Fonseca sobre o Gustavo. E a procura do disco começou e ainda não terminou. Onde está? Não sei, não consigo encontrar. Não importa, o que importa é que o violão de Gustavo é magnífico. Cordas de vibram com tamanha intensidade que nos envolvemos por inteiro. Do clássico ao popular, sem nenhuma dificuldade, a expressão de cada nota vai se diluindo e crescendo dentro de nós. Calma é um trabalho superior e o título muito feliz. Para esse sábado frio.

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The Clash: London Calling

TheClashLondonCallingalbumcover

Joe Strummer, Mick Jones, keith Levene, Paul Simonon e Terry Chimes em 1976 formaram o Clash. O punk rock agressivo em sua sonoridade se transformou em sua maior característica. E avançaram com letras cáusticas e críticas sem concessões. Strummer e Jones falavam a linguagem da sua geração. Não se hospedaram apenas na casa do punk, souberam sair de lá e fazer stops em outras moradas: regggae, funk, rhythm´n´blues e flertes com o jazz. Um condomínio musical. É o resultado desse já antológico London Calling e o do que viria após, Sandinista!  Os londrinos absorveram a bacia de uma época em canções que para além do som a palavra se faz densa.

 

 

Come Together Project: Neymar Dias & Igor Pimenta

Neymar Dias Igor Pimenta

Não é a primeira nem será a última vez que que composições assinadas por John Lennon, Paul McCartney e George Harrison, Ringo às vezes, será visitada. E feita a colheira de suas harmonias para diversas formas de expressão. Come Together Project tem características que atravessam fronteiras sem quebrar o encanta das canções do quarteto de Liverpool. Neymar Dias e Igor Pimenta trazem para o “idioma” das viola caipira de dez cordas e contrabaixo todas as texturas que esses instrumentos são capazes e criam dentro do espaço de Lennon & McCartney uma teia acolhedora de acordes onde os próprios instrumentos vão cumprindo as funções de outros, preenchendo espaço aparentemente vazios. A concepção da dupla avança para além da admiração e cria uma sonoridade rica e transforma as músicas em um passeio sonoro de puro encantamento e contemplação. Um disco belo e suave, brasileiro e universal.

 

Rock Brasil anos 80: Titãs, Barão Vermelho, Legião Urbana, Ira!, Paralamas do Sucesso, …

anos 80

A lista é imensa. Nervos de criatividade. Letras cáusticas, bem humoradas, críticas, caminhos bem definidos. Alguns grupos já viviam pelos setenta, outros nasceram nos oitenta, e pelos noventa mais forma chegando. Os movimentos convergiram com a ascensão das Fms, deixando as Ams mais para as notícias e programas de estúdio, enquanto as moduladas investiram na música, em especial. O rock brasileiro disse muito e ainda tem muito a dizer. Bandas longevas continuam atuais. Discos definitivos foram gravados. Nomes se enraizaram em nossas memórias. Com seu jeito brasileiro de ser, criaram fontes inesgotáveis de sons, palavras e atitudes. E são inesquecíveis. Renato Russo, Cazuza, Herbert Vianna, Teddy Correa, Arnaldo Antunes, Edgar Scandurra, Nando Reis, Marcelo Frommer, Paulo Miklos, Cássia Eller, Humberto Gessinger e outros tantos que habitam nosso imaginário e cotidiano. Faltam nomes aqui, mas sei que cada um também sabe que estão bem presentes. E atuais.

Buddy Guy: Born to play guitar

buddy

A síntese do blues. A gênese. A influência. A vida. Born to play guitar é um álbum que tem marcas profundas com a história. Com lendas, como ele, Buddy, Muddy Waters, BB King, os mais atuais Clapton, Page, Stones, o eterno mago Hendrix, as faixas são chamas vivas da música. E traz convidados do peso de Van Morrison, Joss Stone, Eric Clapton entre outros mais. Guitarra e Buddy se confundem, são o mesmo o tempo todo, não fazem concessões. Vibram, e nos fazem vibrar. Apaixonante em cada canção, como não se apaixonar por esse disco? Daqueles que nos habitam para todo o sempre. (como há renovação de leitores, republico Buddy Guy com outro texto.)

Lorenna McKennitt: The best of…

Loreena

Sempre acolho com reserva coletâneas. Criadas pelo mercado para canalizarem uma espécie de o melhor de, esse denominador do mercado na maior parte das edições não cumpre com o que o título promete. Enfim, devo reconhecer, no entanto, que também abraça uma parte significativa do repertório do artista escolhido. Não o melhor, por certo, mas estará no disco duas ou três canções de ponta. Há exceções,  claro. Aqui neste Chronos há post do duplo da Madeleine Peyroux, magnífico. Com a canadense Loreena McKennitt a viagem fica no meio do caminho. Não que isso possa significar fracasso tipo não vale a pena. A cultura celta e oriental se juntaram em seu trabalho de new age ou world music que de alguma forma competia ou compete com Enya. O trabalho da descendente de irlandeses e escoceses agrega elementos eruditos ao folclore e sintetizadores em uma verdadeira mescla que sinaliza um quê de moderno em sua sonoridade e vocais sensíveis. The Best of Loreena McKennitt – The journey so far ingressa em um estágio em seu trabalho pode ser apreciado sem sustos, sem decepções e pode muito bem tocar fundo em o ouve. Passagens bem elaboradas cristalizam seu estilo e fornecem textura suave aos dias que chegam.

 

Coldplay: Parachutes

Coldplayparachutesalbumcover

A banda de Chris Martin é densa e percorre caminhos entre a melancolia, densas melodias e riffs de guitarras em consonância com as estruturas de suas harmonias.  Pulando de gêneros alternativos dentro do espectro do rock, o Coldplay consolidou uma forma e uma estética próprias. Ousadias, experimentalismos e trabalhos de texturas ricas dão ao grupo criatividade para se juntar a poucas outras como umados melhores do mundo. Exagero? Talvez, mas o Coldplay trabalha com muita gana e força e desliza com naturalidade no universo musical. Banda fantástica.