Original Soundtrack: High Fidelity

 

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O filme dirigido por Stephen Frears, estrelado por John Cusack, Jack Black e Tim Robbins traz uma trilha exuberante. E a história também sacode com uma espécie de “vida” que renasce: o vinil. É o personagem de Cusack, dono de loja de discos, ex-DJ, que vai conduzindo cada fio dessa trama, cuja teia é pura sonoridade dos anos 60/70, e vai passeando pelos gêneros à vontade. Afinal reunir em um mesmo álbum The Kinks, Love, Velvet Underground, Elvis Costello, Bob Dylan, Stevie Wonder, Stereolab, inclusive Jack Black é uma façanha para poucos. Cusack integrou o time de produtores da coletânea. Ela sobrevive ao tempo e se acomoda à perfeição ao enredo e personagens. Se o filme desliza aqui e ali, a trilha é mais que destaque. Daquelas que ficam presas em nossa memória e mesmo que seja em cd vale a pena, enquanto o vinil não chega.

 

Tom Waits: Blood money

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Disco de 13 canções escritas por Tom Waits, Kathleen e o dramaturgo Robert Wilson. A veia teatral, muito viva e rica em Waits, desperta sempre atenção. A partir do texto de Georg Buchner, de 1937, o álbum foi concebido ou inspirado, a escolha é sua, da peça Woyzeck com toda a sua história alucinante, que oscila entre o terrível e o alegre, e por vezes nostálgico. No que cabe as linhas melódicas, há elegância, sutileza, o quê dramático que caracteriza TW. Concorre para isso, a presença de instrumentistas do peso do bluesman Charlie Musselwhite, Larry Taylor, Andrew Borger, Colin Stetson, o ex-Police Stewart Copeland e PJ Harvey. Espalhados e bem acomodados ao longos das faixas, não necessariamente juntos nelas, alimentam todas as contradições da proposta musical, tornando-a proprietária de uma estética muito “simpática”, pois há espaço inclusive para o amor dentro desse universo. Blood money é um trabalho digno, sensível, denso. É o homem e suas fraquezas. É o homem iluminado. E nos remete para uma época mais presente que o passado possa imaginar e o futuro esperar.

 

REM: Automatic for the people

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Para a promissora década de oitenta, o REM teve um significado importante. Ao ingressar no cenário alternativo do rock, Michael Stipe, Peter Buck,  Mike Mills e Bill Berry foram construindo os alicerces que fixaram a banda no mundo da música. Gravações independentes até 1991, consagraram o seu jeito de compor e tocar. Depois, em grande gravadora, embora tenham se deixado levar mais para o rock cristalino, não perderam de vista a essência e chegaram Out of time e Automatic for the people com o sucesso se multiplicando. Os álbuns que vieram após, ainda que aqui e ali tenham lá suas diferenças e alguma perda da estética original, consolidaram o REM. Em especial Around the sun e New Adventures in Hi-Fi, por exemplo. Em 2011 encerra como grupo, deixando um legado denso e muito rico para o rock alternativo, principalmente.

 

Ivan Vilela: Paisagens

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Música brasileira. Autêntica. Raiz profunda da terra. A viola dedilhada com a paixão e o sabor da fruta madura da vida. Da promessa do futuro. Da bagagem do passado. Da realidade do presente. É muito complicado tentar escrever sobre Ivan Vilela. Sobre o violeiro. Sobre a pessoa, com quem tive a felicidade anos atrás de trocar correspondência por escrito. Isso mesmo, palavra escrita à mão, tinta de caneta. Simples, aberto, alma repleta de sonhos e viagens, me convidou a fazer uma pela interior do Brasil. Não havia como ir. Fiquei eu no sonho, ele na viagem, criando mais espaço em sua bagagem. Paisagens é uma obra desse tempo. E desde então, faz parte da minha bagagem. Ivan Vilela, mais que violeiro, um encantador de canções.

 

PS: A imagem de “Armorial” não possui qualidade, mas sugiro fechar os olhos e apenas se deixar levar por suas tessituras.

 

The Belle Brigade: Belle Brigade

BelleBrigade

Duo de irmãos Barbara e Ethan Gruska, com vocais, composições e instrumentalizações que navegam entre a suavidade do folk e a aceleração, muitas vezes, do rock. Na bagagem, influências definitivas de Simon & Garfunkel, The Everly Brothers, The Beatles e uma participação notável no disco Chimes of Freedom: The songs of Bob Dylan com o cover de “No time to think”. Algumas canções apareceram em trilhas de filmes, e continuam entre o folk e o rock. Melhor é conhecer o universo do The Belle Brigade.

Iamthemorning: Lighthouse

in the morning

O duo russo formado por Gleb Kolyadin e Marjana Semkina, apoiados por convidados e uma banda competente, surpreende com texturas quase etéreas, repletas de harmonias bem definidas e complexas sempre conduzidas ora pela voz de Marjana ora por seu piano. A sonoridade “progressiva” é bem ambientada e soa tranquila e suave, arrebatadora em muitos momentos. Um disco para se ter quando a vontade de mergulhar para dentro de si mesmo for imensa.