BÉLGICA *22.03.2016

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Nei Lisboa: Translúcido

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O Nei Lisboa é dos maiores compositores e intérpretes do nosso sul brasileiro. Cáustico, romântico, sarcástico, bem-humorado, lúcido, sensato, sensível, talentoso, conhece como ninguém a linguagem de todos nós. Seu jeito silencioso diz muito. Diz tudo. Gravado em disco maravilhoso por Simone Capeto (Bom Futuro) teve sua obra visitada por Ná Ozzetti em recente projeto da UFRGS, que até hoje espera a gravação se tornar disco tamanha a densidade e encontro entre ambos. Nei é (trans) lúcido. Basta ouvir suas canções.

 

Guillo Espel en el Teatro Colón

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Guillo Espel é compositor, pesquisador e instrumentista incansável. Faz da junção dos gêneros – erudito, tango, música popular, folclore – sua vertente, seu ponto de partida para as harmonias que nascem ao natural. Foge da massificação e traduz o trabalho com toques de sofisticação sem criar, no entanto, qualquer espécie de muro separando-o do público. Talento à disposição em qualquer disco. Em cada canção. Em cada local por onde passa. Agora, chega com cd/dvd de apresentação no emblemático Teatro Colón da capital porteña. Riqueza pura o repertório, os convidados, entre eles Lito Vitale, Pablo Agri, David Lebón, Jorge De La Vega e Fernanda Morello. Pra um domingo em que a estação começa a ganhar novo nome: a sensibilidade do Guillo.

Jeff Buckley: You and I

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O filho de Tim Buckley seguiu seu próprio caminho. Muitas vezes o timbre de voz o aproximava do pai. E o jovem cumpriu em seu curto tempo de vida trajetória inspiradora e densa na música. Capaz de recriar a níveis elevados canções consagradas e fazer suas próprias composições, com apenas um disco gravado em vida o tornou um ícone. Folk ou rock não importa o rótulo. Assim como fez covers, sua obra também é visitada e revisitada com frequência. Cada disco, seja coletânea ou não, é um horizonte de possibilidades. Por aqui, um pouco mais de Jeff, e um Bob Dylan por ele com sensível corda de violão e um vocal arrasador.

 

 

Winterpills: Echolalia

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O quarteto de Massachusetts assombra. Pela qualidade. Dennis Crommett (guitarra), Dave Hower (bateria), Philip preço (vocal/guitarra) e Flora Reed (vocal/teclados) são criadores por excelência. Exagero? Pode ser, talvez seja, mas o acústico do Winterpills expande horizontes. Esse que de indie/folk/rock alicerça seus músculos sonoros. E é no repertório de Echolalia que repousa essa força. Covers de Nick Drake, Beatles, Beck ou Buddy Holly alimentam suas performances. É o suficiente? Não sei, apenas sei que o player se conecta a essas harmonias e não há jeito de desligar. Aproveite também.

Orquestra Sinfônica de São Paulo, Banda Mantiqueira e Mônica Salmaso

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Há muito Mônica Salmaso é uma intérprete de ponta no Brasil. Seus discos são água esverdeada nos oceanos por onde navega. E seu talento vai além: está sempre junto de obras de novos instrumentistas, compositores, bandas, orquestras. É dessa e nessa diversidade que sua voz encanta. Com a Orquestra Sinfônica de São Paula e a Banda Mantiqueira, e mais John Neschiling, a música ganha serenidade, paz, esperança, consciência. Tudo o que mais necessitamos. Um disco magnífico. Uma ponte segura a ser atravessada e ao chegar encontrar os sonhos.

Moda de Rock: Viola Extrema

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Os riffs de guitarra substituídos por outros tantos instrumentos mundo adentro é quase lugar lugar comum. Transpostos para outros gêneros, sempre causam espécie e velejam sobre as águas de suas próprias harmonias. Faz bem essa transversalidade. Oxigena a todos. Ao encontrar Viola Extrema dos violeiros Ricardo Vignini e Zé Helder os clássicos do Pink Floyd, do Led Zeppelin, Iron Maiden, Beatles ou Metallica também encontrei uma sonoridade bem típica do Brasil interiorano. E não criativo. Ao contrário. E é nessa diversificação dos instrumentos – aqui é a viola caipira – que o repertório cresce e ganha tantos timbres quanto o arco-íris em cores. Trabalho tranquilo, doce e sobretudo à brasileira de muita expressão e beleza.