Traveling Wilburys: Vol.1 & Vol.3

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Se você entrar em uma loja de discos, encontrar um sem foto de capa, e com esses nome Nelson, Lefty, Otis, Charlie T. W. Jr. e Lucky ou Spike, Clayton, Muddy e Boo todos Wibury, com certeza não compra. Mas, se você souber que Nelson é George Harrison, Lefty é Roy Orbison, Otis é Jeff Lynne, Charlie é Tom Petty e Lucky é Bob Dylan ou ainda Spike e George são a mesma pessoa assim como Clayton, Muddy e Boo são Jeff, Tom e Dylan, o disco vai parar em sua coleção na hora. E tudo isso começou com a gravação do single do álbum Cloud Nine do Harrison, em 1988. Juntos, a química foi perfeita a ponto de continuarem com a brincadeira e formaram o Traveling Wilburys. O folk, o rock, o country e as leituras de cada um ganharam cores brilhantes. Cada um com seu jeito,  com a criatividade a milhões, produziram o suficiente para colocarem o Traveling entre os melhores. A morte de Roy, em dezembro de 88, fez com que gravassem ainda mais um disco, o Vol.3 embora pela ordem natural era o segundo registro do grupo. Mais tarde, no início dos anos 2000, e antes da partida de George, ele compilou o trabalho dos Traveling Wilburys, e para a nossa sorte, podemos encontrar seus discos. mais que uma recordação, a prova de que talentos juntos possuem um estado de criação envolvente e capaz de catalisar o universo musical dentro de nós.

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Al Di Meola: Elysium

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Al Di Meola é mais que um guitarrista inovador quando apareceu na cena musical dos anos 70. De um criador incansável, ele continua o mesmo, e de técnicas que nasceram com o seu jeito de tocar, está ficando para trás. E em sua bagagem, que não é pequena, acumulou a experiência necessária para o salto de qualidade que possui e se renova a cada disco. Para quem fez ou faz companhia para nomes do calibre de Paco De Lucia (já falecido), John McLaughlin, Chick Corea, Stanley Clarke, Jean-Luc Ponty, Return to Forever, ou ter como parceiros também o russo Leonid Agutin, o italiano Andrea Parodi, a húngara Eszter Horgas, o tcheco Jan Hammer, o japonês Yutaka Kobayashi e gravar discos com composições de Astor Piazzolla (Meola Plays Piazzolla) e Beatles (All Your Life) apenas consolidam sua versatilidade em qualquer gênero para além do jazz e da fusão que é a sua marca. Elysium é um álbum latino em sua concepção. Claro, e isso é inevitável, com suas nuances jazzísticas. E é exatamente nesse vasto campo da criação que Di Meola transita alguns anos sem a agressividade do jovem e com a tranquilidade de um instrumentista maduro e no seu auge. As canções se entrelaçam com tanta naturalidade e expressão que qualquer uma que você escolha o fará feliz. A unidade do disco é toda ela costurada pelo multi-instrumentista, e por seus convidados de luxo, que o acompanham com  mesma pegada e ritmo. Um disco maravilhoso e indispensável.

Neil Young: Bluenote Café

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Neil Young é dono de uma versatilidade musical que o faz transitar entre o folk, o rock, o heavy e até mesmo o blues. Foi o que fez em 1987. Fez da sua Crazy Horze a Bluenote e mergulhou no universo do blues. A estadia nessas terras durou muito pouco. O suficiente para colecionar alguns shows, registrá-los e ficar naquela de algum dia pôr de novo na rua. É o que acontece agora. Bluenote Café é uma compilação de onze dos seus shows, sem uma ordem de data, e alguns exercícios de guitarra que oscilam entre o blues e o folk. A natureza de Young é inegável, o seu talento se associa a ela e o resultado é, embora possa parecer apenas uma mistura de tudo que havia feito até então, é muito bom. A base rítmica e harmônica garantida pela banda, deu ao canadense a solidez necessária para poder transformar algumas de suas canções em quase épicos recheados de riffs de guitarra, bem a seu gosto. Hoje, passado tanto tempo, soa tranquilo e mostra uma das tantas faces do cantor e compositor. Ousar sempre foi o seu verbo preferido. Por isso, Neil Young é Neil Young para todo o sempre, felizmente para nós.

 

Bob Dylan:The cutting edge – 1965-1966

bob dylan cutting

O 12º volume da série Bootleg traz Bob Dylan em toda a sua genialidade. mais que isso, mostra o como transforma suas canções em canções nem sempre definitivas e o quanto persegue o que acredita ser o melhor em relação a cada uma das suas composições. The cutting edge abraça os anos 1965 e 66 e três discos: Bringing it all back home, Highway 61 revisited e Blonde on Blonde. Período fértil, cada álbum uma obra-prima. Dylan em sua melhor forma, sem concessões. As músicas foram trabalhadas à exaustão. Seja na forma, nas palavras, no ritmo ora acelerado ora mais lento, quase balada, e vai fazendo com quem ouve também mudar a sua sensação, o seu sentimento. De repente, pega-se uma dela, qualquer uma, ouve o take 1 e o take final, depois de várias “transformações” e ouve-se outra canção. E o que não surpreende, afinal falamos de Mr. Robert Zimmerman, é a sua capacidade inesgotável de criar. A caixa  é uma preciosidade, takes de uma mesma música se repetem e nunca é a mesma canção. Para ser ouvido com calma, sem pressa, e para quem quer conhecer cada modificação em músicas clássicas ou nem tão conhecidas assim do repertório do bardo Dylan.

 

Anna Von Hausswolff: The Miraculus & Singing from the grave

Anna Hausswolff

A pianista sueca Anna Von Hauswolff  compõe e canta com equilíbrio e densidade. 2010 fica como uma marca do começo: Singing from the grave. Por óbvio, as comparações também começaram: um quê de Kate Bush, por exemplo. Todavia, o equilíbrio e o diferente em Anna, cujo rótulo aparece em pop/rock, está na forma, na estética: toca órgão de igreja. Integra-se ao ambiente. Marca seu território em nuances próprios e distantes dessas comparações comuns e ávidas feitas por alguns críticos mais apressados. A sueca possui talento. Abre espaços para qualquer gênero. Suas teclas são universais. Suas mãos deslizam suaves no folclore, no gótico, no pop, até mesmo no metal. Por que não? E faz a mescla de rock com músicos clássicos. The Miraculus é uma síntese dessa forma e estética que a torna por vezes sonhadora, delicada e em outras com o humor abaixo da linha dos olhos. Transforma sua voz em instrumento, entrelaça-a com o órgão. Tinge as faixas dos discos que gravou com tantas possibilidades, com intensa alternância de voz e sons cada audição é um momento diferente e único. Eis aí o equilíbrio, a intimidade, a delicadeza, o acolhimento que a música de Anna envolve quem a ouve. Por ser diferente, faz a diferença. Ouça com atenção.

Gravenhurst: The ghost in daylight

Gravenhurst

Gravenhurst era Nick Talbot. O inglês foi de tudo um pouco, um pouco de tudo: jornalista, multi-instrumentista, cantor, compositor. E com seus trabalhos solos foi criando uma teia maior de canções mais alternativas de rock, deixando o convencional para trás. E foi juntando outros músicos. E outras vozes. As composições, mais para o sombrio, para o folk possuem intrincadas soluções harmônicas, variando de um solo de guitarra mais alto a um simples dedilhar de cordas. The ghost in daylight é um disco atmosférico, sem cair no ranço midiático. Ao contrário, há muito de canções do folclore, do popular, acústicas e vocais tecidos com cuidado para cada acorde. Aqui e ali você vai encontrando influências marcantes na criação de Talbot.  E elas apenas fortalecem o Gravenhurst. Outros trabalhos do grupo (1999-2014) sempre tiveram o selo de Nick até a sua partida. Música que envolve, faz a respiração cadenciar o ritmo, atenua o caminhar áspero dos dias de hoje, e ao ingressarmos em sua essência sonora, a esperança renasce com densidade.

Humanidade: Fronteiras fechadas

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2015. Século XXI. Será? Boate Kiss, Santa Maria. Mariana, Minas Gerais. Paris, França. Líbano. Síria. Imigrantes náufragos. E a lista não para de crescer. 2015. Século XXI. Será? Dia após dia, a humanidade fecha suas portas. E nós perdemos a chave para abri-la. Ontem, Mariana, o desastre, dezenas de vidas perdidas e desaparecidas. O Rio Doce assassinado. Milhares sem água, sem alimentos, sem vida. Ninguém preso. Hoje, o terror em Paris. Mais de centena de vidas sem vida. Em nome de quê? E amanhã? Será que amanheceremos?