Luciana Souza: The Book of Chet

Luciana Souza

Discos homenagens são sempre uma surpresa. Tanto pode ser agradável quanto pode ser o oposto. E nem se trata de superar o original. Não, absolutamente não. Até porque superar Milton Nascimento, por exemplo, é muito mais que um exercício, é muito mais que um esforço que beira ao sobrenatural. Milton é Milton assim como qualquer artista é o que é pelo que soube construir em sua vida. Isso significa que trabalhos voltados à homenagens são destituídos de originalidade ou são inválidos? Mais uma vez o “não, absolutamente não” entra em cena. A brasileira Luciana Souza, cantora de matriz jazzística com menos sabor picante e mais introspecção nas teias do trompetista e cantor Chet Baker, em The book of Chet, cuja história de vida é uma história e tanto. Rende muito mais que discos. Todavia, o talento de Baker é inegável assim como Luciana penetra nessas harmonias com intimidade. E é nela, nessa intimidade, que sua voz vai construindo um outro tipo de intimidade: a nossa. Ao não escolher tão somente os clássicos de Chet, a brasileira conquista um espaço mais amplo entre os apreciadores da música de Yale. Afinal, para quem esteve ao lado de Charlie Parker, Gerry Mulligan e o lendário Stan Getz, a história reserva lugar cativo. Seu jeito econômico e ao mesmo tempo repleto de improvisações criaram um amplo espectro de possiblidades melódicas, que soube explorar como ninguém. E se o nosso olhar for mais atento vamos encontrar pontos muito comuns a Bossa Nova. Seriam os nossos compositores recebido influência de Baker? Ou será que foi o contrário? Questão em aberto, isso por certo pouco importou para Luciana, que vive mais fora do Brasil que em terras brasileiras. E o jazz é sua companhia fiel. Gravou com nomes expressivos do gênero como Hermeto Pascoal, Romero Lubambo,Kenny Werner, John Patitucci e Herbie Hancock, além de flertes explícitos com o folk de Paul Simon e James Taylor. A paulista não se intimidou e ancorada pelo marido, o produtor Larry Klein, e com um trio formado pela guitarra de Larry Koonse, o baixo de David Piltch e a bateria de Jay Bellerose, mergulhou nas músicas escondidas do norte-americano. E o disco mostra uma intérprete segura, sensível e capaz de revelar toda a magnitude da obra de Chet Baker seja em canções mais reflexivas ou em canções descontraídas. Luciana Souza pode fazer do domingo um dia de música que tranquiliza as aflições do cotidiano. Aqui, logo abaixo, uma “pequena” coletânea com Luciana.

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