Minicontos & Música: Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Tatiana Parra, Lito Vitale…

PEN FOTOS 060

I

No presente, o agora, dentro do círculo, é a saída.

II

Por ser larva, o voo é um ciclo. Por não ser larva, a palavra é o voo.

Foto: Chronosfer – Roma.

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Fito Paez: No sé si es Baires o Madrid

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Uma confissão: custei bons anos, esses estão acumulados lá atrás no passado, para gostar do Fito Paez. O motivo exato nunca soube tampouco percorri corredores ou subi escadas para saber. Então, um dia a capa de No sé si es Baires o Madrid  me chamou a atenção, as cores, o p&b, o Baires, o Madrid. Uma conjunção visual perfeita e ao mesmo tempo discreta e criativa. Não pensei duas vezes, o cd da compra na loja para o player aconteceu com rapidez. Não me arrependi. É um belo disco. O muro que havia erguido em setenta minutos ruiu.Felizmente. Um repertório com seus clássicos gravados no Palacio de los Congresos em Madrid (2008), convidados da grandeza de Pablo Milanés – “Yo vengo a ofrecer mi corazón” -, Joaquin Sabina – “Contigo” -, Gala Evora – “Un vestido y un amor” – e outras canções como “El amor después del amor”, a encantadora “11y6”, ou a estonteante “Mariposa Tecknicolor” aquecem o coração. Com certeza nos torna mais leves, mais afeitos à vida, a levantar âncora e seguir até o fim do mundo. Em Baires o Madrid o todo se completa e se faz presente. ( e pensar que tudo começou com a capa desse disco…)

Madredeus: Ainda

ainda

Linguagens como cinema, palavra e música marcam frequentes encontros. Diferentes entre si, dialogam na diversidade de cada um e o mistério se completa e torna a vida mais rica e densa e interessante. Ainda do Madredeus foi concebido para ser trilha sonora do filme O céu de Lisboa do diretor Win Wenders. Foi mais que isso. Transformou-se em um disco cinematográfico por traduzir em melodias a fotografia da capital portuguesa. Mais além, coube trazer para dentro das harmonias a luz e as sombras do cotidiano da cidade. Suas histórias, seus andares pelas ruas, suas gentes. Faixas hipnóticas pela interpretação afetiva de Teresa Salgueiro, pelo talento de Pedro Ayres Magalhães e Francisco Ribeiro, revelam uma atmosfera apaixonante e aprisiona quem cai nessa teia de sensibilidade. Um disco de beleza singular, cuja leveza é âncora.

Da leveza da vida pela música e suas harmonias para o domingo: Bob Dylan, Paul Simon, Crosby, Stills & Nash, Jeff Buckley, Pat Metheny & Paulinho Moska

A transversalidade da música com outras expressões e sensibilidades: o cinema, o rádio, o estúdio, o público, a densidade de um festival, a solidão do músico. E nós, cada um com seu jeito de ser, vivendo juntos essa leveza das harmonias em nossas vidas.

Tim Buckley, o folk/rock e o cool jazz harmônicos

Tim Buckley

Tim Buckley viveu pouco tempo. Aos 28 anos deixou para trás a vida e todo o talento, por vezes incompreendido, do seu folk/rock do início de sua carreira à maneira de Bob Dylan. Oouco depois, a sonoridade foi se transformando até chegar ao cool jazz, certamente influenciado por Miles Davis, no magnífico Happy Sad de 1969. Seu disco é uma profunda reflexão sobre o amor, lembranças, encontros, distantes avenidas em que as melodias vão também marcando encontro com sua sensibilidade. Seus trabalhos seguintes continuaram com as linhas do jazz porém, mais próximo do fim, retorna ao pop. O pai de Jeff Buckley, também partiu cedo, deixou um legado de harmonia e beleza a ser guardado bem fundo dentro de nós.

Foto capturada no site http://www.eameat.org