Miniconto XXX: Velez

Outro pequeno exercício de texto feito em sala de aula.

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As manhãs não amanheciam nos céus de Velez. Há muito os fogos brilhantes do sol caíram pelos trilhos e sumiram das vistas da cidade.
Chegaram os ventos. Levaram os varais para dentro dos olhares, para o fundo das retinas. Então, em mais uma manhã fria, doente, Velez enxugou os coágulos do sereno. Misturou carne, músculo e laço. E do impreciso das horas povoou imagens com uma paixão repentina.
O poste de luz, silencioso em sua luz apagada, desprendia-se como pó em sua curva de metal cansado e velho.
Velez morria e não deixava lembrança. Os trilhos não iam para lugar algum, e a chuva molhava os restos dos ossos.
Velez estava dentro da sombra e a sombra era o furacão.

Música: Astor Piazzolla – “Jorge Adiós”, da trilha sonora do filme Chove sobre Santiago.

James Taylor: Before This World

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Às vezes, leio ou escuto a expressão “depois de tantos anos quebrou o silêncio”. O que será exatamente quebrar o silêncio? O escritor não lançar nenhum livro novo? O cantor/compositor ou banda não lançar nenhum disco de canções inéditas? A resposta toma esse caminho e assim é quando leio que James Taylor lança Before This World após treze longos anos de “silêncio” após October Road de 2002. De canções inéditas, fique claro. Treze anos depois e dez canções, pouco mas de 41 minutos e quase nenhuma ou nenhuma novidade. Taylor sempre foi uma espécie de músico de transição entre os conturbados anos sessenta, onde aparece na cena musical, e os anos que viriam, onde a introspecção, a frustração, a exaustão de gerações convergiam de forma assustadora. Seu folk ou folk rock alimentado por uma acoustic guitar e uma voz serena deixava as plateias e quem escutasse seus discos tranquilos. Não que representasse um estado de alienação, ao contrário. Se as questões mal resolvidas lá dos anos 60 em nível político-cultural continuassem mal resolvidas é bom que se diga que continuam assim. Se antes havia a Guerra do Vietnã, hoje assistimos como se fosse um jogo qualquer o Afeganistão, o Iraque, assistimos ataques fundamentalistas, violências ao vivo reproduzidas pelas televisões e internet a qualquer hora do dia. Mudou para pior. No entanto, o trabalho de James Taylor parece ter parado no tempo. Se em 1970 cometeu a pérola chamada Sweet Baby James, e é verdade que após também teve outros bons discos, em especial os dois volumes de Greatests e outros como Never Die Young, Dad Love His Work, JT ou Mude Slide Slim além do October Road, ele não perseguiu as transformações que o tempo de alguma forma exige. E dele era de se esperar essa transformação pelo menos estética. Claro que neste Before há arranjos mais eloquentes, uma acoustic guitar suave porém definitiva, os vocais de sempre, e letras mais ousadas. Há passagens belíssimas como “Today Today Today”, “You and I Again”, “Snowtime” e a faixa título “Before This World”. Se não é um James Taylor em plena forma, é um James Taylor que se escuta com a serenidade que os dias de hoje exigem. Sem quebrar o silêncio.

Testament of Youth: a film by James Kent

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Aos dezessete anos os sonhos transbordam. Tal qual um tsunami, não têm medo dos obstáculos que os impeçam de avançar. Sonhos não destroem vidas, flutuam até um dia se tornarem realidade. Ou não. Como seria sonhar e viver em 1914? Ter exatos dezessete anos, nos meses que estavam quase ao alcance da 1ª Grande Guerra Mundial, para Vera Brittain (Alicia Vikander) era um universo de amizade e amor por Roland Leighton (Kit Harington). Testament of Youth, com a mão segura de James Kent, entra nesse mundo de Vera. A biografia da jovem que viveu os amargos anos em que durou o conflito bélico (1914/18) é reflexivo e atual. Pular dos sonhos para a realidade, penetrar em um universo onde a dor, a contagem do tempo pode ser de apenas segundos entre a vida e a morte, e a perda são os companheiros mais fiéis de um tempo sombrio é um envelhecimento da humanidade para o lado ainda mais sombrio que é capaz. O processo de amadurecimento da jovem Brittain, de seus irmãos e amigos são fotografias de hoje. Os anos e as formas de combate mudam. Os atos são os mesmos ou piores. Se em 1914 a tecnologia era absolutamente quase nada em relação aos dias de hoje, se os recursos médicos ainda eram limitados, se as armas mesmo mortais eram menos sofisticadas, a essência do ser humano continuou (e continua) sendo dominadora independente de época. A capacidade que possuímos para a paz parece se desfazer com a ambição pela conquista. E essa espécie de conquista não é catalogada como sonho. A narrativa é dolorosa e densa. Vai povoando a vida interior e exterior de Vera e dos personagens. Forja ainda mais seu caráter, sua personalidade, sua coragem. Seu humanismo. Traçar um paralelo com 2015 parece ser cruel. Não é. Basta um único olhar para dentro do que acontece em nossos dias para que nossas peles sintam a verdade queimar impiedosa sobre nossas consciências. Um filme pesado, concreto e sem muitas palavras. Para que possamos olhar a vida com discernimento e jamais deixarmos de sonhar.

Conto sem nome…

Em 2004, participei durante o ano todo, da Oficina de Criação Literária pela Faculdade de Letras, departamento de pós-graduação, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, ministrada pelo professor e escritor Luiz Antonio de Assis Brasil. Além dos estudos, muitos exercícios de textos, com textos que eram feitos à queima-roupa. O escrito abaixo, é um deles. Imaginar ser um livro com defeito em uma livraria.

Livros

Hoje vai ser um dia especial. Tenho certeza. Sei que não saí igual aos meus outros irmãos de nome. Não foi culpa do nosso pai que algumas das minhas partes ficaram com marcas e outras nenhuma. Sei que não sou perfeito. Por isso, estou aqui, misturado a tantos iguais da mesma espécime neste balaio de cordas trançadas.

Antes, cheguei a conhecer, ainda que por pouco tempo, uma estante de livraria. Lembro a primeira vez em que um homem me encontrou ali, junto aos meus irmãos.

Escolheu logo a mim, cheio de defeitos e imperfeições. Não posso esquecer os seus olhos quando viram minha 14ª página em branco e o susto que levou ao descobrir que faltava um bom pedaço do meu corpo no quinto capítulo. E sua voz grave falando para me tirarem dali.

Foi a primeira dor que senti. Fui jogado em um depósito escuro em meio a caixas e estantes metálicas cheias de iguais a mim. Não conhecia ninguém. Nem mesmo na livraria cheguei a conhecer pelo menos outros nomes. Talvez pudesse ter sido apresentado a alguns personagens, conversar com eles. Não tive tempo. Quantos dias fiquei lá? Três, quatro? Não sei dizer. Não estive no meu lançamento, não pude guardar dentro de mim uma dedicatória, ser tocado por outras mãos, visto por outros olhos, ser entendido no que estou dizendo toda vez que sou aberto. Nem mesmo tive a oportunidade de conhecer uma casa de família.

Agora, depois de meses somente olhando às vezes um facho de luz artificial, estou na rua. Dentro de um balaio. Não conheço ninguém. Não dá tempo para conhecer. Sempre chega alguém e pega um de nós. Poucos saem daqui. No primeiro dia estava na frente de todos, cheio de esperança. Continuei no mesmo lugar. Ontem, estava na parte lateral, em cima de vários outros, então espichei os olhos e vi a rua. Fiquei imaginando como é caminhar por elas, descobrir outras ruas, outras mãos que pudessem ser sensibilizadas pelo que tenho dentro de mim. Mas não. Continuo esquecido. Não, esquecido não, sou deixado de lado pelas imperfeições que tenho, mesmo que a culpa não seja minha. Será isso o que chamam de discriminação? Não pode ser. Antes de me pegarem ninguém sabe dos meus problemas. Poucos percebem que minha capa está dobrada e o quanto isso me dói. Mesmo com todas as imperfeições que carrego, tenho partes que podem ser aproveitadas. Só que exigem perfeição. Sei que não sou perfeito. Esta é a minha realidade e destino, todos os dias são iguais, e hoje foi mais em que a esperança me esqueceu.

Como não posso alimentar as pessoas com a minha sabedoria, e a de meu pai, vou alimentá-las com o meu corpo, quando, depois de passar pela guilhotina, for levado para uma usina de papel reciclado.

Música: “Livros” – Caetano Veloso

 

Miniconto XXI: Coroas de Cristo

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Coroas de Cristo

Os vincos nas costas doíam. As mãos não alcançavam o dorso. Sentia crescer, entre a pele e a carne, finas camadas de coágulos. O corpo curvou-se, os ossos estalaram. Ao encontrar o chão, descobriu Coroas de Cristo. Os espinhos avermelhados recolheram-se, deixando tesa e acinzentada a retina envelhecida.

No outro lado da rua, as janelas fecharam-se, os vizinhos retornaram às suas tramas caseiras.
O inverno é apenas um dos quatro cantos do Tempo.

(Promessas do Sol – Milton Nascimento/Fernando Brant)

Fotos e montagem: Chronosfer

Ornette Coleman: o sax do Free Jazz

Ornette Coleman

O jazz se divide em tantas possibilidades que grandes nomes deixaram atrás de si e à frente tantos outras possibilidades. Ornette Coleman foi um desses que não se limitou a apenas ser um instrumentista, sem demérito algum, por favor. Coleman traduziu o seu saxofone na linguagem mais definitiva, quem sabe, do universo jazzístico. Deu a ele um novo carimbo, com identidade própria, data de nascimento e paternidade. o Free Jazz nasceu com os seus sopros no momento em que, entre os anos de 1959 e 1960, lançou The Shape of Jazz to Come e Free Jazz. Estilo, estética, sentido, significado começaram a frequentar as harmonias criadas pelo texano e, ao mesmo tempo, em sentido oposto, as críticas, a hostilidade, afinal, mais ruptura em um gênero que toca fundo a alma. Isso apenas foi acontecer após várias tentativas de tocar com músicos conhecidos e fracassos acumulados. Somente quando encontrou Don Cherry e Charlie Haden, falecido em 2014, é que sua explosão de ideias ganhou adeptos consistentes. E Nova York foi a casa que acolheu a mudança do jazz, embora os opostos continuassem frequentando as críticas: ou gênio ou embuste. Na verdade, as transformações já vinham acontecendo, as influências, em especial do clássico, modificavam os conceitos musicais que atingiram em cheio o jazz. E isso também significa uma mudança nos instrumentos que tocavam, deixando o acústico e partindo para o eletroacústico. Esse deixando, não tem o significado de abandonar, apenas houve uma migração de instrumentos e é nesse momento que a transgressão acontece. E Ornette Coleman assume seu papel de protagonista ao trazer às suas canções a nova filosofia de composição e improvisação em que os timbres, a melodia, as harmonias e o andamento rítmico livres eram a base para a progressão gradual das composições. Liberdade para ler e reler e estruturar e reestruturar melodias, reinventando cada uma delas, proporcionando aos instrumentistas liberdade de diálogo entre os seus instrumentos. E, por óbvio, o convencional ficou para trás. Coleman trouxe para o presente e para o futuro a discussão mais densa do que é liberdade, da expressão Free na música. Foi mestre e influência definitiva para muitos músicos. Entre eles, com quem inclusive tocou e gravou discos, Pat Metheny com o controvertido Song X com o velho amigo Haden no baixo, Jack DeJohnette na bateria e o seu filho Denardo na percussão. É um trabalho complexo, para muitos inaudível, para outros genial, no entanto resta ao tempo a decisão sobre a obra, se a primeira opção ou a segunda. Fica, no entanto, a certeza de que o músico que nos deixou aos 85 anos é tão somente o criador do Free Jazz. É pouco? Escute sua obra e decida. Vale essa viagem a todos os seus sentidos. Você se sentirá renovado.

Foto: EFE

Orquestra Popular de Câmara: MPB mescla gêneros e influências

OPC

O dia de hoje tinha dono: Ornette Coleman. Deixo para amanhã. Merece uma segunda-feira nobre. Fica o domingo com a Orquestra Popular de Câmara. Trabalho vigoroso e repleto de talentos e sensibilidades. Um andar pelos tecidos musicais do Brasil e de seus acolhimentos de todos as partes que aqui chegam ou que de lá são trazidas. O contemporâneo e o tradicional juntos. Ainda que não seja novidade, a presença de outra mescla, a de instrumentos, marca o andamento das canções. Assim, convivem em harmonia e criando harmonias o violoncelo, o piano, a zabumba, o acordeom, o bandolim, as flautas indígenas e os saxofones. Um encontro sem fronteiras, um encontro que rompeu com as mais insistentes fronteiras. O virtuosismo de Benjamim Taubkin, Teco Cardoso, Caíto Marcondes, Paulo Freire, Naná Vasconcelos, Mané Silveira, Lui Coimbra, Guello e Ari Colares, Ronem Altman, Sylvio Mazzuca Jr., Dimos Goudaroulis, Toninho Ferragutti, meu deus, faltou algum nome? A voz de Mônica Salmaso. tem cheiro e sabor de movimento musical tamanha a dimensão que os instrumentistas dão ao corpo sonoro que criam. A originalidade, a inovação expressam mais que sentimentos, assumem o quanto a música instrumental brasileira é rica e densa por eliminar qualquer foco de resistência ás convenções que muitas vezes são impostas aos músicos. A Orquestra Popular não olhou épocas, nem autores, nem regiões do mundo para realizar seu disco. Apresentou. E é da fusão dos gêneros e das influências que cada música ganha vida própria como se fosse composta especialmente para o álbum. Trabalho magnífico e faz o domingo frio desse amanhecer gaúcho ter um gosto suave e feliz.

Perdemos Fernando Brant *1946+2015 e Ornette Coleman *1930+2015

Fernando Brant

A cada dia que vivemos dos dias que nos cabem viver fica mais próxima a linha do horizonte. E do quando iremos saber o que há depois dela. Ontem, dia demasiado agitado, sem noticiário às mãos, uma espécie de silêncio consentido me deixou distante desse cotidiano de notícias e outras realidades, e sonhos também. E foi também o primeiro dia em que o frio do inverno mostrou sua face aqui na extremidade sul do Brasil. Manhã de sábado não muito diferente de ontem, frio, uma suave névoa impedindo a passagem de alguns raios de sol, ruas desertas, café bem quente. Jornal aberto e em destaque a partida de Fernando Brant e Ornette Coleman. O mineiro de Caldas, ontem. O texano, na quinta-feira. Aquele silêncio que me acompanhou o dia passado se impõe hoje. Mesmo as palavras parecem se recusar a seguir o comando das teclas e gritam para não serem comprimidas no teclado e nascerem na tela branca. Dias atrás, em meio aos meus discos e escolhendo alguns peguei um duplo do Milton Nascimento sobre a sua trajetória, disco que agora não consigo achar, onde o coloquei? E lembrei que na década de 90 (acho que foi em 1993), o ano exato foge à mais simples lembrança minha, a Coordenação do Livro e Literatura da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre promoveu um seminário chamado “Com a palavra a letra”. Encontros, debates, oficinas, shows com Ronaldo Bastos, José Miguel Wisnik, Wally Salomão, Ná Ozzeti, acho que Alice Ruiz também veio, enfim, uma infinidade de nomes, e de artistas e compositores do Rio Grande do Sul, com os de fora,
fizeram um seminário maiúsculo. Fernando Brant estava entre eles. Cobri o evento como repórter da revista Porto&Vírgula. Foi muito complicado separar o profissional dos meus ídolos. E o Clube da Esquina é, para mim, o maior de todos os nossos movimentos, claro que reconhecendo Bossa Nova, maravilhosa, Jovem Guarda, cumpriu extraordinário papel em um período complicado de nossa história, Tropicália, sem muitas palavras, Tropicália é Tropicália, o Movimento Artístico Universitário, de onde vieram grandes compositores, o Pessoal do Ceará, de São Paulo-Paraná nos anos 80, enfim, uma infinidade de movimentos que mexeram com todos nós para melhor. Conversei com Fernando uns quarenta minutos, dividindo esse tempo com outro colega, e tudo fluiu com espantosa naturalidade. Ele, contando suas letras, sua forma de escrever, de compor, de não falar sobre o trabalhos dos colegas, sempre disposto, ético, íntegro. Quarenta minutos que chegam velozes à minha memória em forma de saudade. Saudade pelo tudo e pelo todo que fez e ainda fará por todos através de suas letras e músicas cuja riqueza não há como medir. Nada será como antes, diria Ronaldo Bastos. Mas é preciso ter força, é preciso ter raça, é preciso ter gana sempre, diz o mineiro que nos deixou. Assim será, Fernando.

Foto: colhida do site http://www.cantosagradodaterra.blogspot.com

* Sobre Ornette Coleman, amanhã um texto.

Scott Feiner & pandeiro jazz

scott feiner

O jazz com suas improvisações desfez fronteiras. Criou possibilidades inimagináveis. Instigou músicos, instrumentistas, compositores, intérpretes. O público, muitas vezes dividido, conheceu o melhor de nomes como Miles Davis, por exemplo. Como o blues, não há sossego no jazz. Não pode haver. Nas rupturas formais, o novo. As combinações nascem. Scott Feiner não ficou insensível ao novo. Acreditou nas possibilidades abertas. E encontrou no pandeiro, tão característico da cultura musical brasileira, um parceiro. E de Manhattan ao Rio de Janeiro pareceu apenas um pulo. E o então guitarrista de jazz já conhecido por tocar com ícones como Brad Mehldau e Larry Golding, além de ter estudado com uma das lendas do sax Jackie McLean, inovou. Ao ser apresentado ao instrumento brasileiro a paixão foi imediata. Veio para o Brasil e transformou o pandeiro em sua vida e o fez ser a primeira sonoridade de percussão ser diferente, deixando a clássica bateria de lado. Assim, suas tessituras musicais ganharam uma dimensão sutil e generosamente criativa no universo jazzístico. As surpresas são discos como A view from below, dois mundos, acentos e pandeiro jazz, não na ordem de lançamento aqui listados. Todos com nominações para prêmios, todos com críticas positivas, todos com as surpresas também se renovando. Entrar no mundo de Scott Feiner é conhecer o quanto a música, independente de gênero, é capaz de mexer com a criatividade do ser humano e instigar o imaginário de quem escutar o que chega ao mercado. Um presente.

Hoje, em Buenos Aires, Guillo Espel imperdível

Guillo Espel

Guillo Espel

Charla Seminario “Composición: una trama continua e irresuelta”

Invitado al prestigioso ciclo de charlas organizado por el Laboratorio de Investigación y Producción Musical (LIPM), el compositor y guitarrista disertará acerca de sus obras (con audición de las mismas), la dinámica actual de la música argentina y la composición universal. La charla comenzará puntualmente.

Viernes 12 de junio, 19.00 hs.

Centro Cultural Recoleta
Junín 1930 | 
Aula LIPM, 1er. piso
Entrada libre y gratuita

Informes
Laboratorio de Investigación y Producción Musical | Centro Cultural Recoleta
lipm08@gmail.com
4803-4052 | 4803-1040 (222)
http://www.cent roculturalrecoleta.org/nuevositio/lipm

 Guillo Espel  – sitios oficiales: