James Taylor: Before This World

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Às vezes, leio ou escuto a expressão “depois de tantos anos quebrou o silêncio”. O que será exatamente quebrar o silêncio? O escritor não lançar nenhum livro novo? O cantor/compositor ou banda não lançar nenhum disco de canções inéditas? A resposta toma esse caminho e assim é quando leio que James Taylor lança Before This World após treze longos anos de “silêncio” após October Road de 2002. De canções inéditas, fique claro. Treze anos depois e dez canções, pouco mas de 41 minutos e quase nenhuma ou nenhuma novidade. Taylor sempre foi uma espécie de músico de transição entre os conturbados anos sessenta, onde aparece na cena musical, e os anos que viriam, onde a introspecção, a frustração, a exaustão de gerações convergiam de forma assustadora. Seu folk ou folk rock alimentado por uma acoustic guitar e uma voz serena deixava as plateias e quem escutasse seus discos tranquilos. Não que representasse um estado de alienação, ao contrário. Se as questões mal resolvidas lá dos anos 60 em nível político-cultural continuassem mal resolvidas é bom que se diga que continuam assim. Se antes havia a Guerra do Vietnã, hoje assistimos como se fosse um jogo qualquer o Afeganistão, o Iraque, assistimos ataques fundamentalistas, violências ao vivo reproduzidas pelas televisões e internet a qualquer hora do dia. Mudou para pior. No entanto, o trabalho de James Taylor parece ter parado no tempo. Se em 1970 cometeu a pérola chamada Sweet Baby James, e é verdade que após também teve outros bons discos, em especial os dois volumes de Greatests e outros como Never Die Young, Dad Love His Work, JT ou Mude Slide Slim além do October Road, ele não perseguiu as transformações que o tempo de alguma forma exige. E dele era de se esperar essa transformação pelo menos estética. Claro que neste Before há arranjos mais eloquentes, uma acoustic guitar suave porém definitiva, os vocais de sempre, e letras mais ousadas. Há passagens belíssimas como “Today Today Today”, “You and I Again”, “Snowtime” e a faixa título “Before This World”. Se não é um James Taylor em plena forma, é um James Taylor que se escuta com a serenidade que os dias de hoje exigem. Sem quebrar o silêncio.

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