Ornette Coleman: o sax do Free Jazz

Ornette Coleman

O jazz se divide em tantas possibilidades que grandes nomes deixaram atrás de si e à frente tantos outras possibilidades. Ornette Coleman foi um desses que não se limitou a apenas ser um instrumentista, sem demérito algum, por favor. Coleman traduziu o seu saxofone na linguagem mais definitiva, quem sabe, do universo jazzístico. Deu a ele um novo carimbo, com identidade própria, data de nascimento e paternidade. o Free Jazz nasceu com os seus sopros no momento em que, entre os anos de 1959 e 1960, lançou The Shape of Jazz to Come e Free Jazz. Estilo, estética, sentido, significado começaram a frequentar as harmonias criadas pelo texano e, ao mesmo tempo, em sentido oposto, as críticas, a hostilidade, afinal, mais ruptura em um gênero que toca fundo a alma. Isso apenas foi acontecer após várias tentativas de tocar com músicos conhecidos e fracassos acumulados. Somente quando encontrou Don Cherry e Charlie Haden, falecido em 2014, é que sua explosão de ideias ganhou adeptos consistentes. E Nova York foi a casa que acolheu a mudança do jazz, embora os opostos continuassem frequentando as críticas: ou gênio ou embuste. Na verdade, as transformações já vinham acontecendo, as influências, em especial do clássico, modificavam os conceitos musicais que atingiram em cheio o jazz. E isso também significa uma mudança nos instrumentos que tocavam, deixando o acústico e partindo para o eletroacústico. Esse deixando, não tem o significado de abandonar, apenas houve uma migração de instrumentos e é nesse momento que a transgressão acontece. E Ornette Coleman assume seu papel de protagonista ao trazer às suas canções a nova filosofia de composição e improvisação em que os timbres, a melodia, as harmonias e o andamento rítmico livres eram a base para a progressão gradual das composições. Liberdade para ler e reler e estruturar e reestruturar melodias, reinventando cada uma delas, proporcionando aos instrumentistas liberdade de diálogo entre os seus instrumentos. E, por óbvio, o convencional ficou para trás. Coleman trouxe para o presente e para o futuro a discussão mais densa do que é liberdade, da expressão Free na música. Foi mestre e influência definitiva para muitos músicos. Entre eles, com quem inclusive tocou e gravou discos, Pat Metheny com o controvertido Song X com o velho amigo Haden no baixo, Jack DeJohnette na bateria e o seu filho Denardo na percussão. É um trabalho complexo, para muitos inaudível, para outros genial, no entanto resta ao tempo a decisão sobre a obra, se a primeira opção ou a segunda. Fica, no entanto, a certeza de que o músico que nos deixou aos 85 anos é tão somente o criador do Free Jazz. É pouco? Escute sua obra e decida. Vale essa viagem a todos os seus sentidos. Você se sentirá renovado.

Foto: EFE

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