David Doruzka: Silenty Dawning

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Viajar é sempre um alento para acolher o novo. Mais que descobrir, encontrar o nosso interior se faz intenso e renovador. Para além das águas do Atlântico, a cultura, as gentes e a história marcaram esses encontros e o que era apenas peso de viagem se transformou em bagagem de vida e conhecimento. Avancei, naturalmente, mais na música. Porém, sempre tem que aparecer um porém mas esse por minha absoluta culpa, procurei os artistas latino-americanos que por mais incrível que pareça é muito complicado de ter em alguma loja na Argentina, Uruguai ou Chile quanto mais no Brasil. E outros que gosto e nunca pude ter em mãos. Enfim, uma colheita reduzida que ao fim de sua estação me deixou feliz. E consegui uma coletânea do Inti Illimani, mesclando o antigo com o novo, uma caixa com quatro álbuns do compositor espanhol Enrique Granados com obras completas para piano com Marylène Dosse, um Crosby, Stills & Nash dos melhores, tangos de Piazzolla, sendo um caderno com concerto para bandoneón, francês, com Pablo Mainetti e Josep Pons, e mais Piazzolla, Raulito Barboza, que já postei aqui, dois encartes de jazz editados pelo Le Monde – 40 encartes lançados – um do Chet Baker, outro do John Coltrane, e Bob Dylan, The Who (Tommy), Leonard Cohen, sempre indispensável, e outros que nem lembro mais. E então me dei conta pelas tantas, durante a viagem, que não estava procurando nada dos locais por onde passávamos.  No último dia em  Praga, na República Tcheca, entramos em uma loja de discos e comprei um cd do David Doruzka. Jazz, nada de folclore, ou algo mais próximo. No retorno a Porto Alegre, confesso, não foi dos primeiros que escutei. Fui direto aos latinos e o mergulho revitalizou minhas veias. Até o dia em que David foi para o player. O guitarrista, acompanhado pela voz da sueca Josefine Lindstrand, pelo baixo polonês de Michal Baranski e pela bateria/percussão Lukasz Zyta passeia suavemente por doze belas canções em inglês e tcheco. Poemas de Emily Dickinson musicados, músicas autorais, e outros compositores locais completam o repertório em que as influências recebidas quando estudou nos Estados Unidos se faz presente. Há um quê de Telonius Monk, John Coltrane, Sonny Rollins, que apenas forjam para melhor o seu jeito de interpretar o jazz. Trabalho minucioso, elabora com requinte e talento, David faz o seu caminho sem quebrar dogmas do gênero, contudo apresenta no estilo e na estética o seu jeito de “ler” o jazz, trazendo junto também as experiências dos companheiros de gravação. O resultado final é belo e tranquilo. Silently Dawning é um disco maduro e sensível. Lamento apenas ter demorado a escutá-lo.

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