George Harrison: beatle não beatle

george

Escrever sobre os Beatles não é algo que tenha a pretensão ou mesmo invadir esse espaço tão rico e complexo que os quatro de Liverpool criaram. Até porque já há publicações, teses, e uma quantidade incrível de ensaios, artigos a respeito que eu, apenas um admirador, pouco ou nada tenho a meu favor para escrever. Nada impede, no entanto, que possa expressar minha escolha pelo beatle favorito: George Harrison. Talvez tenha sido ele o único que seguiu mesmo como integrante do grupo o seu próprio caminho. Dos quatro, a partir da sua dissolução em fins de 69 e início de 70, alçou o voo mais alto carreira solo. É verdade que de altos e baixos, sendo os baixos mais altos que se poderia desejar e os altos tão baixos que ficam por vezes submersos, tendo acima as obras de Lennon e McCartney. Com All Things Must Pass o primeiro da safra pós-Beatles colocou seu disco entre os maiores da história do rock. E as canções do álbum foram criadas na época em que era o guitarrista dos Beatles. Como cada um partiu para seus caminhos, logo ficou evidenciado, e hoje ainda mais, que Paul continua sendo beatle. Não poderia ser diferente. E não é crítica, ao contrário. John tinha a sua maneira de ver a vida e o mundo e a realidade, mas seus discos em geral, excluindo quem sabe Mind Games e Live in Toronto, de 69, com a Plastic Ono Band, com quem gravaria Imagine, produziu não muito além do que se esperava dele. Algumas composições brilhantes, e outras na média. Nada além, o que também não significa crítica. E Ringo, bom Ringo é Ringo e ponto. A química existia entre os quatro, solos nem tanto. Harrison partiu desde cedo para trajetória muito pessoal. Ousado, acredito ser ele o beatle mais ousado, já criara trabalhos experimentais, já se “misturara” com outros músicos como Eric Clapton, Ginger Baker, Bob Dylan. Não por acaso é dele a concepção do Concerto para Bangladesh, o primeiro a coletar fundos com objetivo social e humanitário. Suas composições já estavam amadurecidas. “Here comes the sun”, que fora gravada pelos Beatles, ganha um toque mágico com os violões de George e Pete Ham, esse do Badfinger. “Something”, era impressionante em suas linhas harmônicas que levou Frank Sinatra a tê-la em seu repertório e cometer a gafe e dizer que era da lavra de Lennon&McCartney. É no seu disco de estreia que revela em definitivo sua capacidade criativa e de encontros. Canções inesquecíveis e que soam mais que atuais. A bela “Behind that locked door”, a dylaniana “If not for you”, a Harrison “My sweet Lord”,  as sessões com uma gama infinita de artistas em um dos lados do álbum triplo no original não deixa a menor dúvida: George foi um beatle que não era beatle. Sua maneira simples e tranquila e inquietante introduziu a cítara, os solos marcantes do início ao fim de canções, a suavidade e a pegada das suas produções como “I need you”. Escrevo e no player George ocupa o espaço. Preciso mais? Sim, apertar a tecla do repeat.

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