Ricardo Darín & Soledad Villamil: El mismo amor, la misma lluvia

El mismo amor

A vitalidade do cinema argentino há muito deixou de ser coadjuvante para ser protagonista. Razões não faltam: Juan José Campanella, Ricardo Darín, Soledad Villamil são apenas três aqui elencadas. Soma-se a eles outros mais que o tornam visível e respeitado para além do continente sul-americano. Em El mismo amor, la misma lluvia a reunião do trio tem como consequência um filme denso que vai alternando romantismo com doses entrelaçadas ao fundo da situação política argentina desde 1980. O jovem escritor, Jorge Pellegrini, de carreira promissora se encontra enjaulado em uma revista de “atualidades” onde publica seus contos. Do outro lado, não necessariamente da rua, está Laura ramalho, uma garçonete, com um quê de atriz, garçonete, que espera a retorno do noivo artista que foi ao Uruguai e a deixa sem notícias. Um dos contos de Jorge, transformado em filme, é apresentado e debatido. Eis aí um confronto entre linguagens: literatura e cinema. Desgostoso com a “leitura” do diretor ao transpor a palavra à imagem, Pellegrini encontra Laura. Mote feito, romance na dose medida para dar certo. Campanella introduz aos poucos a relação de ambos com a vida em uma redação de revista. Ao mesmo tempo, o que seria uma espécie de pano de fundo, na verdade está à frente, a Argentina se revelando. Primeiro, as Malvinas e o General Leopoldo Galtieri discursando na televisão. Em um dos diálogos com seus colegas chega a notícia de que os ingleses haviam chegado às ilhas. O tempo escorre, o relacionamento torna-se estável, Raúl Ricardo Alfonsin assume a presidência do país platino (1983/89), e as mudanças em nível profissional aparecem mais ásperas. Deste período o destaque fica por conta de Márquez (Ulises Dumont) como crítico político. Laura empenha-se em fazer de Jorge um escritor de verdade, um escritor sério. Há um certo quê de conformismo no personagem de Darín, seja no plano pessoal seja no plano político. A revista é como um barco à deriva, estando ao lado do poder econômico. Não por acaso Mastronardi (Alfonso De Grazia) veterano jornalista, desempregado, chega a implorar que consigam uma colocação para ele no periódico. E a vida segue. Os encontros, desencontros pessoais vão acontecendo tal qual o cotidiano, romances e casamentos, consciências que cedem à pressão, e chega a década de noventa. O casal separado, a revista em transformação editorial, Carlos Menem na presidência, e talvez um dos grandes símbolos do filme que traduz a introdução dos meios econômicos de forma mais aguda e pública n vida da população: o celular. A tecnologia, o poder econômico dando as linhas de trabalho, o magazine se transforma a ponto de o crítico político pedir demissão por não ceder ao que considera fútil ou trivialidade do meio político. Mais que uma alegoria, a trajetória dos personagens, da revista, e política revela, com lucidez, o quanto a sociedade pode ser manipulada e a mídia é maleável a esse poder econômico, perdendo sua essência e raiz. Campanella é um mestre na direção e as interpretações de Daín, Soledad, Ulises, Eduardo Blanco, o editor que cresce com as mudanças que vão ocorrendo, são perfeitas e traduzem sentimentos reais. Um belo e reflexivo filme.


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