Seabiscuit, uma lenda americana

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Minha vida toda é ligada ao turfe. Ainda que o DNA esteja muito mais em meu irmão – http://wwww.mariorozanodeturfeumpouco.blogspot.com – vivi muito entre corridas de cavalos, treinamentos, jóqueis, treinadores, proprietários, criadores. Conheci muito, aprendi pouco, verdade que o pai acho que nunca assimilou bem. Acho. Então, é natural que filmes e livros e mesmos discos, há muitos tangos cujo tema é corrida de cavalos – “Por uma cabeza” é um clássico de Gardel – acabem entrando em meu roteiro. Seabiscuit é um desses filmes. Da safra de 2003, traz a história do pequeno cavalo que se tronou o maior ídolo da América do Norte em tempos de Depressão. Com roteiro baseado no livro de Laura Hillenbrand, por certo o longa dirigido por Gary Ross passa muito longe das páginas escritas pela autora. Na linguagem turfística, ficou a vários corpos de distância do livro. Mas, são linguagens diferentes, leituras diferentes, abordagens diferentes e a adaptação é livre. O filme foca mais o aspecto emocional do espectador convidando-o a ser mais um dos ávidos torcedores de Seabiscuit e suas façanhas e dos dramas vividos pelo jóquei Red Pollard, na pele de Tobey Maguire. Está aí um ponto interessante da narrativa, pois ainda que emotivo lança alicerces para valores como a persistência, o desprendimento e a determinação. Há personagens românticos, como o treinador Tom Smith, com desempenho maiúsculo de Chris Cooper, pessoa completamente deslocada do meio e com suas convicções atinge vitórias memoráveis com o pequeno craque. Há o inigualável William H. Macy como o radialista de turfe Tick Tock McGlaughlin, cuja graça e sarcasmo envolvem a todos. O proprietário de Seabiscuit é Charles Howard (Jeff Bridges) que também aparece quase de forma romântica, sofrida pela perda de um filho, real, e recomeço de sua vida. Em síntese o filme gira em torno do valente cavalo que desafiou o maior dos cavalos da época War Admiral e venceu. Em pleno anos da década de trinta, o desafio foi em 38, a película pouco tem como tema as condições em que viviam os jóqueis, ou mesmo como estava a situação econômica do país nos anos de Depressão.

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O alentado livro de Laura Hillenbrand ao longo de suas mais de 460 páginas é um verdadeiro painel daqueles tempos e penetra de forma profunda na alma das pessoas. Nem tudo ou nada era romântico como no filme. Para se ter uma pequena ideia, em determinada ano os jóqueis se reuniram e pediram mudanças para poderem montar os cavalos com mais segurança pois a cada dia de reunião turfística havia dois ou três mortos por quedas dos cavalos. Depois de algum tempo conquistam uma “grande vitória”: o uso de capacete para proteger a cabeça. Detalhe: o capacete era feito de papelão. Essa passagem e outras mais estão bem descritas no volume e vale a leitura. Um não invalida o outro. São linguagens distintas e por isso o valor de ambos para a Cultura. Abaixo o trailer e a corrida original. Vale por tudo, pelas multidões mobilizada em tempos de crise, pela gana em vencer, pela raça de um pequeno corredor em insistir sempre sem desistir e pela beleza é ver cavalos de corrida, os jóqueis com suas blusas coloridas despertarem paixões e admiradores. Um bom filme, um extraordinário livro.



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