The Hollies sing Bob Dylan

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Os anos sessenta, não canso de repetir, e quem aqui chega deve já estar cansado de ler, foram e ainda são anos extraordinários para as artes e outras revoluções não apenas na cultura, embora também tenha em seu delicado corpo marcas de tragédias como a Guerra do Vietnã. A invasão britânica nos Estados Unidos foi marcante. Ainda que os The Hollies não fossem um grupo que se possa pôr entre os melhores da época, foram, sem dúvida, inesquecíveis com suas harmonizações tanto melódicas como vocais, que tinham com base principal o trio Allan Clarke, Toni Hicks e Graham Nash. Trio para ninguém pôr defeito algum. Em meio a sucessos e fracassos, Nash parte para fazer parte de um dos maiores trios, depois quarteto, ou mesmo dupla, todos eles se alternando ao longo dos anos: Crosby, Stills, Nash & Young. De alguma forma, ao escutar os discos em que o trio Clarke. Nash e Hicks estão presentes fica muita clara a intenção e influência de Nash em tentar dar outra dimensão aos Hollies, o que não foi bem aceito pelos demais integrantes. Até que em 1969, ano coroado por Woodstock, e já sem Graham, é lançado o disco talvez mais controverso de sua carreira: The Hollies sing Dylan. Gravar canções do bardo não é novidade, ao longo do tempo Joan Baez, Bryan Ferry, The Byrds (magnífico), Judy Collins e até mesmo brasileiro Zé Ramalho ou canções perdidas entre faixas de álbuns de diversos artistas sempre estiveram presentes no universo musical dos mais variados gêneros. Talvez pelo desafio que é interpretar Dylan. Sei apenas que dias desses, como diz o compositor cearense Belchior, tirei “da parede da memória”, no caso, das gavetas da minha cedeteca, o disco do Hollies com canções do Dylan. Continua tão estranho quanto o escutei pela primeira vez já perdi a contas do anos. Polêmico pelos arranjos demasiados em orquestrações ou muito distantes do que desde sempre havíamos nos acostumado com Dylan. Não que se tenha que ser fiel o tempo todo, absolutamente não, é que não houve “química” entre ambos. A distância entre as harmonias dos Hollies aumentam ao se encontrarem com as de Mr. Zimmerman. Por certo, há passagens muito boas, a amplitude vocal de Clarke em vários momentos é precisa e dramática – está certo, às vezes soa exagerado – e os arranjos instrumentais compensam a falta de unidade que começa pelo repertório à falta da mencionada química. Entre os grandes momentos, “My back pages” se torna a melhor faixa da compilação, sem dúvida alguma e algumas intervenções instrumentais de Tony Hicks compensam o esforço dos Hollies de terem Dylan em seu repertório.
Se o disco é confuso e polêmico, vale por ter sido uma gravação espontânea e insólita dos Hollies que mesmo sem ter a presença de Nash fez um disco que até hoje pode-se falar como surpreendente. No entanto, fica a pergunta: como seria com Graham Nash? Jamais saberemos.

Cartões de viagem, recortes de vida

Cidades nos habitam. Habitamos cidades. Reais e imaginárias. Olhares se cruzam, se perdem, são olhares apenas. O cotidiano atravessa a linha das horas com o compasso de cada gente. Os lugares, não importa quais, são lugares que acolhem. São transversais em nossas vidas. Podemos senti-los. Mais, vivê-los. Assim, se entranham por nossas peles os lugares e as gentes que respiram essas cidades que nos habitam. E que habitamos.

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Fotos: Fernando Rozano.
Pela ordem: 1,2 e 3: Praga. 4 e 5: Duomo de Florença. 6: Arezzo, Itália.

A ponte invisível: livro mais que atual

A ponte

Poucas são as surpresas em romances cujo enredo é a II Guerra Mundial. No entanto, a temática ainda está inserida e ficará por toda a eternidade inserida no “para nunca mais esquecer e ser repetido”. O primeiro item sim, está sempre presente em nossos pensamentos. O segundo, se repete não a cada período se não que a cada ano ou a cada seis meses ou a cada um mês ou a cada dia. O terror imposto pelo nazismo e todas as suas causas e consequências cujas marcas são profundas estão vivas e se manifestam de formas diversas. A humanidade está ferida de morte, as cicatrizes deixadas na década de quarenta do século passado não cicatrizaram o suficiente para ficarem lá atrás, naqueles tempos. A ponte invísivel, romance de estreia de Julie Orringer narra a trajetória dos irmãos húngaros Andras e Tibor Lévi pouco antes de o grande conflito bélico iniciar até o seu final, em 1945. Todavia, mais que narrar o que poderia ser as suas aventuras, os caminhos que levam Andras para Paris estudar na École Spéciale d´Architecture e Tibor viajar para Modena, na Itália, cursar Medicina, se encontram e desencontram em meio a intolerância, ao absurdo e a irracionalidade de uma guerra que além de dominar territórios se propõe a exterminar um povo. A família judaica Lévi é o centro da narrativa de Orringer. E mostra o quanto na Hungria os judeus eram tratados. Convém lembrar que o país magiar era aliado da Alemanha e naquele período o tratamento dado aos reféns judeus era diferente dos que iam diretamente para os campos de concentração. Porém, não menos cruel, não menos desumano, não menos criminoso. Os trabalhos mais leves que recebiam, ao serem “convocados” eram do tipo limpeza de campos minados, por exemplo. A convocação durava em torno de dois anos, depois retornavam para suas casas, onde as famílias tentavam viver uma vida normal, até a próxima convocação. A pequena Konyár dos Lévi é onde tudo começa e se vai se estendendo para Budapeste, Paris, Modena, e em círculos, relacionamento afetivos seja de amor entre Andras e Klara, os matizes artísticos do irmão mais novo Mátyás, as amizades nos campos de trabalho, a perversidade de alguns personagens comuns no início do romance que em meio a narrativa vão revelando suas verdadeiras faces, até o desfecho de tudo, os anos afundam a humanidade em uma assustadora névoa de desesperança e falta de perspectiva. E ao mesmo tempo também se mostra em toda a sua luminosidade para que m sabe um mundo melhor, mais livre, mais tolerante, mais justo e humano. A história contada por Julie Orringer é muito pessoal, e mais que traçar, e aqui escrevo eu, um comentário sobre as 728 páginas do livro, indico a sua leitura. Pode ser lenta, pelo volume de páginas, pelo volume de informações. Entretanto, a exemplo do filme, O jogo da Imitação é transformado em linguagem fílmica ou em linguagem escrita se aproxima perigosamente dos dias atuais. Mudam as formas, as estéticas, as expressões, o requinte com que se brinca com as vidas e como se decide se continuam a ser vidas ou apenas lembranças. Livro que deve ser lido, refletido para além de ser um romance e ser, quem sabe, um dos alicerces do pensamento do quanto temos que amadurecer como seres humanos e transformar a humanidade. Mais que exemplo, a realidade posta diante de nossas vidas e em nossa capacidade de decidir. Pela paz.

The imitation game. Imitation?

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Filmes sobre a guerra assim como livros atraem tanto cinéfilos quanto leitores. Embora o tema seja recorrente, jamais poderá ser considerado esgotado. Sempre há e haverá um olhar novo para inquietar nossos pensamentos. A quebra dos códigos da máquina alemã Enigma, que enviava mensagens aos submarinos da força nazista, não é novidade na tela. Pelo menos em 2001, a inglesa Kate Winslet estava no elenco de Enigma cuja temática se insere no mesmo compasso de The Imitation Game, com, no entanto, profundas diferenças. Se Winslet estava inserida em um enredo que também contemplava o romance, Benedict Cumberbatch, na pele do matemático Alan Turing, ingressa em outros terrenos para além do combate às forças germânicas na II Grande Guerra. A gigantesca batalha para construir uma máquina capaz de quebrar com os códigos produzidos pela Enigma está à frente do enredo. E é através de todas as contradições existentes no grupo de gênios em decifrar códigos, entre eles, em desempenho convincente, Keira Knightley (Joan Clarke), o filme dirigido por Morten Tyldum traz outros elementos que são capazes de colocar quem assiste a trama a refletir sobre a época em que ocorreu a guerra e seus costumes, sua cultura, seus conceitos e preconceitos. Revela-se a interpretação de Benedict onde os dramas pessoais de Turing são vividos por ele com extremo vigor e sensibilidade. As dificuldades de relacionamento social, a homossexualidade do personagem a permear sua vida são elemento vitais para que possamos parar um pouco para pensarmos sobre outras guerras: as que vivem as pessoas em seu interior. E as complexas e desumanas decisões sobre quem deve morrer quem deve viver. Ainda que ao fim do filme, apareça o reconhecimento britânico sobre o papel de Alan Turing, e a sua descoberta ter abreviado o conflito mundial em dois anos e poupado pelo menos 14 milhões de vida, fica em aberto a questão que coloca superiores em nível de escolher entre vida e morte. O sacrifício humano, o preconceito em uma época que aos poucos vai ficando distante, os conflitos de cada um mostram-se, no entanto, atuais. O Jogo da Imitação não é um divertimento. É um longa para ser refletido em todas as suas possibilidades, para muito mais de ser um filme que disputa o Oscar e coisas do gênero. Junto com a maior das tragédias, que a perda de vidas, estão outras tragédias cotidianas muito bem refletidas em quase duas horas, tempo em que a história é contada. Qualquer semelhança com o que acontece nos dias de hoje não é mera coincidência.

Once Mujeres: Guillo Espel y Fernanda Morello obra extraordinária

Guillo & Fernanda

É possível haver um encontro entre um compositor para violão e uma pianista interpretando suas versões para outras canções? Sim, é possível. Once Mujeres é um disco superior pois para além desse encontro há uma química entre as harmonias criadas por Espel e a notas tocadas por Fernanda. E nada que possa ser rotulada apenas como “obra do acaso”. A concepção do trabalho conjunto talvez tenha nascido do conhecido e reconhecido talento do violonista em ter perto de si músicos de grande sensibilidade. Assim, o primeiro passo dado pelos dois foi quando da gravação de Hojas de Hierba onde as composições de câmara e sinfônica de Espel tiveram a presença do piano de Morello. Depois, um arranjo para o tango “Maria” de Aníbal Troilo, do repertório dela. E, ao natural, as conversas entrelaçaram objetivos comuns e os nomes femininos vieram com a mesma densidade com que um compõe e a pianista interpreta. Dessa afinidade, duzentas canções estavam à mesa e as escolhas complicadas. Porém, foram se agrupando em tempos diferentes, gêneros distintos, motivações afetivas e pessoais de um e outro, gostos e influências também conspirando a favor e de repente Once Mujeres ganha forma, ganha corpo, ganha rosto, ganha vida. Vida concebida por ambos. Em entrevista a Nicolás Gagliani ao site http://www.musicaclasicaba.com.ar Fernanda faz uma afirmação definitiva: ” Esse é o trabalho de um intérprete, captar o essencial de cada estilo”. Afirmação alicerçada da forma e na estética do trabalho conjunto que não se limitou a ser arranjos para músicas com nomes de mulheres.

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Longe disso. cada composição escolhida ganhou versão. Ganhou uma vida completamente nova. ganhou uma dimensão que ultrapassa qualquer nota possível de ser dada tamanha a qualidade do trabalho e integração entre ambos. A essência musical se diluindo em favor do novo para versões de extraordinária beleza como “Eleonor Rigby” alcançam elementos diferentes no que ainda é hoje feito quando alguma canção dos Beatles é tocada, por exemplo. (http://www.musicaclasicaba.com.ar/blog/ver/10/Fernanda_Morello_y_Guillo_Espel_presentan_su_nuevo_CD)
Evidente que respeitando cada estilo e proposta, fica ainda mais evidente que a de Guillo Espel e Fernanda Morello rompe com toda e qualquer fronteira seja ela musical seja ela na relação entre compositor e intérprete. Por tudo isso e mais um tanto que ao ser escutado que Once Mujeres se inscreve como um dos discos mais instigantes e belos desde a sua concepção até chegar a sua execução. E atesta, em definitivo, o talento e a maioridade de Espel e Morello, quem sabe uma dupla cujo futuro não se encerra neste disco maravilhoso. Vida longa a ambos e felizes somos nós que podemos desfrutar de um trabalho de extrema sensibilidade.

http://www.youtube.com/watch?v=67NpGKKKtLU
http://www.youtube.com/watch?v=2jNN-NnRHzU

Foto: Marcos Zanellato. Capa: capturada na internet.

Song One or Once?

Song

A pergunta pode parecer despropositada. Não é. Pode até ser. Afinal, são filmes com conteúdos diferentes um do outro que, no entanto, se encontram em algumas de suas personagens. Em Once os protagonistas são na vida real músicos. Em Song One o sul-africano Johnny Flynn é quem assume o duplo papel seja na vida real seja na ficção. Anne Hathaway ainda que havia feito musical (foi Fantine em Os Miseráveis de 2012) está muito distante de Markéta Irglová, a tcheca que ilumina Apenas uma vez com sua doce personagem e que em vida cotidiana é compositora, cantora e pianista. É por aí que as semelhanças cessam. E a história assume outros rumos e segues bifurcações que o separam completamente da produção irlandesa.
A direção de Kate Baker-Froyland é sensível, conduz os atores com sensibilidade e faz com que cada um se revele ao extremo em suas interpretações. E isso vale para a veterana e sempre magnífica Mary Steenburgen, mãe do irmãos Franny (Anne) e Henry (Ben Rosenfield). Ela, uma arqueóloga em expedição no Marrocos, poucos antes havia discutido com o irmão e desde então o silêncio comprometia sua relação com ele, que deixara a Universidade para ser músico. Com seu violão, toca nas ruas, metrôs, e o folk vai incendiando sua vida até o dia em que sofre acidente e entra em coma. (Eis a semelhança com Once: músicos de rua, que acreditam no seu trabalho e sonham com o sucesso, o acidente não entra em nenhum momento no filme estrelado por Glen Hansard). Franny vai percorrendo os caminhos do irmão, frequentando os seus locais preferidos, assistindo aos shows que fazem a cabeça de Henry, e conhece o seu músico favorito James Forester, um cantor e compositor índie/folk. Por óbvio, a atração é comum aos dois, mas o que realmente é mais aprofundado no filme é a intensa procura interior de Franny por Henry. Talvez seja uma procura por sua própria identidade, talvez seja uma procura em reconhecer o irmão para além daquilo que imaginara dele e que foi desviado ao decidir ser músico. O acidente, o estado inconsciente é uma simbologia para a personagem de Hathaway, que no fundo foi a vítima do atropelamento, é ela que estava inconsciente até a revelação de henry através de suas canções, de seu diário, de seus lugares preferidos. Ao fazer e refazer tais caminhos e conhecer e se relacionar com Forester, e travar alguns duelos verbais com a mãe, que sua personagem ganha densidade e a atriz responde por inteiro as exigências do papel. Claro, Henry desperta, a vida continua e o final completamente aberto responde (ou não) o que o público deseja na relação entre o ídolo folk e a irmã arqueóloga. Um final que instiga a imaginação. Quanta a pergunta do título, bom, os dois, cada um com suas características próprias, claro.

Diana Krall, suave e sensível

Diana

A suavidade de Diana Krall talvez esteja ligada ao toque ainda mais suave ás teclas do seu piano jazzístico. Ou a sua voz, tranquila, que navega em mares azuis-esverdeados dos nossos sonhos. A canadense, casada com o inquieto e irreverente e talentoso Elvis Costello, chega às lojas com Wallflower. Dedicado a um fértil período de sua vida, onde escutava muita música em casa, estamos falando dos anos setenta, Diana fez um belo apanhado musical e colocou o seu DNA em cada uma das canções. O repertório que passa por Paul McCartney, Jim Croce, Eagles, Elton John, Carpenters e Gilbert O´Sullivan, não deixou de fora a faixa-título de Bob Dylan. E traz o clássico Mamas and The Papas “California Dreamin´” em “cover” magnífico. É sempre tranquilo escutar a pianista, algo de uma aura quase etérea nos envolve e sentimos que o tempo ao contrário de passar às pressas junta-se ás harmonias e nos transforma em muito mais que ouvintes. Seus trabalhos, em especial o dedicado a Nat King Cole, All for you, e o Live in Paris, são verdadeiras preciosidades. Tê-los sempre por perto é certeza de momentos felizes. Miss Krall possui muita sensibilidade e deixa-a transparecer sem qualquer medo ou vergonha. Antes, faz questão de se mostrar tal como é. Ganhamos nós. O álbum Wallflower é parte nossa também.

http://www.youtube.com/watch?v=P5WAWr0FAIc

http://www.youtube.com/watch?v=it1NaXrIN9I

Odessa: the best of Bee Gees

Odessa

A década de sessenta apresentava seus primeiros sinais de estar próxima do fim, quando os Bee Gees lançam Odessa. Disco em que estão presentes várias nuances do grupo, em especial as diferenças entre Barry e Robin Gibb. Diferenças essas que tiveram como consequência a longa separação do dois irmãos e apenas Maurice permaneceu ao lado do Gibb mais velho. No entanto, é demasiado simplificado lançar apenas esse olhar sobre Odessa. Trata-se, sem dúvida alguma, do melhor Bee Gees, muito antes de suas outras fases e formações alternarem-se entre sucessos e alguns fracassos. O disco de 1969 apresenta uma variedade de gêneros e ousadias musicais que o tornaram, para a época, mais que um conceito e sim um trabalho de extrema consistência harmônica e vocal. Arranjos com base orquestral e muito acústico levaram o álbum duplo a alcançar se não o alto número de vendas e sim o alto grau de notas para a sua qualidade. Os irmãos estavam mais que inspirados. Souberam introduzir em suas composições elementos do country, do rock progressivo, do clássico, dos bluegrass, do rock excêntrico, incidentais do Cream – banda que abriu vário seus shows, em seu início de carreira, e que era composta por nada mais nada menos que Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker – e as eternas baladas. No repertório que contempla todas essas relações e influências destaque para a canção título “Odessa”, com suas variações com violão acústico, violoncelo solo e orquestração, “Melody fair”, que está na trilha do filme Melody, a emblemática e bela “First of May”, a enraizada “Marley purt drive”, a irônica “Give your best”, as instrumentais “Seven seas symphony”, “With all nations” e “The British Opera”, as também baladas “Sound of love” e “Lamplight”, a complexa e belíssima “Black Diamond”, as suaves “Never say Never again” e “Edison”, e quando percebemos estás quase todo o disco com destaques alinhados em tantas razões que muitos críticos o colocam como uma espécie, guardadas as proporções, de Sgt. Pepper dos Beatles. Poucos anos atrás foi relançado, junto com Odessa alternativos, takes não gravados ou com arranjos não aproveitados, versões descartadas. Um registro valioso.
Se Odessa não é visto como um trabalho conceitual dos Bee Gees pode ser visto sem nenhum medo ou susto como o seu melhor disco. Para ser escutado aos poucos e com a suavidade que ele merece e que todos nós merecemos.

http://www.youtube.com/watch?v=oom7tcOYTmo

Poema Breve e Inacabado II

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entranha-se
apenas entranha-se na vida
com seus traços invisíveis
sem ser reconhecido onde a carne arde

entranha-se
apenas entranha-se na morte
com seus traços visíveis
pele roxa em uma gaveta numerada

não deixou testamento
não deixou memória
o esquecimento é a única lembrança

Foto: Fernando Rozano
Música: Thurston Moore – “Benediction”