Brasil tem, sim, pena de morte

Não, não me refiro ao que todos nós já sabemos como a alta criminalidade não combatida com eficiência pelo Estado, a todas as Petrobrás que temos cotidianamente cujos recursos deixam de alimentar fontes de possibilidades nas áreas da Saúde, Educação, aos políticos eleitos sejam vereadores, deputados estaduais e federais, senadores que eleitos deixam o legislativo em direção a um cargo no executivo, abrindo vaga para suplentes, porém o pagamento dos salários continua sendo para o eleito e para o suplente, sem falar na violência ao eleitor que digitou seu voto a um parlamentar que mesmo eleito não irá exercer o mandato, sim isso é fraude, é crime eleitoral, e é dinheiro público gasto em dobro em cada caso similar e quantos são no país?, não, não me refiro ao caos penitenciário, que mais forma criminosos que ressocializa os atingidos pela privação de liberdade. E poderia continuar pelos privilégios que cada poder tem, em nível pecuniário, que a esmagadora maioria dos trabalhadores não tem direito direto como o auxílio-moradia que o Judiciário possui (não todos os seus funcionários, claro) – por questão de justiça, há magistrados que não exerceram esse “direito”. e assim, poderia ficar enumerando caso a caso. todos já são conhecedores das mazelas que infelicitam o Brasil.
Não bastasse a longa lista, o jornal Zero Hora de hoje, 21 de fevereiro de 2015, traz matéria assinada pela jornalista Cristiane Barcelos sobre drama vivido por um pedreiro portador de câncer no cérebro e teve o seu pedido de medicação para tratamento negado pela Justiça. A cidade de Picada Café, no interior do Rio Grande do Sul, deve ter sido pega de surpresa pelo despacho da magistrada que, ao negar o tratamento de quimioterapia com Temozolomida, droga que o SUS não dispõe, disse que o remédio serviria ” apenas para prolongar a sua vida em um ou dois meses”, e que a compra resultaria em “desfalque aos combalidos cofres do município e do Estado, considerando o valor astronômico dos fármacos postulados”. O valor é de R$ 72 mil. A decisão foi revertida através de recurso e hoje o operário aguarda a medicação para o tratamento ser iniciado.
Lembro que no calor da questão do auxílio-moradia, houve algum magistrado – confesso que não recordo quem – que afirmou que Lei deve ser cumprida. Ou teria sido Liminar? Não recordo, mas não importa, o que importa é que a Constituição brasileira garante o direito à vida. Não pode a Justiça, aqui representada pela juíza da cidade gaúcha, decidir quanto de vida um cidadão brasileiro pode viver. É a decretação da pena de morte. A comunidade da pequena cidade serrana se mobilizou com uma campanha intitulada “Jovem pedreiro de Picada Café sentenciado à morte” para arrecadar fundos e atingiu R$ 9 mil. O jornal Zero Hora cumpriu de forma exemplar, isenta e humana o exercício pleno do jornalismo. O Poder Judiciário é um dos nossos alicerces e devemos acreditar nele. Mas,
e se outra decisão similar acontecer ficaremos reféns da subjetividade? Câncer no cérebro não é uma doença subjetiva.
Triste Brasil, no entanto. Sem mais palavras.

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