The imitation game. Imitation?

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Filmes sobre a guerra assim como livros atraem tanto cinéfilos quanto leitores. Embora o tema seja recorrente, jamais poderá ser considerado esgotado. Sempre há e haverá um olhar novo para inquietar nossos pensamentos. A quebra dos códigos da máquina alemã Enigma, que enviava mensagens aos submarinos da força nazista, não é novidade na tela. Pelo menos em 2001, a inglesa Kate Winslet estava no elenco de Enigma cuja temática se insere no mesmo compasso de The Imitation Game, com, no entanto, profundas diferenças. Se Winslet estava inserida em um enredo que também contemplava o romance, Benedict Cumberbatch, na pele do matemático Alan Turing, ingressa em outros terrenos para além do combate às forças germânicas na II Grande Guerra. A gigantesca batalha para construir uma máquina capaz de quebrar com os códigos produzidos pela Enigma está à frente do enredo. E é através de todas as contradições existentes no grupo de gênios em decifrar códigos, entre eles, em desempenho convincente, Keira Knightley (Joan Clarke), o filme dirigido por Morten Tyldum traz outros elementos que são capazes de colocar quem assiste a trama a refletir sobre a época em que ocorreu a guerra e seus costumes, sua cultura, seus conceitos e preconceitos. Revela-se a interpretação de Benedict onde os dramas pessoais de Turing são vividos por ele com extremo vigor e sensibilidade. As dificuldades de relacionamento social, a homossexualidade do personagem a permear sua vida são elemento vitais para que possamos parar um pouco para pensarmos sobre outras guerras: as que vivem as pessoas em seu interior. E as complexas e desumanas decisões sobre quem deve morrer quem deve viver. Ainda que ao fim do filme, apareça o reconhecimento britânico sobre o papel de Alan Turing, e a sua descoberta ter abreviado o conflito mundial em dois anos e poupado pelo menos 14 milhões de vida, fica em aberto a questão que coloca superiores em nível de escolher entre vida e morte. O sacrifício humano, o preconceito em uma época que aos poucos vai ficando distante, os conflitos de cada um mostram-se, no entanto, atuais. O Jogo da Imitação não é um divertimento. É um longa para ser refletido em todas as suas possibilidades, para muito mais de ser um filme que disputa o Oscar e coisas do gênero. Junto com a maior das tragédias, que a perda de vidas, estão outras tragédias cotidianas muito bem refletidas em quase duas horas, tempo em que a história é contada. Qualquer semelhança com o que acontece nos dias de hoje não é mera coincidência.

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