Once Mujeres: Guillo Espel y Fernanda Morello obra extraordinária

Guillo & Fernanda

É possível haver um encontro entre um compositor para violão e uma pianista interpretando suas versões para outras canções? Sim, é possível. Once Mujeres é um disco superior pois para além desse encontro há uma química entre as harmonias criadas por Espel e a notas tocadas por Fernanda. E nada que possa ser rotulada apenas como “obra do acaso”. A concepção do trabalho conjunto talvez tenha nascido do conhecido e reconhecido talento do violonista em ter perto de si músicos de grande sensibilidade. Assim, o primeiro passo dado pelos dois foi quando da gravação de Hojas de Hierba onde as composições de câmara e sinfônica de Espel tiveram a presença do piano de Morello. Depois, um arranjo para o tango “Maria” de Aníbal Troilo, do repertório dela. E, ao natural, as conversas entrelaçaram objetivos comuns e os nomes femininos vieram com a mesma densidade com que um compõe e a pianista interpreta. Dessa afinidade, duzentas canções estavam à mesa e as escolhas complicadas. Porém, foram se agrupando em tempos diferentes, gêneros distintos, motivações afetivas e pessoais de um e outro, gostos e influências também conspirando a favor e de repente Once Mujeres ganha forma, ganha corpo, ganha rosto, ganha vida. Vida concebida por ambos. Em entrevista a Nicolás Gagliani ao site http://www.musicaclasicaba.com.ar Fernanda faz uma afirmação definitiva: ” Esse é o trabalho de um intérprete, captar o essencial de cada estilo”. Afirmação alicerçada da forma e na estética do trabalho conjunto que não se limitou a ser arranjos para músicas com nomes de mulheres.

Capa FEr gui

Longe disso. cada composição escolhida ganhou versão. Ganhou uma vida completamente nova. ganhou uma dimensão que ultrapassa qualquer nota possível de ser dada tamanha a qualidade do trabalho e integração entre ambos. A essência musical se diluindo em favor do novo para versões de extraordinária beleza como “Eleonor Rigby” alcançam elementos diferentes no que ainda é hoje feito quando alguma canção dos Beatles é tocada, por exemplo. (http://www.musicaclasicaba.com.ar/blog/ver/10/Fernanda_Morello_y_Guillo_Espel_presentan_su_nuevo_CD)
Evidente que respeitando cada estilo e proposta, fica ainda mais evidente que a de Guillo Espel e Fernanda Morello rompe com toda e qualquer fronteira seja ela musical seja ela na relação entre compositor e intérprete. Por tudo isso e mais um tanto que ao ser escutado que Once Mujeres se inscreve como um dos discos mais instigantes e belos desde a sua concepção até chegar a sua execução. E atesta, em definitivo, o talento e a maioridade de Espel e Morello, quem sabe uma dupla cujo futuro não se encerra neste disco maravilhoso. Vida longa a ambos e felizes somos nós que podemos desfrutar de um trabalho de extrema sensibilidade.

http://www.youtube.com/watch?v=67NpGKKKtLU
http://www.youtube.com/watch?v=2jNN-NnRHzU

Foto: Marcos Zanellato. Capa: capturada na internet.

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