Song One or Once?

Song

A pergunta pode parecer despropositada. Não é. Pode até ser. Afinal, são filmes com conteúdos diferentes um do outro que, no entanto, se encontram em algumas de suas personagens. Em Once os protagonistas são na vida real músicos. Em Song One o sul-africano Johnny Flynn é quem assume o duplo papel seja na vida real seja na ficção. Anne Hathaway ainda que havia feito musical (foi Fantine em Os Miseráveis de 2012) está muito distante de Markéta Irglová, a tcheca que ilumina Apenas uma vez com sua doce personagem e que em vida cotidiana é compositora, cantora e pianista. É por aí que as semelhanças cessam. E a história assume outros rumos e segues bifurcações que o separam completamente da produção irlandesa.
A direção de Kate Baker-Froyland é sensível, conduz os atores com sensibilidade e faz com que cada um se revele ao extremo em suas interpretações. E isso vale para a veterana e sempre magnífica Mary Steenburgen, mãe do irmãos Franny (Anne) e Henry (Ben Rosenfield). Ela, uma arqueóloga em expedição no Marrocos, poucos antes havia discutido com o irmão e desde então o silêncio comprometia sua relação com ele, que deixara a Universidade para ser músico. Com seu violão, toca nas ruas, metrôs, e o folk vai incendiando sua vida até o dia em que sofre acidente e entra em coma. (Eis a semelhança com Once: músicos de rua, que acreditam no seu trabalho e sonham com o sucesso, o acidente não entra em nenhum momento no filme estrelado por Glen Hansard). Franny vai percorrendo os caminhos do irmão, frequentando os seus locais preferidos, assistindo aos shows que fazem a cabeça de Henry, e conhece o seu músico favorito James Forester, um cantor e compositor índie/folk. Por óbvio, a atração é comum aos dois, mas o que realmente é mais aprofundado no filme é a intensa procura interior de Franny por Henry. Talvez seja uma procura por sua própria identidade, talvez seja uma procura em reconhecer o irmão para além daquilo que imaginara dele e que foi desviado ao decidir ser músico. O acidente, o estado inconsciente é uma simbologia para a personagem de Hathaway, que no fundo foi a vítima do atropelamento, é ela que estava inconsciente até a revelação de henry através de suas canções, de seu diário, de seus lugares preferidos. Ao fazer e refazer tais caminhos e conhecer e se relacionar com Forester, e travar alguns duelos verbais com a mãe, que sua personagem ganha densidade e a atriz responde por inteiro as exigências do papel. Claro, Henry desperta, a vida continua e o final completamente aberto responde (ou não) o que o público deseja na relação entre o ídolo folk e a irmã arqueóloga. Um final que instiga a imaginação. Quanta a pergunta do título, bom, os dois, cada um com suas características próprias, claro.

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