Agradecimento ao Jockey Club do Rio Grande do Sul

Ontem, 18 de dezembro, data do aniversário de 83 anos de Mario Rossano, por iniciativa do JCRGS foi realizado páreo denominado Prêmio Mário Rossano Jóquei Vencedor da Prova Inaugural do Hipódromo do Cristal. A nona prova da  184ª reunião, disputada na distância de 1.200 metros foi vencida por Bom Dia, com a direção segura e decisiva de A.F.Matos, sendo treinado por F.Silva. O castanho filho de Put It Back em Rebecca de criação do Haras Santa Maria de Araras e propriedade de Edmundo de Cesaro Musa cumpriu o percurso em exatos 1´16″1´, secundado por Pampeano e Penqueiro respectivamente.

Nosso agradecimento ao Presidente do JCRGS, José Vecchio Filho, ao seu Vice, Ricardo Felizzola e demais membros do corpo diretivo, funcionários, profissionais, também homenageados com Clássico no 6º páreo, e turfistas pela homenagem a um nome que expressa, em todos os sentidos, a verdadeira dimensão e grandeza do turfe. Mario Rossano é história e lenda nas pistas de nossos hipódromos e habita o imaginário de todos aqueles que têm nas corridas de cavalos sua paixão.

http://www.jockeyrs.com.br/jockeytv/?v=2663

Da mesma forma, estendemos o agradecimento ao Jockey Club de Pelotas, que de pronto, na reunião de 10 de maio homenageou in memoriam Mario Rossano. A prova em 1.400 metros foi vencida por Hidramático, conduzido por D.R.Freitas e sob os cuidados de P.Oliveira.

Pelotas

Ficamos sensibilizados.

Foto: JC Pelotas.

Um tango para Mario Rossano

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O dia amanheceu mais cinza que ontem, quando a chuva fez visita inesperada e não deixou recado. Hoje, é a tristeza que vem sem pedir licença, tristeza que instalou desde abril passado e ainda é cotidiana. Nessas idas e vindas dela, sempre insone, vamos construindo nossa história com as ausências doendo. Os olhos avermelham, se tornam pequenos e nublam o próximo passo. E esse cinza insiste em não deixar que pelo menos um raio de sol penetre nossas janelas.

Hoje o pai estaria completando 83 anos. Hoje. E os ventos que chegam com cada folha da lembrança vão formando um livro, em que as páginas não precisam ser revisadas, para ser impresso. O cheiro do sal grosso, da carne, do vinho tinto, do fogo nascendo entre as pedras de carvão e o tango, cada um se junta às histórias que chegam como um potro pronto para a doma. E todos nós em sua volta atentos, repletos de perguntas que jamais cansou de responder. Sempre foi o mesmo, nunca trocou as histórias. Confessava o quanto adorava o tango e Carlos Gardel. Algumas vezes levei tangos “modernos”, dizia, e ouvia uma única vez para me agradar. “Tango é Gardel”, repetia. “Gardel, e um tinto, a carne, a família, os cavalos, o Internacional, os amigos, para quê Mais?”, não cansava de afirmar. E eu não cansava de levar o tinto e os tangos (está certo, às vezes me vinha com um: “Pô, de novo esses modernos!”)

Gravei com ele um longo depoimento nos 80 anos de vida. Assou uma costela como nunca havia visto antes. Conversamos para além da entrevista. Eu, jornalista, ele, ex-jóquei, ex-treinador. Como foi complicado separar o filho do profissional e olhar o pai também como profissional. A matéria ficou demasiada longa e não foi aproveitada no seu livro, que meu irmão Mário editou. Não consegui fazer os cortes necessários. Cortar sua palavra seria cortar sua história. Não fiz. Publiquei com os erros  de transcrição e outros mais sem edição aqui no Chronosfer quando da partida do “Viejo”.

Estou assim, escrevendo sem rumo, as palavras, as lembranças, a ausência,  a saudade dele e da mãe conspiram para que eu possa apenas escrever com linhas tortas tudo o que sinto. E também sentem os meus irmãos. E tudo o que me vem são lágrimas que impedem meus olhos e mãos alcançarem a tela e o teclado do computador. Sei que a falta que faz é tanta que não cabe mais dentro de mim. Olho uma velha foto em que estamos todos juntos, pai, mãe, meus irmãos e eu. Nós, os cinco. Esse passado é o meu presente. Teus 83 anos, pai, é o ar que respiro nessa manhã cinza e triste e também feliz, porque tenho em mim a alegria de teres sido o meu pai. Ainda vamos nos encontrar, todos nós, os cinco, para a fotografia da capa do livro das nossas vidas.

Família Rossano

Nós, os cinco.

 

DSC01422 Torcendo pelo Inter.

DSC00984 As histórias. Abaixo, o tango e a música.

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www.youtube.com/watch?v=mMA8-fjAVeI

www.youtube.com/watch?v=4qVKYcn3OXc

Fotos: Chronosfer. A foto Nós, os cinco originalmente pertence ao acervo da Revista do Globo.

2014, a barbárie derrota a civilidade

As capas de jornais, sites, matérias veiculadas no mundo inteiro chocam. Fragmentam nossos raros indícios de seres humanos. O coração é espremido e a alma parece flutuar em direção alguma. O massacre no Paquistão não possui uma única sequer justificativa. Uma perda que seja, é uma tragédia, seja de que lado for. Centenas sacrificados é barbárie. O atentado em Peshawar por milicianos do grupo Movimento Talibã do Paquistão (TTP, em pashtu) teve objetivo firmado: vingar vítimas do exército em áreas tribais. A cada ano as guerras se sucedem. Atentados se tornam rotina. Não é exclusividade do Paquistão. As listas de ataques a inocentes civis aumenta a cada instante. Em pleno século XXI, atos como o que testemunhamos com os avanços da tecnologia – os mesmos avanços utilizados para o genocídio – prova e comprova os tantos passos atrás que a humanidade está dando. A morte, tragédia repito, está a cada dia mais banalizada, como se fosse um bem incorporado à vida. É certo que um dia chegará, que chegue em paz. Que não seja consequência de alvos por questões étnicas e religiosas, por ódio.

Em 1999, o compositor Jonathan Elias criou The Prayer Cicle, um álbum orquestral e com coros dividida em nove movimentos. Variações contemporâneas, deram sopros de esperança e fé na humanidade. As línguas cantadas foram em húngaro, hebraico, latim, suaíli, tibetano, urdu, mali, espanhol, alemão, francês, italiano e inglês. Foram escalados nomes como Alanis Morissete, James Taylor, Gustavo Santaolalla, Nusrat Fateh Ali Khan, Salif Keita, Ofra Haza, entre tantos que abraçaram a causa de Elias.

Prayer_Cycle

Com o The American Boychoir e a The English Chamber Orchestra & Chorus, condução de Lawrence Schwartz, o encarte traz fotos da guerra da Bósnia-Herzegovina, os conflitos de Sarajevo, o dilaceramento da Iuguslávia. Cada movimento é dedicado a uma expressão espiritual diferente. Há o comprometimento dos artistas com a vida, com a paz, com a tolerância, o respeito às diferenças. É uma declaração profunda para a aproximação intercultural, étnica e religiosa.

The Prayer Cicle a todos. Sem exceção, para que que a civilidade vença a barbárie. Ainda há tempo.

www.youtube.com/watch?v=EAK5xe3woAQ

www.youtube.com/watch?v=AXELBsw1xak

www.youtube.com/watch?v=Yu58-2UiA1k

www.youtube.com/watch?v=BytiU_2MU-A

www.youtube.com/watch?v=_Z8mg2wHhMk

McGuinn, Clark & Hillman: trio depois dos Byrds

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Os fundadores dos Byrds se reuniram em 1979. Nasceu o trio McGuinn, Clark & Hillman. Com uma pré-determinação: não repetir os The Byrds. A questão estava em suas formações musicais, um quê de pop-rock e folk ainda visíveis em suas composições, inclusive no disco há uma ou canção que segue esse caminho com “Release me girl”. O que, enfim, se tornou um diferencial foi o vocal a três. A mistura das vozes escapou da armadilha byrd de ser, e cada um já tinha suas partes vocais assumidas no disco. Porém, na forma, na estética e mesmo nos vocais se aproximaram em demasia dos Eagles. E isso passou a ser uma espécie de preenchimento de vácuo pois os Eagles não gravavam a algum tempo e o trio vinha pronto para se encaixar. E realmente, o single lançado foi direto às paradas da época, puxado do Roger McGuinn. Os críticos, com uma certa maldade, atribuíram o sucesso a ausência dos Eagles. Injustiça, por certo, já que os três em nenhum momento se tornaram ou foram imitadores dos “grupo original”. Tinham composições de muita beleza, baladas perfeitas ainda que os mesmos críticos afirmavam que City não possuía conteúdo e muito menos se aproximava dos extraordinários Crosby, Stills & Nash. Aliás, David Crosby foi um byrd, e se estivesse no grupo seria a reedição dos Byrds? Talvez sim, talvez não. A verdade é que o disco é muito bom, se ouve com alegria e prazer e em meio a um período de muitas transformações sonoras, Roger McGuinn, Gene Clark & Chris Hillman foram autênticos. É um registro valioso, raro e que será sempre uma referência.

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www.youtube.com/watch?v=PEbz62IE9dg

www.youtube.com/watch?v=Md3YHOCRku0

www.youtube.com/watch?v=rC45NEQutiE

Fotos: Acima, crédito na própria foto, do site http://www.features.com, e capa do disco capturada na Internet.

Gene Clark, um Byrd solitário

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É possível até hoje ouvir que os Byrds eram Roger McGuinn e David Crosby, mais o baixo de Chris Hillman. Engana-se quem pensa assim. O grande mentor do grupo foi Gene Clark. Nascido Harold Eugene Clark em 1944, aos vinte anos encontrou o então James ou Jim McGuinn (e depois Roger, em definitivo) para formar o The Byrds, que, sem dúvida, revolucionou a folk music dando a ela psicodelismo e eletricidade. Para Hillman, Clark era a alma e a síntese da banda. Ele e suas composições foram guias em uma década inesquecível em todos os níveis da arte, em especial a música. E é exatamente no período de 1964/66 que os Byrds experimentam sua melhor fase. Com Gene Clark. Desentendimentos o afastam, e começa a peregrinar aqui e ali, formando duplas, retomando os Byrds, outros grupos, trio (McGuinn, Clark & Hillmann – 79), discos solos. Em geral, pouco sucesso, muito fracasso. Sua guitarra ritmo, que ao tempo dos Byrds passara a Crosby em troca do pandeiro e harmônica, compôs belas canções country-folk- rock distantes da repercussão comercial desejada, embora o reconhecimento da crítica. E então a história se torna recorrente: álcool e drogas entram em sua vida. Passa por períodos melhores, outros piores, se aproxima do guitarrista Jesse Ed Davis, realizam trabalhos juntos, e depois cada um segue seu caminho. Interessante que Davis é encontrado nos créditos de vários e extraordinários músicos como George Harrison, John Lennon, Eric Clapton entre tantos. Até que aos 46 anos, em 1991, a morte o encontra. Deixou um legado fantástico, vários trabalhos significativos e sobretudo por ser (a obra é perene, fala-se no presente) um compositor instigante e coerente com sua trajetória e jeito de ser.

Um depoimento bem pessoal: tenho um cd surpreendente chamado Live at The Old Vienna Kaffehaus de 1988. Ali, está um músico atormentado, solitário, um violão riscando a tristeza em repertório em que há muito de Bob Dylan e Byrds, mas há a alma de Gene Clark sendo aberta. Um disco por tudo, maravilhoso e a sonoridade acústica fascina e a voz é doce e envolvente.

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www.youtube.com/watch?v=x901yPr6pP8

www.youtube.com/watch?v=HSIYFqeEacQ

www.youtube.com/watch?v=j5ruo6h6AGk

Fotos: http://fanart.tv e http://www.furious.com, pela ordem.

Ídolo portenho Jorge Ricardo vence Pellegrini 2014

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A tarde ensolarada em San Isidro pouco antes de as luzes artificiais tomarem conta cedeu lugar a uma chuva suave com todo o jeito e charme que vem com o verão. A grama da raia em nada sentiu o choque da água em seu corpo verde. E no partidor dos 2400 metros do Grande Prêmio Carlos Pellegrini estavam todos os vinte e um competidores alinhados para a disputa. E foi um grande páreo. E nele, o sanguíneo Jorge Ricardo foi ao extremo em sua técnica como jóquei para levar Ídolo Porteño ao disco final com vantagem sobre Soy Carambolo e Must Go On, segundo e terceiro pela ordem.

Com essa vitória, Ricardo, que havia vencido em setembro no Hipódromo do Cristal em Porto Alegre o duelo contra o norte-americano Russell Baze, montando Rei do Tango, parece que decidiu não deixar dúvida quanto aos lados do Prata em sua vida. No Pellegrini é Ídolo Porteño o nome do cavalo que conduziu. Cristal e San Isidro formam uma bela dupla e marca Jorge Ricardo cada vez mais entre os maiores pilotos de cavalos de corrida do mundo. É, o tango definitivamente cai bem melhor em Ricardo, por muito mais que uma cabeça.

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Na foto acima, Ricardo e Mário Rozano quando do Desafio com Baze, em setembro passado. Aguardem para logo mais no De Turfe Um Pouco, Los Pingos de Todos e Todo a Ganador matérias e análises completas sobre a reunião de hoje em San Isidro, que culminou com o GP Carlos Pellegrini.

ASSISTA ABAIXO O GRANDE PRÊMIO:

https://www.youtube.com/watch?v=kYXDj7b0X50

 

Em Buenos Aires, hoje, o GP Carlos Pellegrini: acompanhe

RATIFICADOS JORNADA INTERNACIONAL 
CARLOS PELLEGRINI

 
O maior dos grandes prêmios de corridas de cavalos será realizado hoje na pista de grama de San Isidro. Os programas das principais provas estão acima. E você poderá acompanhar ao vivo de acordo com a nota abaixo:
 
 HIPÓDROMO DE SAN ISIDRO INFORMACIÓN DE PRENSA 

El Hipódromo de San Isidro informa que hoy, desde las 11AM podrán disfrutar de una Transmisión en VIVO desde el Centro de Entrenamiento del HSI, con la mejor previa de la Jornada Internacional 2014.

La emisión incluirá versiones históricas del Gran Premio Internacional Carlos Pellegrini como así también entrevistas con los protagonistas de la máxima fiesta del turf Sudamericano.

Notas, información de último momento, declaraciones y mucho más en una emisión en directo sin precedentes.

El evento se podrá ver en la página WEB del HSI y estará disponible -en directo- en www.hipodromosanisidro.com.ar

 

Pablo C. Carrizo

Jefe de Prensa y Comunicación – Hipódromo de San Isidro

 

Os turfistas que aqui chegarem ou os que gostam de corridas de cavalos poderão acompanhar os grandes prêmios da reunião de hoje e também ter acesso ao material que será produzido por Mário Rozano no http://www.mariorozanodeturfeumpouco.blogspot.com, por Marcelo Fébula e Gustavo Lopecito López no http://www.lospingos.com.ar, com  Pablo F. Gallo na Revista Todo a Ganador, e Marco Oliveira no Jornal do Turfe, esse publicado mais tarde, com os comentários e reflexões sobre a grande disputa, que estão presentes no evento. Programa imperdível do turfe da América do Sul.

Orquestra Villa-Lobos: Redescobrir é sempre possível

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Vinte e dois anos. É a idade da Orquestra Villa-Lobos. Semeada com persistência e convicção, é um trabalho que não adormeceu nos leitos nada generosos da burocracia e do imobilismo público. E ali, cravada na Lomba do Pinheiro, bairro periférico de Porto Alegre, na Escola Municipal Heitor Villa-Lobos, que Cecília Rheingantz Silveira desperta gerações de jovens para o presente. E cada um dos alunos que passaram, os que estão, e os que irão chegar, todos no mesmo tempo verbal, fazer do velho clichê que o sonho é o começo da realidade. Vinte e dois anos. Idade em que a adolescência vai ficando para trás, deixando rastros e saudade, e  a maturidade vai se apresentando com as suas tantas faces para outras tantas descobertas. O que antes fora um grupo pequeno de jovens com flautas doces se tornou um gigante de mais de 800 alunos distribuídos em oficinas onde a música é a motivação essencial de uma ideia concreta e real de transformação social. Vinte e dois anos. Idade em que vida também se transforma. Em que cada um vai escolhendo caminhos. E se reinventar para o que virá. As interrogações do futuro são transformadas em acordes e harmonias que hoje são uma orquestra. Orquestra que ousa apostar na arte, na criatividade, na capacidade transformadora de cada músico que nasce em cada gesto da regente, e de todos os professores que formam a Orquestra uma casa. Vinte e dois anos. E aquela imagem criada por Márcio Borges para o Clube da Esquina dos mineiros liderados por Milton Nascimento se torna verdadeira: os sonhos não envelhecem. E ao longo do tempo quantos estão nos bailes da vida, ainda lembrando Milton, indo aonde o povo está como músicos e artistas com sua arte transformando outras vidas.

Ontem, o encerramento de 2014 para a Orquestra Villa-Lobos foi Redescobrir. Repertório que contemplou variações de gêneros, passando por Lenno&McCartney, Milton Nascimento, Zé Rodrix, G. Ph Tlemann, Paulo Tatit, Bob Marley, Ramon Sixto Rios, Nico Nicolaiewsky, Rita Lee, Assis Valente, Ernesto Nazareth , Lupicínio Rodrigues, Tom Jobim e, claro, Villa-Lobos. Diversidade, transversalidade. A apresentação não ficou limitada somente na orquestra. Solos de Simone Rasslan, Leandro Maia, Marcelo Delacroix, Beto Chedid, Álvaro RosaCosta, sapateado americano, textos recitados, e uma participação especialíssima ao piano em “Escorregando” de Mariaclara Weber, de 11 anos.

Dois cds foram gravados: O Trenzinho do Caipira (2002) e Olhos Coloridos (2008). Um dvd faz parte da discografia: Orquestra Villa-Lobos Ao Vivo (2013). Um livro editado: Orquestra Villa-Lobos – Música que transforma (2012). A Orquestra  é mantida pela Secretaria Municipal de Educação de Porto alegre e tem como parceiro o Instituto Cultural São Francisco de Assis. O contato: orquestravillalobos@terra.com.br (não percam tempo!)

Redescobrir não tem idade. Mas, aos vinte e dois anos a Orquestra Villa-Lobos mostra à sociedade que outro mundo é possível. Com arte, talento, sensibilidade, persistência, dedicação e força que cada um tem dentro de si. Aos vinte e dois anos a Orquestra e a regente Cecília não apenas redescobrem caminhos e possibilidades. Ensinam. Nós somos premiados por este trabalho. Vinte e dois anos, que bom que apenas é o início da vida.

www.youtube.com/watch?v=_NLHx6P0v-0

www.youtube.com/watch?v=oDQELKkifIg

www.youtube.com/watch?v=St-l7L7qtCU

Foto: Ricardo Giusti

Tiê, cantora para além das canções

Tiê

A riqueza cultural, e penso aqui e agora na música, é inesgotável. Por vezes acredito que há gerações dentro de gerações de cantores, cantoras, instrumentistas, compositores, de todos os estilos e gêneros, que jamais irá faltar algo em nosso mapa. Então, ao percorrer esse mapa repleto de nomes que soam estranhos para muitos, que me deparei com Tiê. Na verdade, toda a vez que ia na Fnac ou Saraiva sempre estava lá um disco dela. Um dia comprei Sweet Jardim (2009). E Tiê Gasparinetti Bial, paulista de nascimento, que carrega uma mochila de vida onde estão curso de Relações Públicas, canto em Nova York, modelo dirigida inclusive por Fernando Meirelles e dona de Café, entrou no meu mapa pessoal de música. E não me arrependi. É uma cantora que abre caminhos. Para si mesma e para outros. Ali já estavam Dudu Tsuda, do Pato Fu, e Toquinho, por exemplo. Excursionar pelo Brasil e Europa foi o ingrediente a mais em sua carreira. Sweet é muito pessoal, é Tiê em carne e alma, piano e violão e letras. Um disco fascinante. Dois anos depois, nasce A Coruja e o Coração com o mesmo percurso, porém maior em dimensão, mais denso, mais Tiê. Recebeu indicação como revelação do Prêmio Multishow de 2010. Nele, a confirmação de ser uma das cantoras/compositoras referência dos anos 2000 no país. Abre espaços, ousa, cria, experimenta, faz parcerias com Jorge Drexler e Marcelo Jeneci, e olha para os companheiros de geração. Não é uma cantora fechada em si mesma. Ao contrário. Por isso, se consolida. Esmeraldas chega ao natural. Com a epidérmica sensação de viva que transmite e vive. Mas, sobre o disco não irei comentar nada. Deixo com vocês. Tiê, nome para ficar sempre presente. Escute com calma e transpire a suavidade de cada canção. Vale a alma toda.

www.youtube.com/watch?v=5q1Gm3qga4k

www.youtube.com/watch?v=ZmSAIBYEvWQ

www.youtube.com/watch?v=OrUUK5Ax36k

www.youtube.com/watch?v=Bvd4mq1AfCE

Foto: site http://www.brasildedentro.blogspot.com

 

Tom Jobim: vinte anos depois….

15/12/1992.TOM JOBIM.  FOTO: CLOVIS FERREIRA/AE PASTA :8772

Hoje, na contagem do tempo, vinte anos se completam da partida de Tom Jobim.  Como todas as perdas, irreparável. Sem ele, as águas de dezembro esfriaram no lado de cá do hemisfério sul. Jobim foi brasileiro até no nome: Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim na certidão de nascimento. Falar exatamente o quê de um compositor que sempre esteve (e está) presente em todos os momentos de nossa vida. Quem não se envolveu com “Garota de Ipanema”? ou “Chega de saudade”? Quem sabe a eternizada “Águas de março”, em gravação antológica com Elis Regina? As parcerias com Chico Buarque, Toquinho, Vinícius de Moraes, Edu Lobo atualíssimas. As canções que compõem o disco com Frank Sinatra, de 1967, ou então a presença do violão e voz de João Gilberto a encantar ainda mais suas composições. Poderia ficar aqui enumerando, contando, descrevendo tudo que seja possível sobre o carioca do mundo.  Se não fosse suficiente cada uma de suas músicas, a aproximação definitiva do popular e o erudito e o erudito com o popular já o colocaria em todos os halls existentes da fama e da sensibilidade. Mais que compor o considerado marco zero da bossa nova, Jobim foi (e é) a essência da brasilidade universal.

Vinte anos sem Tom. O brasil fica assim, com letras minúsculas. Dentro de nós, é maiúsculo. Abaixo alguns de seus trabalhos na íntegra.

www.youtube.com/watch?v=vjDNsqWkIcY

www.youtube.com/watch?v=F016NbHwszE

www.youtube.com/watch?v=VdwHtAXSyXA

www.youtube.com/watch?v=pQdUhTp_MT8

Foto: http://www.jornalggn.com.br/blog/laura-macedo