Orquestra Villa-Lobos: Redescobrir é sempre possível

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Vinte e dois anos. É a idade da Orquestra Villa-Lobos. Semeada com persistência e convicção, é um trabalho que não adormeceu nos leitos nada generosos da burocracia e do imobilismo público. E ali, cravada na Lomba do Pinheiro, bairro periférico de Porto Alegre, na Escola Municipal Heitor Villa-Lobos, que Cecília Rheingantz Silveira desperta gerações de jovens para o presente. E cada um dos alunos que passaram, os que estão, e os que irão chegar, todos no mesmo tempo verbal, fazer do velho clichê que o sonho é o começo da realidade. Vinte e dois anos. Idade em que a adolescência vai ficando para trás, deixando rastros e saudade, e  a maturidade vai se apresentando com as suas tantas faces para outras tantas descobertas. O que antes fora um grupo pequeno de jovens com flautas doces se tornou um gigante de mais de 800 alunos distribuídos em oficinas onde a música é a motivação essencial de uma ideia concreta e real de transformação social. Vinte e dois anos. Idade em que vida também se transforma. Em que cada um vai escolhendo caminhos. E se reinventar para o que virá. As interrogações do futuro são transformadas em acordes e harmonias que hoje são uma orquestra. Orquestra que ousa apostar na arte, na criatividade, na capacidade transformadora de cada músico que nasce em cada gesto da regente, e de todos os professores que formam a Orquestra uma casa. Vinte e dois anos. E aquela imagem criada por Márcio Borges para o Clube da Esquina dos mineiros liderados por Milton Nascimento se torna verdadeira: os sonhos não envelhecem. E ao longo do tempo quantos estão nos bailes da vida, ainda lembrando Milton, indo aonde o povo está como músicos e artistas com sua arte transformando outras vidas.

Ontem, o encerramento de 2014 para a Orquestra Villa-Lobos foi Redescobrir. Repertório que contemplou variações de gêneros, passando por Lenno&McCartney, Milton Nascimento, Zé Rodrix, G. Ph Tlemann, Paulo Tatit, Bob Marley, Ramon Sixto Rios, Nico Nicolaiewsky, Rita Lee, Assis Valente, Ernesto Nazareth , Lupicínio Rodrigues, Tom Jobim e, claro, Villa-Lobos. Diversidade, transversalidade. A apresentação não ficou limitada somente na orquestra. Solos de Simone Rasslan, Leandro Maia, Marcelo Delacroix, Beto Chedid, Álvaro RosaCosta, sapateado americano, textos recitados, e uma participação especialíssima ao piano em “Escorregando” de Mariaclara Weber, de 11 anos.

Dois cds foram gravados: O Trenzinho do Caipira (2002) e Olhos Coloridos (2008). Um dvd faz parte da discografia: Orquestra Villa-Lobos Ao Vivo (2013). Um livro editado: Orquestra Villa-Lobos – Música que transforma (2012). A Orquestra  é mantida pela Secretaria Municipal de Educação de Porto alegre e tem como parceiro o Instituto Cultural São Francisco de Assis. O contato: orquestravillalobos@terra.com.br (não percam tempo!)

Redescobrir não tem idade. Mas, aos vinte e dois anos a Orquestra Villa-Lobos mostra à sociedade que outro mundo é possível. Com arte, talento, sensibilidade, persistência, dedicação e força que cada um tem dentro de si. Aos vinte e dois anos a Orquestra e a regente Cecília não apenas redescobrem caminhos e possibilidades. Ensinam. Nós somos premiados por este trabalho. Vinte e dois anos, que bom que apenas é o início da vida.

www.youtube.com/watch?v=_NLHx6P0v-0

www.youtube.com/watch?v=oDQELKkifIg

www.youtube.com/watch?v=St-l7L7qtCU

Foto: Ricardo Giusti

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