Hemingway, sempre

As ilhas

O imortal autor de O velho e o mar – Pullitzer em 1953 – e Adeus às armas foi um incansável escritor. Não por acaso Prêmio Nobel de Literatura em 1954. Sua estética é paradigma. Forma contundente de expressar através de frases curtas e objetivas, Ernest Hemingway viveu uma vida em toda a sua plenitude. E, também, todos os seus riscos. Pertenceu a um grupo de exilados ou chamados de “geração perdida” que, por vontade própria, viveu na intensa Paris dos anos 1920. Primeiro, como jornalista e, depois, como motorista de ambulância durante a Primeira Guerra Mundial. Era o início de sua carreira literária fulminante. Em direção ao sucesso. Não satisfeito, mergulhou profundamente na Guerra Civil Espanhola narrada em Por quem os sinos dobram. Foi o suficiente para ele? Não. Acompanhou de perto, como correspondente, a Segunda Guerra Mundial. Não bastasse, viveu em Cuba, havendo inclusive algumas matérias afirmando que teria sido espião norte-americano na ilha caribenha. De vida afetiva atribulada – foram quatro casamentos – conviveu com os então principiantes Ezra Pound e Scott Fitzgerald, por exemplo. Sua criatividade e talento estão presentes em pelo menos dez romances, 11 livros de contos e pequenas histórias e seis publicações não ficcionais. As ilhas da corrente é uma edição póstuma. Publicada em 1970, Hemingway acabaria com sua vida em 61, é um romance que narra as aventuras e tragédias da vida do pintor Thomas Hudson. A obra é dividida em três partes, que pode ser lida como pequenas novelas, que se entrelaçam, ou se fragmentam entre si, embora revelam toda a sua maturidade na escrita. “Bimini”, a primeira parte, se passa em ilha paradisíaca do Caribe; em “Cuba”, segundo momento, Hudson é um homem atormentado que perde o filho e reencontra a primeira esposa. O desfecho recebeu como nome de batismo “No mar” e tem elementos de guerra muito definidos na ação do personagem, verdadeiro caçador de submarinos nazistas durante o conflito dos anos 40. Considerado por muitos da crítica literária como a sua melhor obra pós-1961, As ilhas da corrente mantém a elegância de seu estilo capaz de prender até o menos interessado leitor. Um livro extraordinário e imperdível. A tradução de Milton Persson é precisa e um dos pontos de atração da leitura.

As ilhas da corrente

Ernest Hemingway

Editora Bertrand Brasil

558 páginas

Preço sugerido: R$ 59,00

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3 Respostas para “Hemingway, sempre

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