Jorge Ricardo x Russell Baze: um tango argentino vai bem melhor que um blues

O cantor e compositor cearense Belchior estava certo ao compor A palo seco nos anos setenta. Seus versos são definitivos ao se encontrarem com o desafio realizado no Hipódromo do Cristal quinta-feira passada, 18 de setembro, entre os dois maiores jóqueis do mundo na atualidade: “Tenho vinte e cinco anos de sonho e de América do Sul/Por força deste destino/Um tango argentino/Me vai bem melhor que um blues”. O grande público presente à disputa entre o brasileiro, hoje radicado na Argentina, Jorge Ricardo e o canadense, naturalizado norte-americano, Russell Baze, também concordou. E o destino aprontou mais outra: o desfecho veio com o cavalo Rei do Tango. (Mas um blues também cai muito bem.)

Cinco provas definiram o vencedor. Do quarto ao oitavo páreo da reunião de doze foram exclusivas para o desafio. E na disputa, algumas surpresas. Ricardo e Baze não venceram todas as provas. O brasileiro cruzou a linha de chegada em primeiro uma única vez. O norte-americano duas. Os outros dois páreos foram vencidos por jóqueis de Porto Alegre. E em grandes performances. Dignas do desafio entre os melhores do mundo. Erenito Lima e Hilson F. Santos brindaram os turfistas com verdadeiras “joqueadas”. Ao fim do duelo, Jorge Ricardo, por um ponto, levou a melhor. O tango venceu o blues nessa disputa muito particular. Ambos possuem currículo que alcança mais de doze mil vitórias cada um. Recordistas em todos os sentidos, vencedores de todas as provas que disputaram, Ricardo e Baze por obra do acaso se defrontaram com outro desafio que não estava previsto: veteranos x jovens. Os resultados provaram que muitas vezes ou quase sempre a sabedoria adquirida através da experiência faz a diferença. Jorge Ricardo, 52 anos, Russell Baze, 56, Hilson F. Santos, 55, e Erenito Lima, 58, o mais velho de todos, deram show de classe e técnica. Baze, talvez seja mais técnico, Ricardo, além da técnica, é sanguíneo, vai à disputa com tudo. Baze é mais calculista, mais frio. Não por acaso grandes jóqueis. Não por acaso recordistas mundiais. Não por acaso os melhores do mundo.

Quem venceu, na verdade, foi o público presente. Uma tarde-noite inesquecível. Pra ficar na memória de todos que lá estiveram. E para quem acessar os sites e olhar as corridas.

Meu agradecimento especial ao meu irmão Mario Rozano (De Turfe um Pouco) por me levar ao hipódromo e proporcionar momentos únicos, divididos com pessoas especiais como Marcelo Fébula (Los Pingos de Todos) e também extraordinário violonista, Pablo Fernando Gallo (Todo a Ganador) e Marco Antônio de Oliveira, cujas narrações marcaram muito as  vitórias conquistadas por meu pai quando jóquei e treinador e em suas colunas no Jornal do Turfe, onde realiza trabalho essencial de recuperação da memória do nosso turfe.

E mais do que tudo, a presença em todos os espaços do Hipódromo do Cristal do meu pai Mario Rossano, que continua iluminando as pistas de corrida não apenas da minha memória mas a de todos os que o viram cruzar o vencedor centenas de vezes.

Fotos: Chronosfer. Pela ordem: 1 – Marcelo Fébula, Mario Rozano, Jorge Ricardo e Pablo Gallo. 2 – Marcelo Fébula, Jorge Ricardo, Pablo Gallo, Russell Baze e Mario Rozano. 3 -Russell Baze e Jorge Ricardo. 4 – Jorge Ricardo (Rabanada) e Russell Baze (Xamba Danz). 5 – Russell Baze (Chamarisco). 6 – Jorge Ricardo (Ever King). 7 – Erenito Lima (em entrevista após vencer com Rugendas). 8 – Hilson F. Santos (Likefather Likeson)

IMG_0255IMG_0296IMG_0356IMG_0402IMG_0400 IMG_0408Hilson F. Santos

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