Joaz Baez: lucidez e engajamento

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A presença de Joan Baez na América do Sul é emblemática. Traz muito da vida, do sentido, do porquê, do ativismo consequente, do talento, da sensibilidade. Momentos como os que vivemos podem ser comparados com a exclusiva e única década de sessenta? Não, impossível. Pelos adjetivos escritos linhas acima. São outros tempos. Outros sentidos, outros porquês, e, sobretudo, outras consequências. Em várias entrevistas, a cantora e compositora de folk, fala sobre muitas coisas. Sobre o seu cotidiano atual. Chama a atenção dois pontos: o primeiro a respeito de Bob Dylan, de quem foi namorada e grande impulsionadora de sua carreira: o seu relacionamento com ele é zero. O segundo, nunca mais haverá uma década como a dos anos sessenta onde surgiram Beatles, Rolling Stones, The Byrds, Joni Mitchell, Richie Havens, The Who, e tantos mais. Sua fala permite várias reflexões, uma delas é por onde caminhamos hoje. O que foi feito da magia e força daqueles anos que se diluíram aos poucos até este século XXI complexo e das redes sociais.

Joan esteve sempre na linha de frente. havia a Guerra do Vietnan, Martin Luther King, as canções que retratavam o protesto contra a opressão, contra a guerra genocida, contra o racismo. Estava vivendo para transformar a sociedade e seus costumes, para melhor. De alguma forma, o sentido e o porquê se entrelaçavam. Começou em 1959 no Newport Folk Festival e em seguida deslanchou pela América do Norte inteira. Ganhou o mundo. Sacralizou Woodstock. Sua apresentação à noite é daquelas de se guardar pela vida inteira, interpretando “Joe Hill”.  Era (e é) tão ligada ao folclore que gravou Villa-Lobos, gravou “Mulher rendeira”, gravou um disco inteiro em espanhol chamado Gracias a la vida. Não abandonou seus princípios. É a mesma e lúcida Joan Baez dos anos sessenta.

A presença dela, lançando seu disco Day after tomorrow, produzido pelo cantor e compositor Steve Earle, nos proporciona momentos únicos. Ela, que foi proibida de cantar no Brasil em 1981 por um fatigado regime militar, está aqui para nos fazer pensar. Para que os sentidos e os porquês tenham sentido e porquê. Para que possamos realmente transformar a sociedade atual em uma sociedade mais séria, mais comprometida, mais justa, mais humana, mais ética, mais íntegra. Ouvi-la é dar um passo à frente contra todos os tipos possíveis de violência.

http://www.youtube.com/watch?v=2M9urmuiREc

Foto: Marina Chavez

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