La Mufa: tango à frente sem concessões

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Sem dúvida, o tango é um gênero universal. Mais, habita o imaginário não apenas do Rio da Prata, mas invade outros tantos universos seja de que lado for do planeta. Por vezes, e por muito tempo foi assim, discriminado por ser cantado em locais nada sacros, principalmente em suas origens lá de trás em fins do século 19, até ser quebrado o estigma por Carlos Gardel. No seu nascedouro, os prostíbulos, quebram-se a imagem de que o tango era triste, melancólico embora repleto de paixão. Ao contrário, por essa época a chegada de imigrantes de toda a Europa para ocupar postos de trabalho na Argentina, e sua frequência dos trabalhadores solitários em busca de prazer nas casas de prostituição mudou os costumes de então. Enquanto esperavam vez, os espaços eram ocupados por encenações musicais e danças sensuais. Dessas experiências musicais, ritmos como a polca europeia, a havanera cubana, o candombe uruguaio, a milonga espanhola, se mesclaram para nascer o tango. Primeiro como trio musical, instrumental apenas, mais tarde com letras igualmente sensuais, pouco a pouco a resistência a ele foi sendo atingido até que penetrou de vez os salões de festa, Gardel estourou no mundo inteiro a partir da chegada do ritmo à Europa.

Na segunda metade do século 20, Astor Piazzolla revoluciona de forma definitiva o tango. Como na juventude havia estudado nos Estados Unidos, ele, ao retornar ao Prata, trouxe na bagagem influências do jazz. E começa uma nova história.

Várias formações nascem, várias influências passam a exercer papel preponderante na execução do tango seja como ritmo seja como gênero.

Assim, do lado desse emblemático rio, o La Mufa é um diferencial estético e criativo no que ouso chamar de novo tango. Passando ao largo do tradicional, porém sem perder de vista o que foi construído pro Piazzolla e Aníbal Troilo, por exemplo, viaja para as décadas passadas com uma formação harmônica alicerçadas em uma sonoridade própria, mais seca, áspera talvez e com um equilíbrio extraordinário entre os instrumentos. Não por acaso, a formação é composta pelo clássico bandoneón, piano, violoncelo, contrabaixo e violino. Possuem um refinamento que não é preciosismo se não que refinamento musical essencial à composição. E também possuem outra característica única: o universo roqueiro está muito presente em suas interpretações. Esses pontos convergem não como modelo ou forma, mas como uma expressão natural de seus integrantes. Inova como o tango sempre inovou, sem perder a identidade. Donos de um repertório base em seus mestres e composições próprias, se revelam (re)criadores incansáveis. Há uma participação magnífica e muito especial em ” Soy muchacho de la guardia ” dos Los Cigarros. La Mufa é mais que um alento, mais que uma promessa. É uma doce realidade que transcende a qualquer possibilidade de rotulá-los assim são ou assim não são. La Mufa faz tango com gana, com um quê de erudito, de jazz, de rock, de tudo um pouco e sobretudo, de La Mufa.

http://www.youtube.com/watch?v=urN-y5XNnJw

La Mufa Tango – Perro Andaluz Ediciones – 13 Faixas – 46min33s

Foto capturada na internet no site: http://www.lamufa.com‎

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